Autoridades afastam “risco de transmissão a terceiros”
As autoridades portuguesas de saúde confirmaram esta segunda-feira o primeiro diagnóstico de Gripe A (H1N1) no país, mas rejeitam que o caso dê lugar a uma "preocupação acrescida". A nova estirpe do vírus da gripe foi detectada numa doente que já teve "alta clínica" e não representa "qualquer risco de transmissão da infecção a terceiros", assinalou a ministra da Saúde.
O primeiro caso do vírus da Gripe A em Portugal foi confirmado por um laboratório londrino com a certificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), na sequência de uma primeira análise de resultado positivo efectuada pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge, em Lisboa. A suspeita foi levantada a 30 de Abril, quando o Ministério de Ana Jorge revelou a existência de um caso em acompanhamento pela Direcção-Geral da Saúde.
A infecção afectou uma mulher de 30 anos que regressara de uma viagem ao México com sintomas de gripe. A doente não foi submetida a qualquer medicação antiviral. Segundo a ministra da Saúde, "esteve sempre estável, os sintomas passaram-lhe dentro de um período curto e já está há alguns dias sem sintomatologia".
Os familiares da mulher e demais elementos de um grupo que esteve no México encontram-se sob vigilância, não tendo apresentado, até agora, quaisquer sintomas compatíveis com um quadro de gripe. Ana Jorge adiantou que "não existe actualmente qualquer caso sob investigação laboratorial".
Testes da OMS "vão chegar esta semana"
Sem os requisitos técnicos certificados pela OMS, as autoridades portuguesas vêem-se forçadas a recorrer a laboratórios internacionais. Os testes disponibilizados pela Organização, indicou a ministra da Saúde, "vão chegar esta semana a Portugal". Ana Jorge mostrou-se convicta de que "até ao final da semana haverá condições para ter tudo a funcionar".
Até lá, reiterou a governante, "nada será posto em causa".
"O actual nível pandémico da Organização Mundial de Saúde, o nível 5, significa que existem um ou mais pequenos surtos no Mundo com transmissão de pessoa a pessoa, mas em Portugal não existe evidência de transmissão entre pessoas", sublinhou Ana Jorge, para depois salientar o que disse ser a "prova de cidadania" da doente diagnosticada, que por iniciativa própria aceitou ficar confinada à sua habitação.
Embora destaque que a maior parte dos casos tem sido de natureza "benigna", a ministra da Saúde admite que é cedo para estabelecer a progressão clínica e epidemiológica da Gripe A.
Mais de 300 portugueses regressam do México
O Aeroporto de Lisboa recebe esta terça-feira dois voos do México. O primeiro transporta 257 portugueses que estiveram a gozar férias na estância turística de Cancún. No segundo viajam outros 100 passageiros. A ministra da Saúde explicou que as autoridades estão "a alargar" as informações sobre a Gripe A "a todos os passageiros que chegam a Portugal".
Durante os voos, os assistentes de bordo fazem chegar formulários de identificação aos passageiros. Após a aterragem, os aviões são visitados por uma equipa de profissionais de saúde, a quem cabe a identificação de passageiros com sintomas compatíveis com a nova estirpe de gripe.
A informação está a abranger todos os voos internacionais, para além das ligações provenientes do México e dos Estados Unidos. No âmbito dos voos extra-comunitários, os procedimentos são assegurados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Os passageiros que chegam da União Europeia, sem controlo de fronteira, são informados pelos profissionais do aeroporto, em articulação com as autoridades de saúde. Os portos marítimos estão a adoptar medidas semelhantes.
Perante "sintomas sugestivos de gripe", após "deslocação a áreas afectadas" ou "contacto com doentes confirmados", as autoridades recomendam o recurso à Linha Saúde 24 (808 24 24 24).