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Autoridades internacionais de saúde apertam vigilância

Autoridades internacionais de saúde apertam vigilância

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve a nova estirpe do vírus da gripe detectada no México e nos Estados Unidos como uma "emergência de saúde pública de preocupação internacional". As autoridades internacionais estão a implementar medidas de excepção para tentar suster uma variante do vírus H1N1 que já terá causado 81 mortes em solo mexicano.

RTP /
As autoridades sanitárias estão a distribuir milhares de máscaras de protecção a habitantes e turistas na Cidade do México Mário Guzman, EPA

Está em marcha uma operação de vigilância à escala global. A nova estirpe do vírus da gripe, detectada nos últimos dias na América Central e nos Estados Unidos, levou a OMS a alertar os governos internacionais para o "potencial pandémico" de uma variante que resulta da combinação de um vírus suíno e de outras estirpes aviárias e humanas. Crescem os receios de uma pandemia de proporções superiores às da SARS de 1997, que matou várias centenas de pessoas. No limite, o vírus do México pode atingir a dimensão da "gripe de Hong-Kong", que em 1968 fez um milhão de vítimas mortais.

O México e os Estados Unidos foram os primeiros países a reportar casos da nova estirpe de gripe. Mas as autoridades sanitárias norte-americanas já avisaram que não há forma de conter a doença. As novas variantes da gripe, explicou o Centro para o Controlo de Doenças, têm uma elevada capacidade de progressão, uma vez que ninguém está protegido por uma imunidade orgânica e o desenvolvimento de uma vacina pode arrastar-se durante meses.

Nos Estados Unidos foram já confirmados 11 casos nos Estados da Califórnia, Kansas e Texas. Em Nova Iorque, oito crianças que frequentam a mesma escola foram infectadas por um vírus influenza de tipo A com características semelhantes à variante da gripe suína.

A sublinhar o alerta lançado pela OMS, as autoridades de Londres decidiram submeter a exames hospitalares os membros da tripulação de um avião da British Airways que fez a ligação entre o México e o Reino Unido. Parte da equipa apresentava sintomas de gripe. Na Nova Zelândia, dez estudantes de Auckland que regressaram recentemente de uma viagem ao México estão a receber tratamento hospitalar, depois de terem manifestado sinais do vírus. Os casos suspeitos estendem-se a Espanha, França e Israel.

Vigilância "minuto a minuto"

Dados do Ministério da Saúde do México apontam para a possibilidade de o novo vírus ter sido responsável, nos últimos dias, pelas mortes de 81 pessoas. Vinte casos mortais foram já confirmados em análises laboratoriais. Mais de 1.300 pessoas estão a ser submetidas a exames para despistar a estirpe do H1N1.

Grande parte das vítimas mortais tinha idades entre os 25 e os 45 anos. Um factor que está também a alimentar os receios da OMS, já que o historial de pandemias à escala global é caracterizado por altas taxas de mortalidade entre jovens adultos saudáveis.

As autoridades mexicanas estão a fazer incidir as medidas de excepção em seis Estados do país, numa operação que já levou a Administração do Presidente Felipe Calderon a desbloquear um reforço orçamental de 450 mil dólares. As medidas passam pelo isolamento das pessoas infectadas pela estirpe.

Felipe Calderon garantiu que as autoridades vão "monitorizar minuto a minuto a evolução do problema em todo o país".

Na Cidade do México, uma colossal malha urbana com 20 milhões de habitantes, multiplicam-se os espaços públicos de portas encerradas (museus, cinemas, clubes nocturnos, superfícies comerciais, estádios de futebol e escolas). Vários eventos públicos foram cancelados, desde concertos a provas desportivas. Até mesmo as missas de domingo estão a ser canceladas para evitar os contágios.

Para lá da capital, o vírus já foi detectado em San Luis Potosi, nos Estados turísticos de Veracruz e Oaxaca, a Sul, e no Estado da Baja Califórnia, a Norte.

DGS recomenda recurso à Linha Saúde 24

Em comunicado ontem divulgado, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) sublinhou que, até ao momento, "não há conhecimento de qualquer caso em Portugal" da nova estirpe do vírus H1N1. Adiantou também que já foram accionados "os dispositivos previstos para este tipo de situações em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge".

A DGS aconselha os cidadãos que regressem a Portugal de territórios afectados pelo vírus, ou que tenham estado em contacto com pessoas infectadas, a entrarem em contacto com a Linha Saúde 24 (808 24 24 24). A estrutura recomendou, ainda, que todos os casos suspeitos sejam submetidos a confirmação laboratorial.

"Os serviços da Direcção-Geral da Saúde, através da Unidade de Emergência de Saúde Pública, estão em contacto permanente com a Organização Mundial da Saúde, em Genebra, e com o Centro Europeu de Controlo de Doenças, em Estocolmo, a acompanhar e a analisar, colectivamente, a evolução da situação epidemiológica", assinala o comunicado da DGS.

"Estamos perante a ocorrência, a emergência, de uma nova estirpe de vírus da gripe, que provoca uma infecção em seres humanos, e essa infecção, sabe-se agora nos surtos que foram identificados, tem sido transmitida de pessoa doente àquela que não está doente, aquilo a que nós chamamos cadeias de transmissão dentro da espécie humana", explicou à RTP o director-geral da Saúde.

Francisco George considera, no entanto, "errada" a designação da nova estirpe como "gripe suína": "Uma vez que os vírus da gripe têm oito genes, também já sabemos que, desses oito, dois têm origem suína e daí esta designação errada e infeliz, porque pode fazer crer aos cidadãos que o problema está nos porcos, ou que não devem comer carne de porco, e não é disso que se trata".

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