“Azar genético” é a principal causa de cancro

Um estudo publicado esta sexta-feira na revista Science revela que pelo menos dois terços dos casos de cancro registados se devem às hipóteses de mutações genéticas de cada indivíduo. Uma conclusão que não descarta os cuidados com o estilo de vida.

Andreia Martins, RTP /
Reuters

Uma dupla de cientistas norte-americanos atribui a maior probabilidade de contrair uma doença cancerígena à “sorte” genética, e não tanto à hereditariedade ou ao estilo de vida seguido por cada indivíduo. 

O estudo agora divulgado explica que o surgimento de cancros está relacionado com a forma como os tecidos do corpo humano se regeneram. O constante processo de renovação e divisão das células pode trazer o risco de uma mutação que aproxima as novas células de formarem tecidos cancerígenos. A renovação dos tecidos é mais frequente na zona intestinal e ocorre com menor regularidade no cérebro.

Para as conclusões deste estudo, Cristian Tomasetti  e Bert Vogelstein, investigadores de Maryland, nos Estados Unidos, mediram as possibilidades de desenvolvimento de cancro, ao longo da vida, em 31 diferentes tecidos do organismo humano. 

Concluem, no fim do estudo, que “os resultados sugerem que apenas um terço do risco de cancro em tecidos se devem ao meio ou a predisposições hereditárias. A maioria deve-se ao 'azar', ou seja, às mutações aleatórias de células normais”.

Os casos de cancro na mama e na próstata não são mencionados no estudo, já que os investigadores não encontraram um padrão conclusivo na divisão celular destes tecidos.
Estilo de vida continua a ser decisivo
No entanto, as práticas quotidianas continuam a pesar no restante terço. Um em cada três casos de cancro parte de características hereditárias ou de comportamentos de risco, como o consumo de álcool, o tabagismo ou a grande exposição aos raios ultravioleta.

A manutenção destes comportamentos não dita o desenvolvimento de uma doença cancerígena, mas pode criar ou aumentar as hipóteses genéticas já existentes. A especialista em ciência Emma Smith conclui, em declarações à BBC: “Alterar os comportamentos de risco não é uma garantia absoluta contra o cancro, mas aumenta as probabilidades a nosso favor”.
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