Cancro e neurociências são prioridade do Centro Champalimaud

O Centro de Investigação Champalimaud é um marco importante para o desenvolvimento do sistema científico português e uma "enorme fonte de esperança para milhões de pessoas", declarou o Presidente da República na cerimónia de inauguração. A presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, definiu os objectivos do Centro para o Desconhecido.

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O projecto vai dedicar-se a uma área clínica e outra de investigação Manuel de Almeida, Lusa

“As duas áreas científicas a que nos dedicamos, o cancro e as neurociências, terão neste centro condições raras de estudo e de pesquisa”, declarou Leonor Beleza, escolhida pelo empresário António Champalimaud para presidir ao novo centro de investigação.

“Em relação ao cancro, colaboraremos no grande esforço mundial de encontrar a cura ou ao menos a transformação em doença crónica com que se pode viver”, acrescentou durante a cerimónia de inauguração do edifício projectado por Charles Corrêa para a zona ribeirinha de Pedrouços, em Lisboa.

“Quanto às neurociências, dispomos já de um programa com quatro anos de actividade, com forte prestígio internacional dedicado à ciência básica que iremos progressivamente aproximarmo-nos de uma abordagem mais virada para as doenças, a sua prevenção e a sua cura”, disse ainda a ex-ministra da Saúde.

Neste novo centro vão trabalhar centenas de médicos e investigadores de todo o mundo, tendo alguns cientistas portugueses regressado ao país.

O centro foi constituído por disposição testamentária do empresário António Champalimaud, que destinou cerca de um quarto da sua herança à pesquisa científica no campo da medicina.

Cavaco Silva destaca “pólo de captação de talentos”
Perante políticos, cientistas e académicos, o Presidente da República não regateou elogios à infra-estrutura hoje inaugurada. "As doenças malignas e as doenças do sistema nervoso são dois dos grandes flagelos da Humanidade. Portugal conta a partir de hoje com um centro que, em conjugação com outros que já possuímos, nos pode situar na vanguarda mundial da investigação biomédica", sustentou Cavaco Silva.

“Será, indubitavelmente, um pólo de captação de talentos vindos de todo o mundo", bem como "um pólo de fixação de investigadores portugueses", acrescentou o Chefe de Estado, que não duvida da prossecução de “todas as tarefas que o centro se propõe desempenhar”.

"A entrada em funcionamento deste Centro de Investigação será um marco importante para o desenvolvimento do nosso sistema científico. Muito além disso, será uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo", acrescentou, durante a cerimónia de inauguração.

O Presidente da República considera a Fundação Champalimaud "um exemplo de altruísmo cívico e empenho no bem comum", cujo centro deve ser motivo de orgulho para todos os portugueses.

Cavaco Silva dedicou ainda palavras elogiosas à presidente da Fundação, Leonor Beleza, sua ex-ministra da Saúde e impulsionadora da unidade hoje inaugurada, a quem apontou “enorme empenho, merecedor da admiração de todos nós”.

Prémio distingue investigação sobre cérebro
O Prémio Ciência da Fundação Champalimaud foi entregue a Bill Newsome e Tony Movshon. Os dois cientistas norte-americanos receberam um milhão de euros por três décadas de investigação.

Os trabalhos dos cientistas visam perceber de que forma o cérebro é determinante na percepção visual que as pessoas têm do mundo.
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