"Comportamentos anti-sociais" dificultam prevenção
A prevenção da propagação da gripe A é dificultada por "comportamentos anti-sociais", como recusa de adultos em colocar máscaras em centros de saúde e declarações de mães que levam crianças a hospitais para contagiar outras pessoas", apontou a ministra da Saúde. Foram confirmados 14 casos de crianças com gripe A, o que levou ao fecho de dois infantários.
Os infantários de Lagoa e Alenquer foram encerrados, para conter a propagação do vírus e as autoridades estão a avaliar a situação em Armação de Pêra. Foram identificadas, em todas as situações, os contactos próximos e feita a medicação de prevenção.
O caso mais grave de propagação do H1N1 foi registado em Lagoa, no Algarve, onde alguns pais não tomaram as medidas profilácticas necessárias.
Neste infantário foram, num primeiro momento, apontados sete casos - seis em crianças e um numa educadora de infância. Posteriormente, foram confirmados mais duas situações de Gripe A.
Comportamento "anti-social"
O Ministério da Saúde denuncia casos de portugueses que não estão a respeitar as regras de prevenção. A ministra refere que os casos em questão "estão identificados" e que o Estado "não pode ser polícia nem prender as pessoas".
Ana Jorge referiu comportamentos anti-sociais que estariam a pôr em causa o controlo da infecção pelo H1N1. A ministra apontou o exemplo de pessoas que se recusam a usar máscara em centros de saúde e que anunciaram mesmo estar dispostas a contaminar outras, através dos filhos que, entretanto, foram infectados.
A ministra Ana Jorge deu conta da abertura de novos serviços de atendimento da Gripe A em Loulé e em Évora, a que seguirão outros, em zonas do país a determinar pelo aparecimento de número significativo de casos.
O encaminhamento dos doentes para estes serviços também será efectuado pela Linha de Saúde 24 (808 24 24 24), que assegura o encaminhamento dos utentes com sintomas.
Nesta segunda-feira foram confirmados em laboratório 53 casos de Gripe A, o maior número de situações confirmadas num único dia. No total, foram já 607 os casos confirmados de contaminação com H1N1 em Portugal. A maior parte das pessoas não foi internada e já retomou as actividades diárias com normalidade
Estudo sobre Tamiflu em crianças
As conclusões de um estudo britânico que desaconselha a toma de Tamiflu por crianças "não se aplicam à situação portuguesa", afirmou a ministra da Saúde. O Tamiflu deve "só ser tomado com prescrição médica" em Portugal, enquanto é distribuído "de forma generalizada" e "sem controlo clínico" no Reino Unido, apontou Ana Jorge.
O British Medical Journal publica, esta segunda-feira, um estudo que conclui que os efeitos secundários do Tamiflu são demasiado fortes e não compensam os benefícios da sua utilização.
"Os antibiótios também e não deixamos de os receitar por isso. A decisão de prescrever o Tamiflu compete ao clínico", respondeu a ministra da Saúde.