Cura da constipação comum pode estar mais próxima

Pesquisadores britânicos fizeram uma descoberta que abre caminho a novos medicamentos capazes de derrotarem doenças como a constipação comum ou a gastroenterite viral. A pesquisa do Medical Research Council (MRC) vem transformar radicalmente o que se sabia até agora sobre o modo como o sistema imunitário combate os vírus.

António Carneiro, RTP /
Vírus como o da constipação poderão vir a ser combatidos com mais eficácia graças à descoberta dos cientistas de Cambridge Direitos reservados

Confrontado com um agente infeccioso o corpo humano produz anticorpos para debelar a infecção. Até agora os especialistas pensavam que estes anticorpos apenas agiam atacando os vírus no exterior das células ou bloqueando-lhes a entrada. No entanto, a pesquisa britânica veio agora demonstrar que os anticorpos também podem penetrar no interior das células e combater os vírus a partir de dentro.

Os cientistas do laboratório de Biologia Molecular do MRC, em Cambridge, descobriram que os anticorpos permanecem acoplados aos vírus quando estes conseguem penetrar nas células saudáveis.

Proteína "chave"Uma vez no interior da célula, esses mesmos anticorpos provocam uma resposta, “conduzida” por uma proteína chamada TRIM21, que “arrasta o vírus para um sistema de eliminação utilizado pela célula para se livrar de material não desejado.

O processo acontece rapidamente, geralmente antes de a maioria dos vírus ter tido hipótese de danificar a célula. Os cientistas do MRC descobriram também que se os níveis da proteína TRIM21 nas células forem aumentados, este processo torna-se mais eficaz, o que sugere novos modos de fazer melhores drogas anti-virais.

“Os anticorpos são temíveis máquinas de guerra; sabemos agora que podem continuar a atacar os vírus já no interior das células”, disse o vice-director do laboratório do biologia Molecular do MRC, Sir Greg Winter. “ Esta pesquisa não só representa um salto na nossa compreensão sobre como e onde os anticorpos funcionam, mas também, e de uma forma mais geral, na nossa compreensão sobre a imunidade e a infecção” acrescentou.

Novos tratamentosOs cientistas de Cambridge avisam que poderá demorar anos de trabalho e de testes, para encontrar novas terapias e advertem que este “atalho” por eles descoberto não resultará em todos os tipos de vírus.

“Os médicos dispõem de muitos antibióticos para combater as infecções bacterianas mas de poucas drogas anti-virais”, disse o Dr Leo James, do Laboratório de Biologia Molecular e um dos principais autores do estudo. “Embora ainda estejamos no princípio, e apesar de não sabermos de todos os vírus podem ser eliminados por este mecanismo, estamos excitados porque as nossas descobertas podem abrir vários caminhos para desenvolver novas drogas anti-virais”, concluiu.

Apesar de já existirem alguns medicamentos para combater vírus como o HIV, as doenças virais continuam a ser um dos maiores assassinos da espécie humana. Provocam anualmente tantas mortes como o cancro e continuam a ser das mais difíceis de tratar.
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