DGS declara fim do surto de legionella na CUF mas ainda há dois doentes internados
Lisboa, 17 fev (Lusa) -- A Direção-Geral da Saúde (DGS) declarou hoje o fim do surto de `legionella` no hospital CUF Descobertas, em Lisboa, que infetou 15 pessoas, duas das quais ainda internadas em cuidados intensivos.
"De acordo com a literatura científica, o período de incubação é de dois a 10 dias na maioria dos doentes, não estando descritos casos que ultrapassem os 20 dias. Assim, com a informação disponível, considera-se que este surto está terminado, uma vez que todos os casos diagnosticados, independentemente da data de início de sintomas ou de diagnóstico, tiveram contacto com o hospital e contraíram a infeção antes do tratamento da fonte de transmissão (28 de janeiro)", refere uma nota da DGS hoje divulgada, indicando que contudo as autoridades continuam atentas à situação.
O surto tinha sido detetado no final de janeiro, quando foram diagnosticados dois casos de infeção por `legionella` na unidade privada de saúde de Lisboa.
Neste surto foram confirmados 15 casos de doença dos legionários, sendo que um dos doentes não precisou de internamento, 12 já tiveram alta clínica e dois estão ainda internados em unidades de cuidados intensivos.
No dia 27 de janeiro, o hospital CUF Descobertas informou as autoridades de saúde sobre dois casos diagnosticados da infeção por `legionella`, tendo sido iniciada uma investigação sobre as possíveis fontes de infeção.
Segundo informação da DGS dias depois, a fonte estaria na canalização do hospital, provavelmente em chuveiros.
A interrupção da transmissão ocorreu em 28 de janeiro, horas após a identificação do surto e da potencial fonte emissora, lembra a DGS na nota hoje divulgada.
Este foi o segundo surto de `legionella` conhecido em hospitais portugueses em dois meses, seguindo-se ao surto ocorrido em novembro de 2017 no hospital público São Francisco Xavier, em Lisboa, que provocou 59 infetados e cinco mortos.
A bactéria `legionella` é responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até dez dias.
A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.