Dilma promete “guerra aberta” para erradicar vírus Zika

A Presidente do Brasil garantiu que o Governo não vai olhar a meios ou recursos para conter a proliferação do mosquito responsável pela transmissão do vírus. A declaração acontece um dia depois de a Organização Mundial de Saúde ter declarado o Zika uma “emergência de saúde pública" de âmbito internacional.

RTP /
O Brasil é até agora o país mais afetado pelo vírus Mariana Bazo - Reuters

“Não haverá falta de financiamento”, garantiu esta terça-feira Dilma Rousseff, numa declaração perante o Congresso brasileiro, na abertura do ano legislativo.

A Presidente garantiu ainda uma parceria com os Estados Unidos no sentido de desenvolver uma vacina que detenha o avanço de um vírus a que têm sido associadas malformações dos fetos.

Ainda sobre o vírus que está a alastrar e preocupar a América Latina, Dilma Rousseff destacou o esforço do país e a campanha nacional de mobilização contra o mosquito que já está em curso.

No próximo dia 13 de fevereiro, realiza-se a primeira grande operação de combate ao vírus. A operação vai contar com a participação de 220 mil militares, que vão estar nas ruas para sensibilizar a população no combate à ameaça de saúde pública.

Outros assuntos estiveram em destaque no discurso. Dilma acabaria mesmo por ser vaiada pelos congressistas, alguns de costas para a Presidente, quando abordou temas de cariz interno, nomeadamente o estado da economia, os casos de corrupção e sobretudo a reposição de uma taxa polémica que pretende consolidar o equilíbrio das contas públicas, a  Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), prevista no Orçamento de 2016.
Brasil em alerta máximo
Ainda antes de endereçar o e também sobre a questão do zika, Rousseff reafirmou a necessidade do combate conjunto dos governos latino-americanos ao mosquito Aedes aegypti, que para além do zika também é responsável pela transmissão de doenças como o dengue e febre amarela. Enquanto Dilma discursava perante o congresso, o Chile e o Estado norte-americano do Texas confirmavam a existência dos primeiros casos de zika.
 
Na segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o vírus como uma situação de “emergência de saúde pública”. Um dia depois, anunciava a possibilidade de o vírus se espalhar a outras zonas tropicais, incluindo África e Ásia.

A situação é particularmente alarmante para as mulheres grávidas nos países ameaçados pela potencial presença do mosquito. Só no Brasil, há pelo menos 3700 casos de microcefalia confirmados. A microcefalia consiste no subdesenvolvimento e malformação do cérebro do feto que leva a complicações graves no desenvolvimento da criança.

São vários os países da América do Sul a aconselharem as mulheres a adiarem planos de materinidade. Já a Organização Mundial de Saúde não sugere por enquanto restrições de viagens para a América Latina, mas aconselha as mulheres grávidas a adiarem visitas aos países afetados.

O Brasil é até agora o país onde se registam mais casos do vírus, no ano em que o país acolhe os Jogos Olímpicos de verão. O Governo brasileiro está confiante no combate contra a doença e garante que não estão previstas alterações no calendário do evento desportivo.

Até lá, há outro evento a preocupar as autoridades: os festejos do Carnaval, na próxima semana. É esperado pelo menos um milhão de turistas só na cidade do Rio de Janeiro.
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