Enfermeiros do INEM poderão abandonar os CODU

Os enfermeiros do INEM ameaçam abandonar os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) se o Executivo mantiver a decisão de os manter ao serviço apenas entre as 08h00 e as 20h00. O ultimato é feito no dia em que está marcada uma reunião entre os representantes sindicais dos enfermeiros e o secretário de Estado adjunto da Saúde.

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Enfermeiros querem manter-se no CODU 24 horas por dia RTP

"Ou os enfermeiros se mantém 24 horas por dia nos CODU ou, a partir de quarta-feira, deixará de haver enfermeiros", declarou José Carlos Martins, coordenador nacional do Sindicato dos Enfermeiros, que acrescentou que "o Ministério da Saúde só assume soluções mediante pressão".

"Os enfermeiros só aceitam continuar no CODU se de facto se mantiverem durante 24 horas. Porque não é possível estará a aconselhar e a triar informações no terreno, pessoas acidentadas ou com doença súbita, apenas durante doze horas. Porque nas outras doze também é necessária a presença de enfermeiros no sentido de melhorar a qualidade e segurança dos cuidados que são prestados no confronto entre a vida e a morte", sublinhou.

Os enfermeiros não descartam a possibilidade de adoptar "formas de luta mais radicais", para reporem o "funcionamento normal" nos quatro CODU em funcionamento (Porto, Coimbra, Lisboa e Faro) que dependem do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

No entanto, o coordenador nacional do Sindicato dos Enfermeiros não especificou quais as formas de luta que poderão ser adoptadas pelos enfermeiros, não afastando a possibilidade de recurso à greve.

Sindicato acusa INEM de incompetência

O sindicalista recordou que em Dezembro de 2009, "numa reunião no Ministério da Saúde, o Conselho Directivo do INEM e o sindicato, a própria ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu não estar no horizonte a possibilidade de os enfermeiros serem substituídos por outros técnicos".

No entanto, a 26 de Março de 2010, o Conselho Directivo do INEM "informou os directores regionais que a partir de 1 de Abril deixariam de exercer funções em todos os CODU".

Cinco dias depois, a 31 de Março, no seguimento de uma reunião, com o secretário de Estado da Saúde, o Conselho Directivo do INEM, em novo comunicado "informou que os enfermeiros se manteriam em funções nos CODU, apenas entre as 08h00 e as 20h00, e só até final de Abril".

"Ninguém compreende a deriva do Conselho Directivo do INEM: primeiro os enfermeiros são precisos, depois não fazem falta, depois já são precisos entre as 08h00 e as 20h00", acusou José Carlos Martins, que acusou o Instituto Nacional de Emergência Médica de "incompetência" e apelou à "demissão do Conselho Directivo".

"São mais os problemas que os responsáveis do INEM estão a causar do que aqueles que resolvem", sublinhou.

Enfermeiros nos CODU são necessários 24 horas por dia

Segundo José Carlos Martins, a concretizar-se o afastamento dos enfermeiros que trabalham nos CODU, grande parte das chamadas serão avaliadas por Técnicos de Operações de Telecomunicações de Emergência, que "não têm competência para fazer o juízo relativos aos dados transmitidos pelos doentes".

Para o sindicalista "além dos médicos, não há outros profissionais habilitados, do ponto de vista clínico, a avaliar as chamadas telefónicas com pedidos de ajuda".

"Mas o médico não consegue tomar decisão clínica sobre todo o volume de chamadas que requer activação dos meios do INEM. É necessária a presença dos enfermeiros no CODU durante as 24 horas", rematou.

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