Enfermeiros do INEM poderão abandonar os CODU
Os enfermeiros do INEM ameaçam abandonar os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) se o Executivo mantiver a decisão de os manter ao serviço apenas entre as 08h00 e as 20h00. O ultimato é feito no dia em que está marcada uma reunião entre os representantes sindicais dos enfermeiros e o secretário de Estado adjunto da Saúde.
"Os enfermeiros só aceitam continuar no CODU se de facto se mantiverem durante 24 horas. Porque não é possível estará a aconselhar e a triar informações no terreno, pessoas acidentadas ou com doença súbita, apenas durante doze horas. Porque nas outras doze também é necessária a presença de enfermeiros no sentido de melhorar a qualidade e segurança dos cuidados que são prestados no confronto entre a vida e a morte", sublinhou.
Os enfermeiros não descartam a possibilidade de adoptar "formas de luta mais radicais", para reporem o "funcionamento normal" nos quatro CODU em funcionamento (Porto, Coimbra, Lisboa e Faro) que dependem do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
No entanto, o coordenador nacional do Sindicato dos Enfermeiros não especificou quais as formas de luta que poderão ser adoptadas pelos enfermeiros, não afastando a possibilidade de recurso à greve.
Sindicato acusa INEM de incompetência
O sindicalista recordou que em Dezembro de 2009, "numa reunião no Ministério da Saúde, o Conselho Directivo do INEM e o sindicato, a própria ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu não estar no horizonte a possibilidade de os enfermeiros serem substituídos por outros técnicos".
No entanto, a 26 de Março de 2010, o Conselho Directivo do INEM "informou os directores regionais que a partir de 1 de Abril deixariam de exercer funções em todos os CODU".
Cinco dias depois, a 31 de Março, no seguimento de uma reunião, com o secretário de Estado da Saúde, o Conselho Directivo do INEM, em novo comunicado "informou que os enfermeiros se manteriam em funções nos CODU, apenas entre as 08h00 e as 20h00, e só até final de Abril".
"Ninguém compreende a deriva do Conselho Directivo do INEM: primeiro os enfermeiros são precisos, depois não fazem falta, depois já são precisos entre as 08h00 e as 20h00", acusou José Carlos Martins, que acusou o Instituto Nacional de Emergência Médica de "incompetência" e apelou à "demissão do Conselho Directivo".
"São mais os problemas que os responsáveis do INEM estão a causar do que aqueles que resolvem", sublinhou.
Enfermeiros nos CODU são necessários 24 horas por dia
Segundo José Carlos Martins, a concretizar-se o afastamento dos enfermeiros que trabalham nos CODU, grande parte das chamadas serão avaliadas por Técnicos de Operações de Telecomunicações de Emergência, que "não têm competência para fazer o juízo relativos aos dados transmitidos pelos doentes".
Para o sindicalista "além dos médicos, não há outros profissionais habilitados, do ponto de vista clínico, a avaliar as chamadas telefónicas com pedidos de ajuda".
"Mas o médico não consegue tomar decisão clínica sobre todo o volume de chamadas que requer activação dos meios do INEM. É necessária a presença dos enfermeiros no CODU durante as 24 horas", rematou.