Especialistas ibéricos debatem em Coimbra novas tecnologias aplicadas à oftalmologia

A cirurgia a laser às cataratas em oposição ao método tradicional e outros avanços da área da oftalmologia estão hoje em debate numa reunião científica, em Coimbra, que reúne especialistas portugueses e espanhóis.

Lusa /

Em declarações aos jornalistas, Joaquim Murta, coordenador da unidade de oftalmologia da Idealmed, unidade privada de saúde que recebeu o encontro promovido por uma multinacional norte-americana de cuidados de saúde visual, disse que a abordagem da cirurgia às cataratas, hoje, "é completamente diferente do que era há 10 anos".

"Era uma cirurgia em que se tirava o cristalino que estava opaco e introduzia-se uma lente intraocular. Hoje em dia é muito mais do que isso", frisou, explicando que para além da correção da patologia que impede a visão de forma total ou parcial, as técnicas cirúrgicas aliadas a tecnologias como o laser permitem tratar pacientes com miopia (dificuldade em ver ao longe), hipermetropia (dificuldade em ver ao perto) ou astigmatismo (imagens desfocadas, quer ao perto quer ao longe).

"Hoje em dia operam-se cristalinos que são completamente transparentes e, para além disso, permite corrigir erros refrativos. Passa a ser uma cirurgia refrativa em que se corrige miopia, astigmatismo ou a dificuldade de visão ao perto", frisou o também diretor do serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

De acordo com Joaquim Murta, a tecnologia a laser (denominada `femtofaco`) permite uma maior precisão no posicionamento da lente intraocular face ao método clássico do bisturi, diminui "tremendamente as complicações e os resultados visuais para o doente são francamente melhores", precisou.

"Permite centrar melhor as lentes, os resultados são melhores, as pessoas veem menos halos, têm menos deslumbramento à luz, é uma tecnologia diferenciada", disse.

No entanto, ainda só é possível em Portugal em unidades de saúde privadas: "Cá em Portugal não existe em nenhum hospital público", revelou Joaquim Murta.

Questionado sobre os custos das cirurgias associados à tecnologia laser, não os indicou diretamente, mas frisou que o encontro de hoje também serve para a indústria "perceber que não se podem subir os preços destas cirurgias exageradamente porque depois só algumas pessoas têm acesso".

Joaquim Murta disse ainda que as cirurgias a laser com aplicação de lentes `premium` "corresponde a menos de 10 por cento hoje em dia", mas possuem "um potencial tremendo em termos de crescimento".

"Se fizermos as contas a 20 anos, os custos serão francamente menores se formos ver os custos com óculos progressivos. A breve ou médio trecho de certeza que vai haver [a tecnologia laser] no público, porque permite menor taxa de complicações e uma aprendizagem menor para internos de especialidade. É uma questão de tempo", estimou.

Já Fernandez Vega, presidente da Sociedade Espanhola de Oftalmologia, admitiu que a tecnologia laser não está acessível à comum das pessoas e que ainda "é pouco frequente".

"Mas já temos possibilidade de a utilizar, se não para operar toda a catarata, pelo menos uma parte, melhora as possibilidades cirúrgicas e é muito mais seguro para os doentes. E reuniões deste tipo dão-nos a possibilidade e o conhecimento de saber como esta tecnologia pode evoluir", argumentou.

Sobre a perspetiva que as pessoas têm sobre a cirurgia às cataratas, que admite que quase se banalizou, Joaquim Murta avisou ser preciso alertar as pessoas que as complicações decorrentes da intervenção cirúrgica existem e que não é a mesma coisa que tirar um pelo ou um dente.

"Ou corre bem ou corre mal, muitas vezes não existe meio-termo e as pessoas às vezes falam de cirurgia de catarata como se fosse tirar um pelo ou um dente. Com todo o respeito com quem tira os pelos, mas não é", afirmou.

"Não é uma cirurgia qualquer, se há uma complicação durante a cirurgia e há complicações, a paisagem a seguir no pós-operatório já é diferente", adiantou.

Para o especialista em oftalmologia, a minimização do risco "exige tecnologia para ser mais fácil de fazer" e a opção pelo laser, garantiu, tem resultados "francamente bons".

 

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