Espera por consulta de especialidade pode demorar mais de 2 anos

Os hospitais portugueses não cumprem o tempo de espera recomendado para consultas de especialidade. Em Oftalmologia, a média nacional de espera é de 160 dias, mais três meses do que o recomendado, já em Gastrenterologia o tempo de espera está oito dias acima do previsto. Os dados constam do relatório de Primavera do Observatório Português dos Serviços de Saúde (OPSS).

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Em 2009 estavam inscritos mais de 700 mil doentes nas especialidades de Oftalmologia e Gastrenterologia RTP

"A Oftalmologia tem um desvio positivo de 93,5 dias e 55,1 dias para as consultas muito prioritárias e prioritárias, respectivamente e, 26,1 dias para a prioridade normal, encontrando-se em último lugar na escala dos desvios relativamente aos tempos de espera padrão", lê-se no documento intitulado ‘Desafios em Tempo de Crise'.

Já a Gastrenterologia, "encontra-se no último quartil das escalas ‘muito prioritária' e ‘normal' e com um desvio positivo de oito dias relativamente ao padrão da categoria ‘prioritário'".

Dos 18.835 inscritos para a especialidade de Gastrenterologia, "foram realizadas 8.263 consultas, transitaram 39 por cento dos casos para 2010, 14 por cento recusados e três por cento cancelados". "A taxa de efectividade (consultas realizadas+pedidos transitados) foi de 53 por cento".

Em relação à Oftalmologia, "foram referenciados pelos médicos de família 112.157 pedidos de consulta na especialidade, tendo sido realizadas 46.332 consultas, transitaram 56 por cento dos casos, 6,7 foram recusados e 1,2 cancelados". "A taxa de efectividade foi de 36,1 por cento".

Em 2009 estavam inscritos mais de 700 mil doentes

Em relação ao acesso às consultas externas de Gastrenterologia e de Oftalmologia no âmbito do programa Consulta a tempo e horas (CTH), no final de 2009, estavam inscritas, 700.395 doentes, tendo sido concluídos 472.119 pedidos, 64 por cento do total.

"Destes, 91,1 por cento foram concretizados em consultas realizadas, 5,6 por cento dos pedidos foram recusados, e 3,3 por cento foram cancelados. Estes pedidos inscritos no CTH representam 2,1 por cento do total de consultas realizadas pelos médicos de família", acrescenta o relatório "Desafios em Tempo de Crise"

Segundo o documento, "no universo de consultas realizadas, no processo de triagem foi atribuída muita prioridade e prioridade a 2,5 por cento e 12,4 por cento respectivamente, dos pedidos e considerados sem prioridade especificada 85,1 por cento dos pedidos".

"O tempo média de resposta dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde foi de 110,2 dias, sendo de 60 dias para os casos muito prioritários, 73,9 dias para os casos prioritários e 117,6 dias para os casos sem prioridade especificada", refere o relatório.

Conclusões

O Observatório Português dos Serviços de Saúde destaca um "assinalável avanço" no sistema de informação para a saúde e a criação da plataforma informática Consulta a Tempo e Horas.

No entanto, acrescenta que dos aspectos mais relevantes a assinalar da informação sobre o tratamento de pedidos de consulta de Gastrenterologia e de Oftalmologia "são o risco para a situação clínica dos doentes, imputável à demora nos pontos do processo e o acesso desigual ao momento do diagnóstico".

"Relativamente ao risco para a situação clínica dos doentes, a resposta verificada nas categorias com indicação de muito prioritário e prioritário ultrapassa significativamente os valores considerados como garantidos, particularmente na Oftalmologia, só se aproximando no caso dos doentes classificados prioritários, da Gastrenterologia".

"Naturalmente que este diferencial há-de ter consequências nos planos do agravamento da situação clínica, da necessidade e intensidade de tratamento acrescido e da recuperação".

 

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