Farmácias portuguesas não aderiram à venda em unidose
As farmácias portuguesas ainda não aderiram à venda de medicamentos em unidose. A informação foi avançada à Lusa pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) que esclareceu ainda não ter, até ao momento, concedido qualquer autorização nesse sentido.
Apesar da lei que autoriza a venda de medicamentos em unidose nas farmácias de oficina e nas instaladas nos hospitais públicos, por um período experimental de um ano, ter entrado em vigor a 7 de Junho, a verdade é que, segundo o Infarmed, até agora "nenhuma farmácia mostrou interesse em aderir à dispensa unitária de medicamentos".
No entanto, para a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Elisabete Faria, para que a venda da chamada dose individualizada nas farmácias passe da teoria à prática ainda "falta muita coisa por regulamentar".
"A Ordem não é a favor ou contra, mas considera que, para que tal aconteça, têm primeiro que ser garantidos requisitos como o controlo da qualidade, a eficácia deste tipo de dispensa e a verificação da embalagem para não haver enganos", explicou Elisabete Faria em declarações à agência à Lusa.
Também a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) tem posição semelhante em termos de preocupação com eventuais "riscos de contrafacção".
A Apifarma refere ainda que a indústria farmacêutica "só poderá garantir a qualidade dos medicamentos que chegam ao doente numa embalagem inviolada, não podendo responsabilizar-se pelos que venham a ser manipulados num processo de reacondicionamento dos fármacos".
Já sobre as razões para que, passados mais de dois meses ainda nenhuma farmácia tenha aderido à medida, a bastonária dos Farmacêuticos é bem clara: "Isto faz parte da estratégia da Associação Nacional de Farmácias, com a qual a Ordem e a grande maioria das farmácias não concorda."
Situação não é preocupante
A ministra da Saúde, Ana Jorge, também já comentou o facto das farmácias não estarem a aderir à venda de medicamentos em unidose referindo que tal se deve à complexidade do processo, mas que, "para já, a situação não é preocupante.
Ana Jorge salientou que o processo da venda em unidose "não é fácil de implementar", que "as farmácias também têm que se organizar" e justificando ainda o facto das farmácias não terem aderido porque também "não foi assim há tanto tempo que saiu a legislação".