Hospital de Leiria regista sexta morte por gripe A em Portugal
Um homem de 58 anos infectado com o vírus da gripe A morreu esta manhã
no Hospital de Santo André, em Leiria. O paciente tinha antecedentes de
hipertensão arterial e obesidade mórbida. A unidade de saúde indicou
que o homem estava internado desde 1 de Novembro nos cuidados
intensivos com um quadro clínico de pneumonia bilateral e insuficiência
respiratória grave.
O paciente que hoje faleceu no Hospital de Santo André, em Leiria, estava internado na unidade há 12 dias com quadro clínico de pneumonia bilateral e insuficiência respiratória grave que obrigaram a ventilação assistida e suporte hemodinâmico.
De acordo com o hospital, assim que "a pesquisa do vírus H1N1 se revelou positiva (foi) iniciada de imediato a terapêutica adequada", sendo que "não há referência a qualquer contacto prévio do doente com um médico".
No comunicado da unidade de saúde pode ler-se que o doente, que "tinha antecedentes de hipertensão arterial e obesidade mórbida", deu entrada na Unidade de Cuidados Intensivos "no dia 1 de Novembro com o diagnóstico de pneumonia bilateral e insuficiência respiratória grave, o que determinou, desde logo, a necessidade de ventilação assistida e suporte hemodinâmico".
O estado de saúde do paciente de 58 anos agravou-se uma semana após o internamento, a 7 de Novembro, altura em que entrou em falência multiorgânica, o que viria a provocar a sua morte às primeiras horas desta manhã, com o hospital a atribuir as causas do desfecho a "pneumonia pelo vírus H1N1, com falência multiorgânica".
Sexta morte pelo vírus H1N1
Trata-se da sexta morte em Portugal de pessoas infectadas com a nova estirpe da gripe, duas semanas após os últimos casos, um deles, o que terá tido mais impacto nos media, por se tratar de um menino de 10 anos, a única criança a falecer até ao momento em território nacional devido ao H1N1.
A 29 de Outubro foi registada a morte de um homem no Hospital de Ponta Delgada.
Cerca de três semanas antes, no dia 10, morreu um homem de 53 anos no Hospital de São João, no Porto, em consequência de pneumonia bilateral. Um dia depois era anunciada a morte, pelas mesmas razões, de uma mulher que tinha sido mãe recentemente.
A primeira morte identificada com o vírus H1N1 ocorreu a 26 de Setembro no Hospital Curry Cabral, em Lisboa: um homem de 49 anos não resistiu à pneumonia provocada pelo vírus.
DGS reforça apelo à vacinação
Neste dia em que se regista a sexta morte pelo
H1N1, o director-geral de Saúde reforçou o apelo a quem está a recusar
a vacinação para que o não façam nesta altura em que há certezas de que
a actividade epidémica se vai intensificar e o risco da vacina "é
praticamente nulo".
"É preciso que todos compreendam a necessidade e a oportunidade de
rapidamente se protegerem, uma vez que estamos a admitir que a
actividade epidémica aumente. A actividade epidémica não será
dramática, mas vai aumentar", afirmou Francisco George em declarações à
Agência Lusa a partir de Coimbra, onde participou na abertura do I
Congresso Europeu e Ibero-Americano de Simulação Biomédica e Segurança
do Doente.
O director-geral de Saúde sublinhou que "comparar os benefícios da protecção que a vacina assegura com os riscos da vacina, que são praticamente inexistentes, não faz sentido".
Francisco George fala em cenário esperado
O director-geral de Saúde sustenta que "há uma reconhecida intensificação da actividade epidémica, mas dentro dos padrões que tinham sido admitidos, antecipados e esperados".
"Há um aumento da actividade dentro dos parâmetros e do padrão epidemiológico que tinha sido admitido para a 45ª semana. Confirmamos que há um aumento da circulação do vírus, um aumento da actividade gripal dentro dos padrões que tinham sido antecipados, esperados", referiu.
"Este trabalho de seis meses foi para preparar o país para um situação deste tipo", acrescentou Francisco George, procurando deixar uma mensagem de tranquilidade: "Não estamos com problemas surpreendentes. Não há, portanto, nada de novo sobre esta matéria, agora".
Campanha de vacinação arrancou há 18 diasDa parte da manhã, Francisco George havia referido que o calendário de vacinação "não é rígido", pelo que terá sempre em conta a situação epidemiológica registada, sendo que poderá ser alterado em relação aos grupos considerados prioritários.
Dando a entender que as crianças saudáveis até aos 12 anos poderão ser abrangidas mais cedo do que o estabelecido, o director geral da Saúde sublinhou que o plano está dependente do fornecimento das vacinas, não havendo, "de momento, vacinas suficientes para toda a população", o que "acontece a nível global".
A campanha de vacinação contra a gripe A H1N1 arrancou no passado 26 de Outubro, abrangendo numa primeira fase grávidas de risco com patologias associadas, profissionais de saúde e outros profissionais tidos como "imprescindíveis".
Na próxima segunda-feira tem início a segunda fase de vacinação, abrangendo o grupo B: todos os doentes com doenças crónicas como diabetes, problemas cardiovasculares, asma, insuficiência renal e profissionais de saúde em contacto directo com doentes. Trata-se de um grupo que abrange cerca de um milhão de pessoas.
O grupo C inclui crianças com menos de 12 anos - ou cinco, dependendo da disponibilidade da vacina -, obesos e estudantes de medicina e enfermagem.