Mais de 330 casos de Gripe A em todas as escolas de Valença

A Direcção-Geral de Saúde pondera considerar as crianças, mesmo as saudáveis, como grupo de risco para a vacinação. Há já mais de 330 casos de gripe A entre alunos e professores das escolas de Valença, mas as aulas vão, por enquanto, continuar. Só se houver casos de H1N1 em funcionários é que as instituições de ensino terão que fechar, afirmou o delegado de Saúde.

RTP /
Dezenas de alunos da escola EB 2,3 de Valença foram enviados para casa Arménio Belo, Lusa

Amílcar Lousa confirmou à RTP que "todas as escolas" no concelho de Valença, no distrito de Viana de Castelo, têm casos confirmados de Gripe A.

Ao todo há 400 pessoas que apresentam sintomas do vírus H1N1 entre alunos e professores. Apesar de estarem clinicamente comprovados apenas 32 casos de gripe A, "a grande maioria" dos alunos que faltaram às aulas hoje apresenta a mesma sintomatologia, "pelo que se pode afirmar que sofrem  da mesma doença", indica autoridade de saúde pública local. 

Mesmo perante este elevado número de casos, os responsáveis de saúde ainda não decidiram o fecho temporário das escolas mas apertaram o controlo. Esta manhã a febre foi medida com um termómetro digital a todos os alunos que foram às aulas.

Como medida preventiva, as crianças que tinham uma temperatura superior a 37 graus foram isoladas enquanto os pais eram chamados para as irem buscar.

Os encarregados de educação, preocupados com a situação, levaram as crianças ao centro de Saúde do concelho o que acabou por entupir as urgências, que funciona apenas com um médico e um enfermeiro.

"As indicações apontam para que, em casos de suspeita de gripe, se contacte a Linha Saúde 24, mas todos decidiram vir ao centro de saúde", queixou-se um profissional da unidade. Para dar resposta ao elevado número de entradas nas urgências as autoridades de saúde activaram o Serviço de Apoio à Gripe disponibilizando mais um médico e enfermeiro.

A verdade é que a maioria dos jovens acabou por sair do centro de Saúde sem máscara uma vez que as temperaturas aí registadas eram inferiores aos 37 graus verificados nas escolas.

"Chamaram-me de emergência à escola para ir buscar o meu filho, dizendo que estava com 39 de febre e chego aqui e dizem-me que tem apenas 35", disse à Agência Lusa Mário Silva, pais de um aluno de 16 anos da EB 2,3/S de Valença. "Mas que palhaçada vem a ser esta", acrescentou indignado.

O delegado de Saúde, em declarações aos jornalistas, adiantou que a medição de febre pode ter sido mal feita ou os estudantes podem ter tomado um antipirético na viagem entre a escola e o centro de saúde, baixando assim a temperatura.

Amílcar Lousa pediu aos pais "para manterem a calma" e afirmou que "não vai ser nada de muito grave".

Crianças de Valença podem entrar no grupo prioritário da vacina da Gripe A

Em declarações à RTP, o Director-Geral de Saúde afirmou que serão "imunizados aqueles que mais precisam. Se as crianças estiverem em maior risco do que outros serão naturalmente elas também as primeiras a dispor da vacina".

Esta é aliás uma situação, explicou Francisco George, que "tem acontecido e é exactamente essa a linha de orientação que está a ser observada pelos meus colegas da unidade de Saúde Pública do Alto Minho".

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