Mais de 40 doentes com cancro tratados por dia
Lisboa, 14 jun (Lusa) - Cerca de 40 pacientes com cancro são tratados diariamente na Fundação Champalimaud, que até ao final do ano estima receber 60 doentes por dia, para tratamentos que obrigam a menos sessões de radioterapia e permitem mais qualidade de vida.
No final do ano passado, o Centro Clínico Champalimaud recebeu um novo equipamento que veio permitir, nalguns casos, eliminar o cancro através de uma única sessão de radioterapia. No início, as equipas médicas tinham, em média, cinco ou seis pacientes por dia.
Atualmente "temos entre 40 e 45 pacientes todos os dias", contou à Lusa Carlo Greco, responsável pelo serviço de radioterapia do centro, que estima que, no final do ano, a média diária de pacientes chegue aos 60.
"O número de pacientes está sempre a aumentar e, por isso, vamos contratar mais médicos em breve", revelou o diretor de investigação do centro, explicando que a redução de sessões permite receber mais doentes.
Uma das razões para o aumento de pacientes pode passar pela anunciada qualidade do tratamento feito no centro em Lisboa que, segundo Carlo Greco, permite menos sessões de radioterapia e melhores resultados para os doentes.
"O paciente tem menos complicações do que com a radioterapia convencional e maior qualidade de vida. Muitos pacientes continuam a trabalhar e a ter a sua vida social normalmente", garantiu.
Segundo Carlo Greco, "em vez de 40 sessões, os doentes com cancro da próstata fazem o tratamento em 28 sessões. E, dependendo da situação clínica de cada paciente, os doentes com cancro da mama, em vez das tradicionais 30 sessões fazem 20 ou 25 sessões".
O equipamento existente na Fundação Champalimaud é famoso, mas Carlo Greco lembra que "não deixa de ser uma máquina", realçando que a avaliação médica e a qualidade do planeamento de tratamento é que definem a forma de utilizar a máquina: "Não posso conduzir um carro de Fórmula 1 se não sou um piloto. É preciso um piloto para conseguir retirar o máximo do equipamento".
Uma equipa internacional de investigadores e médicos, de 28 nacionalidades, fazem investigação ao mais alto nível. Neste momento, a Fundação está a tentar recrutar ainda mais investigadores.
A maioria dos pacientes tratados no centro tem seguros de saúde e alguns fazem parte da ADSE. Também existem pacientes enviados pelos IPO (Instituto Português de Oncologia).
Carlo Greco diz que na fundação são tratados entre cinco a seis novos pacientes do IPO todos os dias e que a direção deseja "aumentar este número".
A maioria dos pacientes são portugueses, mas também existem estrageiros, "habitualmente, pessoas que costumam vir a Portugal de férias e têm casa no país".
Hoje, o Centro Champalimaud recebe cientistas e médicos das mais prestigiadas instituições científicas da Europa e Estados Unidos para apresentar e debater o estado da investigação em cancro e os novos avanços.
Sobre a investigação em Portugal, Carlo Greco entende que o trabalho desenvolvido no centro Champalimaud é um "mundo à parte" do que se passa no resto do país: "A Fundação oferece uma plataforma única, não só em Portugal, mas em toda a Europa. Há muito poucos centros, em todo o mundo, que podem oferecer estas oportunidades."