OMS considera efeitos do vírus Zika emergência global de saúde pública

A Organização Mundial de Saúde declarou esta segunda-feira que os efeitos do vírus Zika, transmitido por picadas de mosquito, são uma ameaça global urgente. A decisão coincide com o alerta do ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Castro, que esta tarde revelou que a epidemia do Zika é muito pior do que se considerou a princípio.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Professor David L. Heymann, diretor do Comité de Emergência e a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, revelaram em conferência de imprensa a 1 de fevereiro de 2015 que a epidemia do vírus Zika foi classificada como situação de emergência de saúde pública global. Pierre Albouy - Reuters

A classificação da OMS foi recomendada por um comité de especialistas da Agência das Nações Unidas e deverá acelerar a resposta internacional e as pesquisas médicas para deter a ameaça.

É a opinião de Francisco George, responsável pela Direção-Geral da Saúde.

Esta mesma qualificação foi aplicada ao vírus Ébola, no mais recente surto, mas nesse caso a OMS foi criticada pela lentidão da resposta à ameaça.

A OMS afirma que o vírus se está a espalhar a uma velocidade impressionante. O Zika está também a ser ligado ao nascimentos de milhares de bebés com microcefalia.

"Estou agora a declarar que o recente surto de casos de microcefalia e outras condições neurológicas anormais reportadas na América Latina, depois de um surrto semelhante da Polinésia Francesa em 2014, constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional", afirmou esta tarde a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

As prioridades da organização prendem-se com a proteção das mulheres e dos seus bebés face ao perigo e controlar os mosquitos que estão a espalhar o vírus.

Brasil: epidemia é pior do que o estimado
O ministro da Saúde do Brasil revelou esta tarde que o vírus terá afetado muito mais pessoas do que se pensou já que se concluiu que 80 por cento dos infetados não apresentou sintomas.

Numa entrevista à agência Reuters, Castro afirmou que o Brasil vai iniciar registos de casos de Zika em todo o país, com os governos locais obrigados a passar a informação aos serviços centrais. O ministro acredita que, dentro de dias, a maioria dos estados terão laboratórios equipados com testes para detetar o vírus.

Castro afirmou ainda que o vírus, que é transmitido pela picada de mosquito e se está a espalhar rapidamente pelo continente americano, será diretamente responsável pelo 3.700 casos confirmados ou suspeitos de casos de recém-nascido afetados com microcefalia.
Sem vacina, sem cura
O vírus não se transmite de pessoa a pessoa mas apenas pela picada de um mosquito que lhe serve de hospedeiro.

O Brasil vai também seguir o exemplo dos Estados Unidos que proibiu a doação de sangue por pessoas infetadas com Zika.

A doença, detetada pela primeira vez no Brasil no ano passado, não tem vacina nem cura e os sintomas são tão ligeiros que muitas pessoas afetadas poderão nem dar por eles.

A semana passada surgira informações sobre o desenvolvimento de uma vacina que poderá estar disponível para casos de emergência no final do ano.

Saiba tudo o que há a saber sobre o Zika aqui.
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