OMS rejeita pressões da indústria farmacêutica e reafirma "pandemia"
A Organização Mundial de Saúde rejeitou pressões da indústria farmacêutica e acusa o presidente da comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa de ignorar dados científicos e "trivializar a morte de mais de 14 mil pessoas" ao apelidar a pandemia de "falsa". A Ministra da Saúde lembra que número de mortos confirma o carácter de pandemia do actual surto.
Tudo começou no dia 18 de Dezembro de 2009, quando 14 deputados do Conselho da Europa, encabeçados por Wodarg, apresentaram uma moção, intitulada "A pandemia forjada - uma ameaça para a saúde",em que alegavam que ,"para promover as suas drogas patenteadas e vacinas contra a gripe, os laboratórios farmacêuticos influenciaram os cientistas e as agências oficiais".
Esta terça-feira, realizou-se de manhã uma audição pública no Conselho da Europa precisamente para debater este assunto em forma de polémica. Fukuda foi o enviado pela OMS para esclarecer tudo o que o Conselho da Europa pretendesse averiguar.
O conhecido especialista reiterou que esta gripe e a sazonal nada têm de igual e que o vírus do H1N1 teve padrões de gravidade e mortalidades mais acentuados em pessoas mais jovens, com muitas mortes por pneumonia viral.
Comparar os números de mortes da gripe A com os da gripe sazonal segundo disse Kukuda no Conselho da Europa, é "como comparar maçãs e laranjas", já que nas gripes normais os casos de mortes são estimativas baseadas em modelos estatísticos enquanto no caso do vírus do H1N1 são vítimas mortais confirmadas laboratorialmente.
Keiji Fukuda lembra que habitualmente leva entre um e dois anos após o fim de uma pandemia até que se possa ter uma visão mais realista das taxas de mortalidade.
Ana Jorge afirma que a pandemia foi real e defende investimento em vacinaçãoUm dia depois de o director da Escola Nacional de Saúde Pública, Constantino Sakelarides, ter defendido a OMS e a gravidade da pandemia de Gripe A e ter garantido existirem no terreno vários mecanismos de detecção de conflitos de interesse com a indústria farmacêutica precisamente para obviar e impedir as eventuais pressões da poderosa indústria farmacêutica sobre o organismo internacional, também a responsável pela pasta da Saúde do governo português sentiu a necessidade de vir a terreno em defesa da OMS e da necessidade do investimento nas campanhas de vacinação.
"Os números apontam para que não seja uma falsa pandemia", afirmou em Bruxelas, Ana Jorge, que reiterou que, em Portugal, o vírus H1N1 já provocou "mais de 80 mortes".
A responsável política defende o investimento, "quer nas vacinas, quer no contexto geral da prevenção primária", à margem de uma cimeira sobre o cancro do colo do útero.
Portugal e o governo através da sua ministra, tem "grande confiança" na Organização Mundial de Saúde (OMS).