Operados em clínica no Algarve em risco de cegar
Quatro pessoas correm o risco de cegar depois de terem sido operadas numa clínica privada holandesa, no Algarve. Estão internados no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, com prognóstico reservado já que têm uma infecção grave nos olhos que pode provocar a cegueira. O caso já está a ser investigado pela Inspecção-Geral da Saúde, mas já se sabe que a clínica em causa estava a funcionar sem licença.
Uma situação que já levou à intervenção da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) que está a investigar o caso desde 28 de Julho com averiguações na clínica privada onde as quatro pessoas foram sujeitas a uma intervenção oftalmológica.
Os quatro doentes foram operados a 20 de Julho na clínica I-QMed de Lagoa, no Algarve, uma das doentes para colocar lentes intra-oculares e os outros três para tratar cataratas.
A mulher operada para colocar lentes intra-oculares deu entrada dois dias depois na urgência do Hospital de São José com uma infecção grave, enquanto os outros doentes chegaram a São José no dia 26 de Julho com os mesmos sintomas.
A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde está a investigar o caso, mas já foi confirmado pela Entidade Reguladora da Saúde que a clínica estava a funcionar sem licença e que se encontra encerrada por motivo de obras.
" A clínica não está registada na Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Não tínhamos conhecimento sequer da existência dessa entidade e portanto é uma entidade que actua à margem da lei, uma vez que o registo na ERS é obrigatório", confirmou o presidente da ERS, Álvaro Almeida.
O director clínico encontra-se na Holanda, mas já terá sido notificado para se apresentar e dar as explicações devidas sobre o funcionamento da clínica e a forma como as quatro doentes terão sido operadas.
Ouvido pela rádio Antena 1, o Director-Geral da Saúde, Francisco George, já confirma que este é um caso grave e que está a preocupar as autoridades de saúde.
"É uma situação preocupante. O serviço de oftalmologia do hospital de S. José e dos Capuchos notou que os doentes que tinha recebido tinham todos sido tratados, tinham recebido intervenções cirúrgicas no âmbito de oftalmologia, em Lagoa, e notificou o director clínico dessa situação que, por sua vez, comunicou-me a situação e as medidas foram tomadas imediatamente no sentido de suspender a actividade do Centro Médico de Oftalmologia de Lagoa e de imediato também o Inspector-Geral das Actividades de Saúde designou uma inspectora que iniciou as suas funções no sentido de averiguar a natureza do problema e impedir, naturalmente, que outras situações venham a acontecer", esclareceu Francisco George.
O Director-Geral da Saúde adiantou ainda que é cedo para se chegar a conclusões já que o caso está agora numa fase de investigação, mas esta é uma situação grave e preocupante.