Economia
Saúde
Roche suspende crédito de medicamentos em 23 hospitais
A Roche Farmacêutica fez cumprir a ameaça com que vinha acenando desde setembro do ano passado ao tomar a decisão de suspender a venda a crédito a 23 hospitais públicos. Os laboratórios suíços já haviam tomado a mesma decisão no final do verão em relação à Grécia e deixaram avisos a vários outros países europeus, entre os quais Portugal. Deixando um lamento pela decisão, o Ministério da Saúde já garantiu que "o SNS encontrará soluções alternativas, inclusivamente junto de outros fornecedores". Garantia que não surge de forma gratuita quando a oncologia é a principal área de comercialização da Roche em Portugal.
O laboratório suíço lembra que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) acumulam até ao momento dívidas "superiores a 135 milhões de euros” - a que somam juros de mora de seis milhões - e um atraso médio no pagamento superior a 420 dias.
Lamentando a decisão da farmacêutica, a equipa de Paulo Macedo acaba de fazer um comunicado em que não haverá "qualquer interrupção de tratamentos atuais e futuros e que os hospitais do SNS continuarão a disponibilizar, sempre que justificado, os medicamentos fornecidos pela Roche".
"O SNS encontrará soluções alternativas, inclusivamente junto de outros fornecedores", lamentou o Ministério da Saúde, lembrando que, "durante anos, a Roche beneficiou de centenas de milhões de euros de proveitos do SNS, pelo que esta decisão é uma atitude reprovável de um parceiro, ainda mais numa altura em que o país se encontra em situação de grande endividamento e num esforço histórico para ultrapassar a crise financeira".
Há duas semanas, a 6 de fevereiro, a Roche informou “formalmente o Ministério da Saúde, Infarmed e Conselhos de Administração dos referidos hospitais que, embora compreendendo as dificuldades inerentes à atual conjuntura económica e financeira, a nova política comercial seria impreterivelmente implementada [a partir desta segunda-feira para] garantir a sustentabilidade económica da empresa em Portugal”. Roche Farmacêutica interrompe vendas a crédito a 23 hospitais públicos com dívidas há mais de 500 dias; a venda de medicamentos a estas entidades apenas se fará de ora em diante a pronto pagamento
Em fevereiro, a Roche avisou o Ministério da Saúde, INFARMED e respetivos Conselhos de Administração Hospitalares de que a suspensão iria para a frente
Uma última tentativa, numa reunião que decorreu na passada sexta-feira no Ministério da Saúde, também não produziu os resultados esperados pela Roche, pelo que a maior fornecedora na área hospitalar deixa de vender medicamentos a crédito a estas entidades em dívida há mais de quinhentos dias. Chegam em alguns casos “a superar os mil dias, em claro incumprimento do prazo de pagamento de 60 dias, acordado contratualmente por ambas as partes”, acrescenta-se.
“Face à ausência do referido plano de pagamentos, não resta à Roche Farmacêutica outra opção além de implementar uma nova política comercial”, faz saber a farmacêutica suíça.
Trata-se de uma nova política comercial que já tinha sido apresentada ao Ministério da Saúde em novembro do ano passado, tendo a equipa de Paulo Macedo deixado no ar que se comprometia a apresentar um plano de pagamento de dívida total até 31 de janeiro desde ano, o que não sucedeu.
Grécia serviu de primeiro alerta
Mas o assunto já tem mais de cinco meses. Em setembro foram deixados os primeiros avisos.
Em meados de setembro do ano passado, a Roche anunciava a suspensão da venda a crédito de medicamentos aos hospitais gregos. Nessa altura, a Associação dos Administradores Hospitalares admitia a possibilidade de também Portugal vir a ser afetado por uma suspensão nos fornecimentos de matéria farmacêutica.
Pedro Lopes, presidente da associação, reconhecia então que "a dívida dos hospitais para com a indústria é elevadíssima e deve rondar neste momento os 1500 milhões de euros, se não for maior", sendo explicada a montante pela dívida do Estado aos hospitais. O Estado, sustentou, "deve muito dinheiro" aos hospitais, porque "não honrou" os contratos-programa assinados com estes nem “fez as contas dos últimos ". É, portanto, o Estado que tem “de criar condições para os hospitais terem liquidez financeira e pagarem as dívidas".
"Se o Estado não pagar o que deve aos hospitais, estes não têm dinheiro para pagar à indústria", afirmava em setembro Pedro Lopes, já então “extremamente preocupado, até por não ouvir qualquer resposta do Ministério da Saúde" sobre essa dívida do Estado.
"Não excluo a possibilidade de vir a ser suspenso esse fornecimento”, vaticinava Pedro Lopes, que não perdia a oportunidade e alertava o Ministério para o facto de os hospitais públicos estarem "a entrar num processo muito perigoso. O caminho é esta dívida continuar a crescer".
Lamentando a decisão da farmacêutica, a equipa de Paulo Macedo acaba de fazer um comunicado em que não haverá "qualquer interrupção de tratamentos atuais e futuros e que os hospitais do SNS continuarão a disponibilizar, sempre que justificado, os medicamentos fornecidos pela Roche".
"O SNS encontrará soluções alternativas, inclusivamente junto de outros fornecedores", lamentou o Ministério da Saúde, lembrando que, "durante anos, a Roche beneficiou de centenas de milhões de euros de proveitos do SNS, pelo que esta decisão é uma atitude reprovável de um parceiro, ainda mais numa altura em que o país se encontra em situação de grande endividamento e num esforço histórico para ultrapassar a crise financeira".
Há duas semanas, a 6 de fevereiro, a Roche informou “formalmente o Ministério da Saúde, Infarmed e Conselhos de Administração dos referidos hospitais que, embora compreendendo as dificuldades inerentes à atual conjuntura económica e financeira, a nova política comercial seria impreterivelmente implementada [a partir desta segunda-feira para] garantir a sustentabilidade económica da empresa em Portugal”. Roche Farmacêutica interrompe vendas a crédito a 23 hospitais públicos com dívidas há mais de 500 dias; a venda de medicamentos a estas entidades apenas se fará de ora em diante a pronto pagamento
Em fevereiro, a Roche avisou o Ministério da Saúde, INFARMED e respetivos Conselhos de Administração Hospitalares de que a suspensão iria para a frente
Uma última tentativa, numa reunião que decorreu na passada sexta-feira no Ministério da Saúde, também não produziu os resultados esperados pela Roche, pelo que a maior fornecedora na área hospitalar deixa de vender medicamentos a crédito a estas entidades em dívida há mais de quinhentos dias. Chegam em alguns casos “a superar os mil dias, em claro incumprimento do prazo de pagamento de 60 dias, acordado contratualmente por ambas as partes”, acrescenta-se.
“Face à ausência do referido plano de pagamentos, não resta à Roche Farmacêutica outra opção além de implementar uma nova política comercial”, faz saber a farmacêutica suíça.
Trata-se de uma nova política comercial que já tinha sido apresentada ao Ministério da Saúde em novembro do ano passado, tendo a equipa de Paulo Macedo deixado no ar que se comprometia a apresentar um plano de pagamento de dívida total até 31 de janeiro desde ano, o que não sucedeu.
Grécia serviu de primeiro alerta
Mas o assunto já tem mais de cinco meses. Em setembro foram deixados os primeiros avisos.
Em meados de setembro do ano passado, a Roche anunciava a suspensão da venda a crédito de medicamentos aos hospitais gregos. Nessa altura, a Associação dos Administradores Hospitalares admitia a possibilidade de também Portugal vir a ser afetado por uma suspensão nos fornecimentos de matéria farmacêutica.
Pedro Lopes, presidente da associação, reconhecia então que "a dívida dos hospitais para com a indústria é elevadíssima e deve rondar neste momento os 1500 milhões de euros, se não for maior", sendo explicada a montante pela dívida do Estado aos hospitais. O Estado, sustentou, "deve muito dinheiro" aos hospitais, porque "não honrou" os contratos-programa assinados com estes nem “fez as contas dos últimos ". É, portanto, o Estado que tem “de criar condições para os hospitais terem liquidez financeira e pagarem as dívidas".
"Se o Estado não pagar o que deve aos hospitais, estes não têm dinheiro para pagar à indústria", afirmava em setembro Pedro Lopes, já então “extremamente preocupado, até por não ouvir qualquer resposta do Ministério da Saúde" sobre essa dívida do Estado.
"Não excluo a possibilidade de vir a ser suspenso esse fornecimento”, vaticinava Pedro Lopes, que não perdia a oportunidade e alertava o Ministério para o facto de os hospitais públicos estarem "a entrar num processo muito perigoso. O caminho é esta dívida continuar a crescer".