Simpósio "Aguém e Além do Cérebro" discute no Porto "Interações Mente-Matéria"
Porto, 06 mar (Lusa) -- O 10.º Simpósio "Aquém e Além do Cérebro" que se realiza de 26 a 29 de março, no Porto, vai discutir a criação de interfaces entre a atividade mental e computadores ou meios mecânicos, tais como robots.
Lançando a discussão em torno das "Interações Mente-Matéria" e da nova área de investigação das interfaces cérebro-máquinas, este 10º Simpósio "Aquém e Além do Cérebro" abrange "uma temática multifacetada, com implicações que vão muito para além da esfera científica, e que contemplam questões de ordem ética, clínica e até social", refere a organização numa nota de imprensa hoje enviada à Lusa.
O encontro será inaugurado com uma conferência intitulada "From Mind to Action" (da Mente à Ação), proferida pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
Este investigador tem dedicado o seu trabalho ao estudo de ferramentas robóticas que possam ser controladas neuralmente. Nicolelis assenta o seu trabalho na convicção de que, independentemente dos mecanismos naturais que temos, há a possibilidade de influenciar a matéria através da atividade cerebral, o que se poderá traduzir no desenvolvimento de instrumentos e aplicações para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com paralisias severas.
Miguel Nicolelis esteve em destaque quando apostou com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que seria possível um paraplégico dar o pontapé de saída do Campeonato Mundial de Futebol de 2014.
O jovem entrará em campo vestido com um fato robot, ou exoesqueleto, e os seus passos serão controlados por sinais motores originados no seu cérebro e transmitidos a uma unidade de computador, que traduzirá esses impulsos cerebrais elétricos em comandos motores.
"Um dos objetivos de Nicolelis é mostrar que o controlo cerebral de máquinas passou do laboratório - e de especulação futurista - para uma nova era, em que ferramentas capazes de trazer mobilidade a pacientes incapacitados por lesões ou doenças se tornam realidade", explica a organização do simpósio.
O dia 27 será dedicado à dimensão neurocientífica das relações Mente-Matéria e abrirá com a intervenção do português Rui Costa, investigador do Programa Champalimaud de Neurociências, cujo trabalho pretende entender a base biológica do comportamento humano.
Rui Costa incide os seus estudos nos mecanismos cerebrais que levam ao início voluntário de ações, suas implicações na aprendizagem e execução das mesmas, bem como na incapacidade de as realizar, observadas em distúrbios como as doenças de Parkinson e de Huntington.
A vertente parapsicológica será analisada no dia 28 e contará com a intervenção de Peter Bancel, investigador doutorado em Física e mentor do Projeto da Consciência Global, experiência cuja finalidade é testar a hipótese de que a atenção focada por um grande número de pessoas durante eventos mundiais possa estar correlacionada com desvios numa rede global de geradores físicos de números aleatórios.
Segundo este investigador, num evento (como por exemplo o 11 de setembro ou as eleições americanas de 2008) a propensão de várias pessoas pensarem na mesma coisa, ao mesmo tempo, não acontece por mero acaso, mas sim devido a uma consciência global, relacionada com o poder da mente.