Sindicato dos enfermeiros avança com adesão à greve superior a 75 por cento

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses anunciou ao início da noite uma adesão na ordem dos 78 por cento para a greve de  dois dias em contestação à inexistência de uma iniciativa do Governo para reestruturar a carreira dos enfermeiros. Estes números são rebatidos pelo Governo, que apresenta uma estimativa de paralisação à volta dos 62 por cento.

Paulo Alexandre Amaral, RTP /

Face à inexistência de uma nova proposta do Ministério da Saúde para a reestruturação da carreira destes profissionais da saúde, o SEP decidiu convocar uma greve de dois dias num manifesto de "profunda insatisfação".

Na posse de dados relativos a um terço das unidades de saúde nacionais, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) anunciava ao início da tarde números de adesão entre 75 e 95 por cento, balanço que assentou durante a noite nos 77,7 por cento.

O dirigente do SEP, José Carlos Martins, sublinhou a partir do Hospital de São José, em Lisboa, que os dados recolhidos "serviço a serviço" em 41 das 109 unidades hospitalares "indiciam níveis de adesão superiores aos da greve anterior", no passado mês de Fevereiro.

Na estimativa do Ministério da Saúde estes são contudo números exagerados, tendo a tutela avançado com uma estimativa de adesão de 62,16 por cento. A Secretaria-Geral do Ministério da Saúde anota que dos 12.506 enfermeiros escalados terão sido 7.331 os que aderiram à greve.

Na Madeira, dá-se o caso inédito de o Governo Regional avançar com números de adesão à greve superiores aos do próprio sindicato. Quando o SEP avança com uma estimativa para a adesão de 65 por cento (73% nos hospitais e de 65 a 70% nos centros de saúde), o Governo da Região aponta 66 por cento nos centros de saúde e de 77 por cento nos hospitais.

Nos Açores, o Governo Regional contrapôs uma adesão de 41 por cento aos 78 por cento avançados durante a manhã pelo SEP.

Carreira na origem da greve

O dirigente sindical José Carlos Martins lamentou que os frutos das negociações com a tutela e algumas das garantias dadas pela ministra Ana Jorge não tenham ainda sido reflectidos numa nova proposta do Ministério da Saúde.

Além da inexistência de uma nova proposta do ministério para a reestruturação da carreira dos enfermeiros, estão ainda em causa o "impedimento do desenvolvimento de competências" e a discriminação salarial face a outros licenciados da Administração Pública.

O sindicalista sublinhou ainda que os números da adesão revelam a "profunda indignação dos enfermeiros em relação às propostas do Ministério da Saúde".

A greve teve início às 8H00 desta quinta-feira e deverá manter-se até à mesma hora de sábado. Trata-se do segundo protesto destes profissionais em mês e meio devido às carreiras, depois de aqueles profissionais terem parado a 20 de Fevereiro.

Em causa durante estes dois dias de paralisação deverão ficar os serviços não-urgentes dos hospitais e Centros de Saúde.

A não haver uma resposta satisfatória por parte do Governo, o SEP contempla já novos protestos com maior número de dias de paralisação. Ainda para esta noite está programada uma vigília frente à Administração Regional de Saúde de Lisboa, devendo os enfermeiros realizar concentrações em 22 pontos do país durante a sexta-feira.

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