SUCH admite que perde o rasto a 90 a 120 toneladas de roupa hospitalar por ano

Lisboa, 25 out (Lusa) -- O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) admite que perde o rasto de 90 a 120 toneladas de roupa hospitalar, das cerca de 30 mil toneladas que trata por ano, segundo o presidente do organismo.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Em entrevista à Agência Lusa, a propósito da descoberta de roupa de vestuário confecionada com tecido contendo a inscrição de hospitais portugueses, o presidente do conselho de administração do SUCH admitiu que existem vários "pontos de fuga" da roupa que este organismo trata.

Pelo circuito do SUCH passam diariamente 100 mil toneladas de roupa, cerca de metade de toda a roupa dos hospitais portugueses que este organismo vai buscar às instituições, lava, desinfeta -- ou destrói, se for material contaminado -- e devolve já devidamente tratada.

Anualmente, 30 mil toneladas de roupa são tratadas pelo SUCH e, destas, entre 90 a 120 toneladas desaparecem ou ficam deterioradas pelo uso (cerca de três a quatro quilos por cada tonelada).

Nelson Baltazar sublinha que estas perdas diminuíram significativamente nos últimos dez anos, já que se situavam nos oito quilos por tonelada.

Esta diminuição deveu-se a "uma maior fiscalização à entrada e saída da roupa" dos hospitais.

Questionado sobre a possibilidade das roupas que passam pelo SUCH irem parar a outros locais, além dos hospitais a que pertencem, Nelson Baltazar reconheceu que há vários "pontos de fuga".

E deu como exemplo os lençóis que, quando ficam desgastados, são transformados em fronhas, gerando farrapos que depois são vendidos aos farrapeiros e cujo rasto se perde.

Mas existem mais possibilidades: "Alguns hospitais deixam os doentes irem para casa de pijama, há macas de bombeiros com lençóis que raramente são devolvidos aos hospitais", entre outras hipóteses.

Nelson Baltazar afirma ainda que, quando o SUCH adquire roupa com o seu logótipo, o produtor normalmente produz quantidades maiores, para cobrir eventuais peças com defeito.

"O SUCH costuma comprar os excedentes, para evitar que circule peças com o logótipo deste organismo, mas não é obrigado a fazê-lo", disse.

Nelson Baltazar esclareceu que, quando as peças desaparecem, já estão devidamente tratadas e recusou a hipótese das peças cujo rasto é perdido estarem sujas ou contaminadas.

O primeiro caso de descoberta de roupa de vestuário confecionada com tecido contendo a inscrição de hospitais portugueses ocorreu no Brasil quando, na sequência da descoberta de toneladas de lixo hospitalar dos Estados Unidos, um homem denunciou ter comprado em São Paulo uns calções com bolsos feitos de tecido do Hospital Garcia de Orta.

Após essa denúncia, foram tornados públicos em Portugal mais dois casos semelhantes, o de um empresário de Leiria que comprou numa feira umas calças de ganga com forro nos bolsos do Hospital de Santa Maria e o de um casal que adquiriu no Alentejo, também numa feira, umas calças com o logótipo daquele hospital marcado no tecido dos bolsos.

Tópicos
PUB