Vírus pode ter sido desenvolvido por erro humano

O vírus da Gripe A H1N1 pode ter sido desenvolvido por força de um erro humano ao testar uma nova vacina. O caso está a ser investigado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) após declarações de um investigador australiano que participou nas pesquisas que conduziram à criação do antiviral Tamiflu.

RTP /
OMS investiga se houve erro humano no aparecimento do vírus H1N1. Dave Hunt/EPA

A tese de Adrian Gibbs está a ser investigada pela OMS após o investigador australiano ter revelado que o vírus da Gripe A H1N1 pode ter sido desenvolvido como erro humano para testar uma nova vacina.

A noticia foi avançada pela agência Bloomberg depois de Adrian Gibbs, que colaborou nas pesquisas que conduziram ao antiviral Tamiflu, ter admitido que pretende publicar um relatório assinalando que a nova estirpe de vírus gripal pode ter sido, acidentalmente, envolvida em experiências científicas com o intuito de desenvolver vírus que possam ser utilizados por laboratórios farmacêuticos na produção de vacinas.

A conclusão foi tirada pelo investigador após este ter traçado as origens do H1N1 através da análise do seu modelo genético o que levou a OMS a analisar as conclusões do relatório.

O mesmo relatório já chegou via OMS ao Centro para a Prevenção e Controlo das Doenças dos Estados Unidos que têm opinião contrária pois consideram que há falta de evidências que sustentem a tese do investigador australiano.

Recorde-se que Adrian Gibbs foi um dos primeiros cientistas que analisou o "mapa" genético do vírus H1N1, identificado há três semanas no México, e que segundo o mais recente balanço já infectou 5 251 pessoas em 30 países, causando a morte de 61.

Português considera hipótese "despropositada e infeliz"

Pedro Simas, investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, considera "despropositada e infeliz" a hipótese do vírus da gripe A H1N1 resultar de um erro humano na manipulação de uma vacina.

O especialista em patogénese viral refere que "não há evidência nenhuma nesse sentido" e que a tese apresentada é "despropositada por não ter fundamento científico" e "infeliz porque só serve para lançar suspeitas e confusão".

Pedro Simas não deixa, no entanto, de admitir que, em teoria, se trata de um cenário possível apesar de considerar que "não faz sentido" neste momento lançar mais uma "teoria conspiratória".

Para Pedro Simas o "problema é que se conhece a origem do vírus, o seu conteúdo genético, mas não se sabe como apareceu".

Para o investigador português "o progresso nesta área tem sido fantástico" e existe agora "uma oportunidade única" para a comunidade médica se preparar para a próxima época de gripe no hemisfério norte.

Uma oportunidade que, para Pedro Simas, terá muito dependente de uma decisão política que terá de apostar na vacina pandémica e não na vacina sazonal, já que o vírus A H1N1 será, segundo tudo indica, o vírus dominante na próxima época.

 

 

 

 

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