Vírus Zika propaga-se na América Latina sem sinal de abrandamento

por Sandra Salvado - RTP
James Gathany - Reuters

O vírus Zika, transmitido aos seres humanos por mosquitos infetados, está a propagar-se praticamente por toda a América Latina e Caribe. As grávidas são o maior grupo de risco, já que a infeção pode provocar microcefalia nos recém-nascidos. Há nesta altura 3.893 casos de microcefalia associados ao Zika em 21 Estados do Brasil. Em Portugal já foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge quatro casos em cidadãos portugueses regressados de território brasileiro, mas que evoluíram favoravelmente.

Considerando a atual fase em que se encontra a epidemia do vírus Zika e o risco que ela traz, recomenda-se aos casais que vivem sobretudo na América Latina que evitem gestações.

A fase aguda pode estender-se até ao mês de julho de 2016.

Esta foi a recomendação feita esta semana pelo Governo colombiano, semelhante à que foi feita em novembro do ano passado pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Em Portugal foram já confirmados laboratorialmente quatro casos que ocorreram em portugueses regressados do Brasil, mas que evoluíram favoravelmente.
DGS alerta viajantes
A Direção-Geral da Saúde recomenda que todas as grávidas oriundas de países afetados pela doença do vírus Zika, transmitido por picada de inseto, contactem de imediato um médico, conselho estendido aos outros viajantes apenas em caso de apresentarem sintomas.

Num alerta publicado no portal da DGS, pode ler-se: "Os viajantes provenientes de uma área afetada que apresentem, até 12 dias após a data de regresso, os sintomas acima referidos, devem contactar a Saúde 24 (808 24 24 24), referindo a viagem recente".

A DGS pede ainda às mulheres grávidas "que tenham permanecido em áreas afetadas que, após o regresso, consultem o seu médico assistente, mencionando a viagem".

No entanto, a DGS salienta que o vírus Zika não se transmite de pessoa para pessoa, mas apenas por picadas de mosquitos infetados, sendo os sintomas em geral ligeiros e caracterizados por febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares.



“Com menor frequência, podem ainda ocorrer dores nos olhos e sintomas gastrointestinais. Há suspeitas (ainda não inteiramente comprovadas) que a doença possa provocar alterações fetais durante a gravidez, em particular microcefalia”, refere o mesmo comunicado, assinado pelo diretor-geral da Saúde, Francisco George.

Recentemente foram notificados casos de doença por vírus Zika no Brasil, Cabo Verde, Colômbia, El Salvador, Fiji, Guatemala, México, Nova Caledónia, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Samoa, Ilhas Salomão, Suriname, Vanuatu, Venezuela, Martinica, Guiana Francesa e Honduras.

A DGS recomenda ainda a quem se deslocar para uma dessas regiões que tome especiais precauções, aconselhando-se na Consulta do Viajante e cumprindo as recomendações das autoridades locais.

Estas pessoas devem também assegurar proteção contra picada de mosquitos, utilizando vestuário adequado, optando por alojamentos com ar condicionado, usando repelentes e evitando a exposição nos períodos do dia em que os mosquitos picam mais.
Estados Unidos emitem alerta
Além do Brasil e da Colômbia, outros países como Argentina, Jamaica e Estados Unidos já emitiram recomendações às mulheres grávidas ou que estão a planear engravidar.

O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos emitiu no final da semana passada um alerta para que grávidas evitem viajar para o Brasil e outros 13 países da América Latina onde o vírus circula. O primeiro caso, naquele país, é o de um bebé do Hawai.

O Ministério da Saúde da Jamaica, citado pela BBC, foi mais além e sugeriu que as mulheres do país "adiem os planos de engravidar, na medida do possível, no próximos seis a 12 meses".

Já a Argentina pediu que as medidas de prevenção fossem reforçadas por parte das grávidas, especialmente as que estavam nas áreas mais afetadas do país.
Número de casos aumenta
A Organização Mundial da Saúde afirmou que o vírus Zika pode espalhar-se por todos os países da região.

No Brasil, até o momento, há 3.893 casos de microcefalia relacionados com o Zika em 21 Estados. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, desses casos, 1.306 estão em Pernambuco, primeiro Estado a identificar o aumento do problema, onde foi decretado o estado de emergência desde novembro.

Em segundo lugar está Paraíba, com 665 casos, e em terceiro a Bahia, com 496 ocorrências.

"O vírus Zika pode passar da mulher grávida para o bebé. Há relatos de um sério defeito no cérebro chamado microcefalia e de outros problemas em bebés de mulheres que foram infetadas pelo vírus na gravidez", referem as autoridades de saúde.

No Brasil, estima-se que o vírus Zika já tenha infetado entre 440 mil e 1.300.000 pessoas, segundo um comunicado do Instituto Pasteur, que anunciou ter sequenciado o genoma deste vírus.
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