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Acusados nos EUA suspeitos de esquema de pirataria informática que rendeu 45 milhões
Oito homens, um deles já falecido, foram acusados nos Estados Unidos de participar em dois dos maiores assaltos a bancos alguma vez cometidos na história mundial e envolvendo dezenas de pessoas. Por duas vezes e em poucas horas, de forma coordenada ao segundo em mais de 20 países em simultâneo, foram levantados ao todo 45 milhões de dólares através de operações em caixas multibanco, usando cartões de débito clonados, cujos dados haviam sido previamente alterados por via informática.
O grupo agora acusado é considerado uma ínfima parte de uma rede internacional que está ainda a ser investigada."Em vez de máscaras e de armas de fogo, usavam computadores portáteis
usados e Internet", resumiu em conferência de imprensa a procuradora
norte-americana Loretta Lynch.
O método do assalto foi o mesmo em ambos os casos e é conhecido no mundo do crime cibernauta como "Operações Ilimitadas".
Os piratas informáticos infiltram empresas que gerem cartões de débito, acedem a algumas contas e roubam os dados dos cartões, incluindo as senhas, os quais transmitem a outros indivíduos que clonam nos cartões falsos.
Estes cartões são então entregues a equipas no terreno, que se vão encarregar dos levantamentos propriamente ditos. Os piratas alteram entretanto o limite de levantamento dos cartões para "ilimitado" possibilitando inúmeras operações.

Milhões em poucas horas
Quando os limites de levantamento são eliminados "até mesmo poucas contas falsificadas podem causar tremendas perdas financeiras às instituições vítimas do assalto," afirma a acusação norte-americana.
O que marca esta rede de cibernautas criminosos, ainda sob investigação, é a escala das operações que realizou. Foram roubados 45 milhões de dólares num total de 27 países, através de dezenas de pessoas a agir de forma coordenada.
No primeiro assalto, em 21 de dezembro de 2012, em 4.500 operações ilegais em 20 países, foram roubados cinco milhões de dólares (3,8 milhões de euros) através de cinco contas do RakBank. Em Nova Iorque foram levantados 400.000 dólares em 750 operações multibanco em apenas três horas.
Dois meses depois, a 20 de fevereiro, foi a vez do Banco Mascate perder 40 milhões de dólares (30,5 milhões de euros) em apenas 10 horas, envolvendo 36.000 operações em 24 países, usando dados de 12 contas.
Só em Nova Iorque, um grupo de oito pessoas realizou 2.904 levantamentos a partir das três da tarde de 22 de fevereiro, num total de 2.400 milhões de dólares. Foi o segundo maior assalto na cidade norte-americana, só ultrapassado pelo roubo da Lufthansa em 1978.
O Japão registou o valor mais elevado do roubo, 10 milhões, provavelmente porque neste país cada caixa ATM possibilita levantamentos até 10.000 dólares.
De acordo com os procuradores nova-iorquinos, todo o movimento financeiro terá sido acompanhado à distância pelos verdadeiros líderes da rede criminosa, de forma a assegurar que não eram enganados.
Investigação em curso
Os bancos assaltados são ambos dos Emirados Árabes Unidos. As empresas gestoras dos cartões clonados não foram identificadas, sabendo-se que uma opera na Índia e a outra nos Estados Unidos e ambas gerem cartões pré-pagos Visa e MasterCard. São consideradas empresas especialmente vulneráveis do ponto de vista de segurança informática.
Os cartões pré-pagos possibilitam levantamentos sem mexer nos saldos dos seus possuidores, o que atrasa os alarmes. Os serviços secretos mundiais foram contudo avisados pela MasterCard logo em dezembro, poucas horas depois do sucedido, mas não conseguiram evitar o segundo roubo.
Serviços de informação em vários países estão a investigar os assaltos mas a acusação americana deixa perceber que há poucos detalhes sobre os piratas que conduziram a operação ou quem poderá ter sido o verdadeiro organizador do assalto.

Uma flash-mob criminosa
Os sete homens e o seu líder, que terá sido morto na República Dominicana a 27 de abril, são acusados de pertencer à célula nova-iorquina da organização criminosa e cujos verdadeiros líderes deverão estar fora dos Estados Unidos.
Foram apanhados através das câmaras de vídeovigilância. Imagens de um dos suspeitos mostram a sua mochila cada vez mais pesada.
A procuradora Lynch descreveu o grupo como "virtualmente uma flash-mob criminosa, indo de máquina para máquina, levantando todo o dinheiro possível antes das contas serem bloqueadas."O dinheiro roubado foi depositados em diversas contas, uma delas, de 150.000 dólares, aberta com depósito de notas de 20 dólares. As autoridades federais já se apossaram destas contas assim como de produtos comprados com o dinheiro roubado, incluindo relógios de luxo e carros de alta cilindrada.
Os sete homens detidos em Nova Iorque têm todos nacionalidade norte-americana, vivem em Yonkers, e têm idades entre os 35 e os 22 anos. São acusados de conspiração para cometer fraude e de lavagem de dinheiro.
O seu líder, Alberto Lajud-Peña, 23, originário da República Dominicana, terá sido morto a tiro, de acordo com relatórios da polícia dominicana, por dois homens encapuzados que entraram de rompante num bar onde ele se encontrava a jogar dominó. Um saco com 100.000 dólares em notas foi deixado intocado ao seu lado.
O método do assalto foi o mesmo em ambos os casos e é conhecido no mundo do crime cibernauta como "Operações Ilimitadas".
Os piratas informáticos infiltram empresas que gerem cartões de débito, acedem a algumas contas e roubam os dados dos cartões, incluindo as senhas, os quais transmitem a outros indivíduos que clonam nos cartões falsos.
Estes cartões são então entregues a equipas no terreno, que se vão encarregar dos levantamentos propriamente ditos. Os piratas alteram entretanto o limite de levantamento dos cartões para "ilimitado" possibilitando inúmeras operações.
Milhões em poucas horas
Quando os limites de levantamento são eliminados "até mesmo poucas contas falsificadas podem causar tremendas perdas financeiras às instituições vítimas do assalto," afirma a acusação norte-americana.
O que marca esta rede de cibernautas criminosos, ainda sob investigação, é a escala das operações que realizou. Foram roubados 45 milhões de dólares num total de 27 países, através de dezenas de pessoas a agir de forma coordenada.
No primeiro assalto, em 21 de dezembro de 2012, em 4.500 operações ilegais em 20 países, foram roubados cinco milhões de dólares (3,8 milhões de euros) através de cinco contas do RakBank. Em Nova Iorque foram levantados 400.000 dólares em 750 operações multibanco em apenas três horas.
Dois meses depois, a 20 de fevereiro, foi a vez do Banco Mascate perder 40 milhões de dólares (30,5 milhões de euros) em apenas 10 horas, envolvendo 36.000 operações em 24 países, usando dados de 12 contas.
Só em Nova Iorque, um grupo de oito pessoas realizou 2.904 levantamentos a partir das três da tarde de 22 de fevereiro, num total de 2.400 milhões de dólares. Foi o segundo maior assalto na cidade norte-americana, só ultrapassado pelo roubo da Lufthansa em 1978.
O Japão registou o valor mais elevado do roubo, 10 milhões, provavelmente porque neste país cada caixa ATM possibilita levantamentos até 10.000 dólares.
De acordo com os procuradores nova-iorquinos, todo o movimento financeiro terá sido acompanhado à distância pelos verdadeiros líderes da rede criminosa, de forma a assegurar que não eram enganados.
Investigação em curso
Os bancos assaltados são ambos dos Emirados Árabes Unidos. As empresas gestoras dos cartões clonados não foram identificadas, sabendo-se que uma opera na Índia e a outra nos Estados Unidos e ambas gerem cartões pré-pagos Visa e MasterCard. São consideradas empresas especialmente vulneráveis do ponto de vista de segurança informática.
Os cartões pré-pagos possibilitam levantamentos sem mexer nos saldos dos seus possuidores, o que atrasa os alarmes. Os serviços secretos mundiais foram contudo avisados pela MasterCard logo em dezembro, poucas horas depois do sucedido, mas não conseguiram evitar o segundo roubo.
Serviços de informação em vários países estão a investigar os assaltos mas a acusação americana deixa perceber que há poucos detalhes sobre os piratas que conduziram a operação ou quem poderá ter sido o verdadeiro organizador do assalto.
Uma flash-mob criminosa
Os sete homens e o seu líder, que terá sido morto na República Dominicana a 27 de abril, são acusados de pertencer à célula nova-iorquina da organização criminosa e cujos verdadeiros líderes deverão estar fora dos Estados Unidos.
Foram apanhados através das câmaras de vídeovigilância. Imagens de um dos suspeitos mostram a sua mochila cada vez mais pesada.
A procuradora Lynch descreveu o grupo como "virtualmente uma flash-mob criminosa, indo de máquina para máquina, levantando todo o dinheiro possível antes das contas serem bloqueadas."O dinheiro roubado foi depositados em diversas contas, uma delas, de 150.000 dólares, aberta com depósito de notas de 20 dólares. As autoridades federais já se apossaram destas contas assim como de produtos comprados com o dinheiro roubado, incluindo relógios de luxo e carros de alta cilindrada.
Os sete homens detidos em Nova Iorque têm todos nacionalidade norte-americana, vivem em Yonkers, e têm idades entre os 35 e os 22 anos. São acusados de conspiração para cometer fraude e de lavagem de dinheiro.
O seu líder, Alberto Lajud-Peña, 23, originário da República Dominicana, terá sido morto a tiro, de acordo com relatórios da polícia dominicana, por dois homens encapuzados que entraram de rompante num bar onde ele se encontrava a jogar dominó. Um saco com 100.000 dólares em notas foi deixado intocado ao seu lado.