10 de outubro. Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte

10 de outubro. Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte

A Alta Representante da União Europeia e o Secretário-Geral do Conselho da Europa reafirmam "firmemente a sua oposição inequívoca à pena de morte ou à sua reintrodução, em todos os casos e circunstâncias"

Andrea Neves, RTP Antena 1, Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
Reuters

No dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte a Alta Representante da União Europeia e o Secretário-Geral do Conselho da Europa avançaram com uma declaração conjunta para marcar a luta contra uma prática ainda em prática em vários países.

“A pena de morte constitui um tratamento ou punição desumano ou degradante, representando a negação suprema da dignidade humana. Por ocasião do Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte, a União Europeia e o Conselho da Europa reafirmam firmemente a sua oposição inequívoca à pena de morte ou à sua reintrodução, em todos os casos e circunstâncias”. 

Kaja Kallas e Alain Berset saúdam “o crescente apoio mundial à abolição da pena de morte. Mais de dois terços de todos os países aboliram a pena de morte, seja na lei ou na prática. No ano passado, o número de países que realizaram execuções atingiu o nível mais baixo já registado”.

Apesar dessa tendência de abolição, a pena de morte ainda é aplicada em vários países. Os cinco países com o maior número de execuções em 2023 foram a China, o Irão, a Arábia Saudita, a Somália e os Estados Unidos da América.
 
De acordo com os dados disponíveis o Irão, sozinho, foi responsável por 74 por cnto de todas as execuções registadas. O uso da hipóxia por nitrogênio — um método de execução controverso — nos Estados Unidos da América é motivo de grande preocupação.
 
A Bielorrússia é o único país do continente europeu que ainda aplica a pena de morte.

A Chefe da Diplomacia Europeia e o Secretário-geral do Conselho da Europa apelam “aos poucos Estados que ainda executam sentenças de morte para que instituam uma moratória como primeiro passo rumo à abolição total”.

“Os defensores da pena de morte frequentemente baseiam seus argumentos na noção de que ela inibe a criminalidade. No entanto, as evidências mostram claramente que a pena de morte tem pouco ou nenhum efeito na dissuasão ou redução do crime. A pena de morte não torna as sociedades mais seguras. Além disso, a pena capital torna irreversíveis os erros judiciários” reforçam Kaja Kallas e Alain Berset.  

“O Conselho da Europa e a UE estão empenhados em reforçar a sua cooperação para combater narrativas que promovem a reintrodução da pena de morte, inclusive na Europa,
e para fomentar um debate aberto e democrático visando à sua abolição total em todas as partes do mundo. Estamos determinados a apoiar todos os esforços para aumentar a transparência em torno do uso da pena de morte e para fortalecer o nosso engajamento com os jovens e a sociedade civil. A pena de morte é uma relíquia do passado que não deveria ter lugar no século XXI. Ela precisa ser abolida agora”.

Recorde-se que há pouco mais de uma semana este foi um dos temas destacados no discurso que o Presidente da República proferiu na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.  

“A Europa do Conselho da Europa é um espaço livre de pena capital. A abolição da pena de morte representa uma conquista civilizacional e um compromisso inegociável com a dignidade humana. Portugal, pioneiro na sua abolição, continuará a trabalhar pela sua erradicação em todo o mundo” referiu António José Seguro.

Morte em direto

O dia de hoje e esta declaração ganha maior importância quando se sabe que os Estados Unidos podem vir a transmitir em direto a execução, por pelotão de fuzilamento, do atirador de Fort Hood Nidal Malik Hasan.

A informação foi avançada pelo pentágono e está prevista para o dia 3 de dezembro. Será a primeira execução militar por pelotão de fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial, depois de o secretário da Defesa, Pete Hegseth, a ter descrito como “pública”.

“Vamos garantir que as pessoas conseguem vê la, que é pública”, referiu o secretário da Defesa dos EUA, “as pessoas precisam de perceber que há consequências graves para este tipo de atos”.

Esta execução será a primeira execução a ser feita pelas forças armadas norte americanas em mais de 65 anos

A ONU já reagiu e define esta decisão como “tortura”. “Transmitir em direto uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura”, afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. 

Nidal Hassan matou 13 pessoas num ataque a tiro na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. O antigo psiquiatra do Exército, foi condenado à pena de morte por um júri militar em 2013 por 45 crimes de homicídio premeditado e tentativa de homicídio premeditado, ao usar uma pistola equipada com mira laser numa unidade médica de uma base militar situada no Texas.

O tema tem ainda tido maior destaque depois da injeção letal falhada de Christa Pike, no Tennessee, o que levantou várias questões mesmo nos Estados Unidos. A reclusa, condenada à morte, que sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal, e, de acordo com os advogados, está consciente e a falar algemada à cama do hospital.

Recorde-se que Christa Pike, de 50 anos, recebeu duas doses do fármaco pentobarbital numa prisão no Tennessee, no dia 30 de setembro, mas sobreviveu.



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