Economia
União Europeia
Comissão quer reforçar posição da Europa como principal destino turístico mundial, melhorar serviços e destacar diversidade
Bruxelas quer promover o turismo sustentável em mais regiões da Europa. O objetivo é reconhecer o valor que cria para as comunidades e evitar as pressões turísticas em certas áreas.
A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira uma nova Estratégia Europeia para o Turismo Sustentável, com o objetivo de aumentar a competitividade, a sustentabilidade e a resiliência do setor.
A estratégia pretende ajudar as empresas a crescer e os trabalhadores a desenvolver competências; apoiar os destinos no desenvolvimento de uma oferta turística equilibrada; melhorar as experiências dos viajantes e manter a Europa como o principal destino turístico mundial.
A estratégia pretende ajudar as empresas a crescer e os trabalhadores a desenvolver competências; apoiar os destinos no desenvolvimento de uma oferta turística equilibrada; melhorar as experiências dos viajantes e manter a Europa como o principal destino turístico mundial.
- O turismo é uma parte fundamental da economia europeia. Contribui com 10% do Valor Acrescentado Bruto da UE, sustenta mais de 20 milhões de empregos e inclui 5 milhões de empresas, das quais 99% são pequenas e médias empresas (PME). Embora o turismo apoie as economias locais em toda a UE, também cultiva a cultura e molda a influência global da Europa. A Europa representa cerca de 40% das chegadas de turistas internacionais em todo o mundo, sendo o principal destino mundial.
“Ao mesmo tempo, no atual contexto global, o setor do turismo enfrenta vários desafios, incluindo a incerteza geopolítica, a escassez competências e talentos, os impactos das alterações climáticas e a mudança das expectativas dos viajantes. O setor turístico europeu já demonstrou resiliência e o apetite dos europeus por viagens continua forte, com 76% a planear uma viagem nos próximos seis meses”, refere a Comissão Europeia em Comunicado
Para implementar a estratégia, uma nova Aliança Europeia para o Turismo vai reunir as autoridades nacionais, regionais e locais, empresas do sector turístico e outras partes interessadas.
“É uma mudança de abordagem, passando do reconhecimento da importância do turismo para uma estratégia europeia concreta. A Europa é o principal destino turístico mundial. O turismo é um dos nossos setores mais competitivos, uma importante fonte de emprego e um motor de crescimento. Mas também enfrenta desafios importantes: escassez de mão-de-obra, pressão crescente sobre determinados destinos e instabilidade económica e geopolítica” referiu o Vice-Presidente Executivo Raffaele Fitto aos jornalistas em Bruxelas.
A diversidade da Europa como destino
“A força da Europa reside na sua diversidade” reforçou o Raffael Fitto. “As nossas cidades, zonas rurais, ilhas, regiões costeiras e montanhosas, património cultural e tradições locais tornam a Europa única. E estas diferenças são também uma importante fonte de força económica. O nosso objetivo é ajudar os territórios a transformar este potencial em crescimento sustentável, melhores empregos, empresas mais fortes e serviços de maior qualidade”.
“O turismo pode ajudar a tornar o direito de permanência uma realidade, dando às pessoas a oportunidade de viver, trabalhar e construir o seu futuro nas suas próprias comunidades. O nosso objetivo não é simplesmente atrair mais turistas para os mesmos destinos. É criar mais valor e distribuir os benefícios do turismo de forma mais abrangente” reforçou Raffael Fitto.
Para Bruxelas isto significa apoiar destinos menos conhecidos, incentivar o turismo durante todo o ano e ajudar as comunidades locais a gerir o turismo de forma equilibrada, respeitando a diversidade dos territórios.
“E, ao mesmo tempo, devemos incentivar os visitantes a descobrir mais da Europa, em mais locais e ao longo do ano. Proponho um Prémio Capitais Europeias do Turismo para reconhecer destinos que promovem um turismo sustentável, equilibrado e inovador, juntamente com ações para atrair visitantes a locais menos conhecidos e melhorar a experiência do visitante”, anunciou o Comissário.
Criar valor para as comunidades
Bruxelas quer reforçar a ligação entre o turismo, a competitividade e a coesão.
“A nossa ambição não é simplesmente trazer mais visitantes à Europa. É garantir que o turismo cria mais valor, mais emprego e mais prosperidade para as comunidades que tornam a Europa única” reforçou o Vice-Presidente da Comissão Europeia em conferência de imprensa esta manhã.
A Comissão quer “um turismo sustentável, equilibrado e acessível, garantindo, por outras palavras, que os benefícios do turismo chegam a todas as regiões em todas as estações do ano, e não apenas a alguns destinos turísticos, apenas durante o verão. Isto inclui tornar as viagens acessíveis e inclusivas para todos”.
Por isso Bruxelas quer valorizar o valor em vez do volume, medindo o sucesso não apenas pelo número de visitantes, mas pelo valor que o turismo cria para as comunidades locais.
O Comissário para o turismo recordou que “muitos destinos turísticos populares enfrentam dificuldades em gerir o fluxo de visitantes, principalmente no verão. Apenas 13% das regiões europeias representam 50% de todas as dormidas na Europa. Por isso, precisamos de ir além da procura de números de visitantes e focarmo-nos no valor duradouro, protegendo a qualidade de vida dos cidadãos e residentes e apoiando as comunidades e empresas locais”.
Melhorar os serviços
Bruxelas defende que é essencial melhorar a mobilidade, a conectividade e as infraestruturas, “porque os transportes e o turismo são, como sabem, indissociáveis” referiu o comissário com a Pasta do Turismo
Apostolos Tzitzikostas salientou que “A escassez de competências e de mão-de-obra está entre os maiores desafios que o turismo enfrenta atualmente. Muitas PME lutam diariamente para encontrar pessoal qualificado. Por isso, vamos criar uma Academia de Turismo da UE para proporcionar formação essencial, ajudar as empresas e os destinos a desenvolver as competências certas, atrair talentos para as profissões do turismo e melhorar as condições de trabalho no setor”.
A estratégia europeia quer promover viagens multimodais integradas por toda a Europa, particularmente para ilhas, zonas remotas e costeiras.
A Comissão vai começar a trabalhar numa estratégia de aviação renovada, a apresentar no próximo ano, na possibilidade de alugar automóveis de forma mais acessível entre vários países e na exploração da interoperabilidade a nível da UE dos sistemas locais de bilhética de transportes.
Apoios e fundos para o turismo sustentável
“É aqui que a política de coesão desempenha um papel fundamental. A política de coesão já apoia o turismo através do investimento em infraestruturas, empresas locais, património cultural, inovação e competências. O turismo contribui diretamente para a coesão económica, social e territorial” assegura o vice-presidente do Executivo europeu.
Para apoiar as PME deste sector, Bruxelas vai criar um Observatório Europeu do Turismo e implementará o Espaço Europeu Comum de Dados Turísticos. Estas medidas vão ajudar as empresas, os destinos turísticos e os decisores políticos a utilizar os dados, a inteligência artificial e as novas tecnologias de forma mais eficaz e a tomar decisões mais bem informadas.
“No âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual da UE, o turismo beneficia de 15 programas de financiamento diferentes, incluindo a Política de Coesão, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o Horizonte Europa e o Programa do Mercado Único. Até ao final deste período de programação, prevê-se que o setor tenha recebido cerca de 18 mil milhões de euros de apoio da UE”.
“Olhando para o futuro, os planos de parceria nacionais e regionais propostos no âmbito do próximo Orçamento irão, de facto, orientar os investimentos e as reformas estratégicas, incluindo no sector do turismo. A Comissão Europeia ajudará os Estados-Membros e as regiões a conceber estas medidas e a partilhar as melhores práticas em matéria de projetos e instrumentos financeiros, de forma a maximizar o seu impacto, especialmente nas nossas PME”m, reforçou Apostolos Tzitzikostas.
Tendo em conta as mudanças geopolíticas e climáticas, a Comissão quer um turismo resiliente e preparar o sector para futuras crises.
“O desenvolvimento geopolítico, as alterações climáticas e as catástrofes naturais também afetam diretamente o turismo. A Europa precisa de estar mais bem preparada, com uma coordenação mais estreita entre as autoridades públicas e o sector, como vimos durante as guerras recentes, mas também em crises anteriores, como a pandemia. Por isso, estamos a criar uma Rede de Coordenação de Crises da UE para integrar o turismo na nossa preparação e resposta a crises”, garantiu o Comissário Europeu.