Mundo
União Europeia
Condições meteorológicas extremas consideradas como a principal ameaça à segurança alimentar da Europa
Uma nova pesquisa do Eurobarómetro mostra um amplo apoio público à agricultura europeia, aos agricultores e às áreas rurais.
Segundo a mais recente pesquisa do Eurobarómetro, 95% dos europeus consideram que a agricultura e as áreas rurais são importantes para o futuro da Europa.
Uma percentagem ainda mais elevada em Portugal onde 99 por cento dos inquiridos pensam desta forma (62 por cento consideram que é muito importante e 37 por cento admitem que é importante).
A responsabilidade dos agricultores
A responsabilidade dos agricultores
52 por cento dos europeus consideram que os agricultores devem fornecer alimentos de boa qualidade, sustentáveis, saudáveis e seguros. Em Portugal são 58 por cento os que consideram esta como uma das principais responsabilidades dos produtores.
Podendo escolher duas prioridades, os portugueses optaram em segundo lugar pela responsabilidade de garantir sempre um fornecimento estável de produtos alimentares na União Europeia (38 em Portugal, 30 na EU).
E se para a média da União Europeia a terceira responsabilidade mais referida é a de assegurar o bem-estar dos animais de criação (27 por cento) essa é uma prioridade que para os portugueses só aparece referida por 19 por cento dos inquiridos.
Os portugueses consideram ainda essencial que os agricultores forneçam produtos diversificados e de qualidade, criem crescimento e emprego em áreas rurais, combatam as alterações climáticas e melhorem a vida no campo. Nessas prioridades Portugal não difere muito da média europeia.
Apoio adequado aos agricultores
O Eurobarómetro perguntou aos europeus se consideram que o apoio da União Europeia aos agricultores é baixo ou elevado (informado que “a EU concede apoio financeiros aos agricultores, entre outros apoios, para os ajudar a estabilizar os seus rendimentos. Esta ajuda representa cerca de 30 por cento do orçamento total da EU. Considera que este apoio é muito baixo, adequado ou elevado?).
A resposta mais escolhida foi a de que é um apoio adequado (55 por cento na média da EU e 52 por cento em Portugal o que representa uma subida de 11 por cento dos que assim pensam no país).
29 por cento consideram que é muito baixo (média europeia) e 31 por cento em Portugal (o que significa uma descida de 14 por cento).
Apenas 8 por cento dos europeus (2 por cento em Portugal) consideram que é muito elevado
Segurança alimentar e eventos climáticos extremos
A maioria dos entrevistados acredita que a segurança alimentar aumentou ou permaneceu estável nos últimos dez anos na Europa (80 por cento concordam no que se refere à média europeia, 82 por cento em Portugal). Mesmo assim o número dos que concordam está a diminuir em Portugal enquanto está a subir o número de portugueses que consideram que a segurança alimentar diminuiu nos últimos dez anos na EU.
Quando questionados sobre quais os principais riscos para a segurança alimentar e o abastecimento de alimentos os portugueses referem sobretudo as condições meteorológicas extremas como secas graves, cheias e incêndios e as alterações climáticas.
Aliás, 93 por cento dos portugueses consideram que condições metereológicas extremas como cheias e secas cada vez mais graves podem ter impacto no abastecimento e na segurança aleimentar na União Europeia. A média europeia é de 92 por cento.
Podendo selecionar três potenciais riscos os portugueses referiram de seguida a escassez ou degradação de recursos naturais como água, solo e reservas de peixe), eventos de saúde animal ou vegetal e a dependência cada vez maior das importações.
Os eventos geopolíticos, como as guerras comerciais, só são referidos por 17 por centos dos portugueses (em contraste com a média europeia que considera esta situação como o terceiro risco à segurança alimentar da Europa numa percentagem de 32 por cento).
O Eurobarómetro quis ainda saber, por exemplo, se os europeus estão dispostos a pagar mais dez por cento pelos produtos agrícolas se forem produzidos de uma forma que limite a sua pegada de carbono. 57 por cento, na média europeia assumem que sim (19 completamente de acordo e 39 de acordo) mas em Portugal essa percentagem desce para 37 por cento (8 completamente de acordo e 29 de acordo). Em desacordo estão 58 por cento dos portugueses o que contrasta com 40 por cento da média europeia.
Fatores decisivos na compra de produtos
Quanto aos hábitos de consumo, a qualidade e a origem dos alimentos são os fatores mais importantes para os europeus.
Pela primeira vez, perguntou-se também aos entrevistados qual a importância que atribuem à origem na UE ao comprar produtos alimentícios. Quase oito em cada dez europeus consideram que esse é um fator importante ou muito importante. Esta prioridade foi também referida com importante ou muito importante por 85 por sendo dos portugueses.
Quase nove em cada dez apontam que o facto de os produtos fazerem parte de uma cadeia de abastecimento curta e de a produção estar alinhada a padrões mais elevados de meio ambiente e bem-estar animal como fatores igualmente determinantes nas decisões de compra.
Os selos de qualidade também são tidos em conta, mais em Portugal que na média da União Europeia.
Os portugueses valorizam mais que se respeite a tradição e os conhecimentos locais do que a média geral dos 27 e menos que resultem de uma cadeira de produção curta com poucos intermediários.
De modo geral, a qualidade e a origem são fatores-chave para os cidadãos na compra de alimentos.
A qualidade vida nas áreas rurais
Este inquérito quis ainda saber o os europeus consideram que mais falta nas zonas rurais ou que consideram que está bem.
Para os portugueses (71 por cento) o que está pior são as oportunidades de emprego: 35 dizem que a situação é má e 36 por cento referem mesmo que é muito má. A média europeia é de 56 por cento.
Seguem-se as condições de saúde: 62 por cento dos portugueses dizem que são más ou muito más (a média europeia é de 51 por cento); e as condições de transporte: 60 por cento dos portugueses dizem que são más ou muito más.
52 por cento consideram os serviços de cuidados infantis são maus ou muito maus e 48 pensam o mesmo sobre as estruturas de ensino.
O acesso a atividades de cultura é considerado muito bom ou bom por 41 por cento dos portugueses e mau ou muito mau por 42.
As opiniões dividem-se no que se refere ao acesso às ligações de internet de alta velocidade: 3 por cento consideram que são muito boas e 38 por cento que são boas (41 por cento no total dos portugueses inquiridos, abaixo da média europeia de 58 por cento) enquanto 42 por cento consideram que são más ou muito más.
Os portugueses consideram que a situação do meio ambiente e da paisagem é positiva: 91 por cento pensam que existem aqui uma situação muito boa (24 por cento) ou boa (57 por cento) em linha com a média europeia.
Política agrícola da UE está a apresentar resultados
O crescente reconhecimento da importância estratégica da agricultura caminha lado a lado com um amplo apoio à PAC, pode ler-se nas conclusões deste Eurobarómetro.
70 por cento dos europeus acreditam que a Política Agrícola Comum beneficia todos os europeus, uma percentagem ligeiramente inferior em Portugal (67 por cento).
Mais de dois em cada três entrevistados (com uma percentagem ligeiramente maior em Portugal) concordam que a PAC está a cumprir o objetivo de proteção do meio ambiente e de combate às mudanças climáticas.
O futuro da agricultura na Europa
O fornecimento de alimentos seguros, saudáveis, sustentáveis e de alta qualidade é considerado o principal objetivo da política de agricultura e desenvolvimento rural da UE.
Mais da metade dos europeus aponta a garantia de preços razoáveis para os consumidores (55%) e a garantia de um padrão de vida justo para os agricultores (53%) como prioridades fundamentais para o futuro.
Outras prioridades incluem assegurar um abastecimento alimentar estável na UE (50%), proteger o meio ambiente e combater as alterações climáticas (47%), garantir formas sustentáveis de produção de alimentos (46%) e gerar crescimento e empregos nas zonas rurais (45%).
Recorde-se que a proposta da Comissão Europeia para a próxima Política Agrícola Comum propõe um montante mínimo para o apoio à renda dos agricultores, o qual será reservado especificamente no âmbito do Fundo Nacional e Regional de Parceria, garantindo assim que os agricultores continuem a ter previsibilidade e estabilidade no apoio recebido ao abrigo da PAC, financiado pelo orçamento da União Europeia.
“É encorajador ver um apoio público tão forte à agricultura europeia e aos nossos agricultores. Estes resultados mostram que estamos alinhados com os nossos cidadãos nas prioridades que mais importam: garantir alimentos seguros e de alta qualidade, apoiar os agricultores e fortalecer as zonas rurais, protegendo simultaneamente o nosso meio ambiente. A Política Agrícola Comum é fundamental para concretizar estas prioridades e apoiar os agricultores a corresponder às expectativas dos cidadãos europeus” salientou Christophe Hansen, Comissário da Agricultura e Alimentação.
Este inquérito decorreu entre 26 de maio e 24 de junho de 2026 num total de 26456 entrevistas ao nível dos 27 países da União Europeia.
Em Portugal realizaram-se 1060 entrevistas entre 26 de Maio e 15 de junho de 2026.