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"Verão passado pode ter sido o mais quente já registado mas muito provavelmente será o mais ameno dos próximos anos". Europa prepara-se para as alterações climáticas

"Verão passado pode ter sido o mais quente já registado mas muito provavelmente será o mais ameno dos próximos anos". Europa prepara-se para as alterações climáticas

A Comissão Europeia apresentou esta terça-feira um plano da UE para a Resiliência Climática, com o objetivo de reforçar a capacidade da Europa de antecipar, preparar-se e gerir os riscos climáticos.

Andrea Neves - RTP Antena 1, Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Pedro Mendonça - RTP

De acordo com os dados revelados por Bruxelas, “neste verão, ondas de calor e secas prolongadas alimentaram incêndios florestais perigosos e levaram alguns dos maiores rios da Europa a níveis de água historicamente baixos. Da mesma forma, assistimos a cheias devastadoras nos últimos anos. Isto evidenciou as graves consequências que as alterações climáticas podem ter para os cidadãos, as empresas e as infraestruturas”.

“Quero começar com uma afirmação contundente que precisamos ter sempre em mente: as mudanças climáticas não são uma farsa. (1:40) As mudanças climáticas não são apenas reais, mas “também são uma causa poderosa de mortes. Basta pensar nas entre 30 mil e 50 mil mortes prematuras que ocorreram neste verão na Europa”, reforçou a vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, na conferência de imprensa desta manhã em Bruxelas.
Andrea Neves - correspondente da RTP Antena 1 em Bruxelas | Mapa: Copernicus

As evidências científicas atuais, apresentadas por Bruxelas, demonstram que o mundo está a caminho de aquecer 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais até 2030, 2 °C até 2050 e 3 °C até 2100.


“O verão passado pode ter sido um dos mais quentes, ou talvez o mais quente já registado, mas, muito provavelmente, será o mais ameno dos próximos anos. E, independentemente do que façamos, a tendência é que a situação piore referiu o Comissário para o Clima, Wopke Hoekstra.

“Portanto, a maior parte dos nossos esforços está voltada para atingir a meta de 1,5 grau. No entanto, a ciência indica que, possivelmente, caminhamos para um aquecimento global de três graus até o final deste século. Por isso, precisamos levar isso em consideração ao planear as nossas cidades, ao construir infraestruturas, ao erguer pontes, e ao gerir as nossas terras, a nossa água e, claro, os nossos recursos”.
 
  • “75% dos europeus vivem em cidades e áreas urbanas. Sentem em primeira mão os impactos das alterações climáticas. Construir resiliência climática é, portanto, um investimento estratégico na competitividade, segurança, saúde e prosperidade da Europa. Os argumentos económicos para a ação são convincentes. As perdas económicas estimadas devido aos danos climáticos entre 2022 e 2025 ascendem a cerca de 200 mil milhões de euros, ou 50 mil milhões de euros por ano” refere a Comissão Europeia em comunicado.

A Lei de Resiliência Climática – agora proposta – visa criar mais eficiência e reduzirá os encargos administrativos dos Estados-Membros. As obrigações e instrumentos de planeamento nacional são simplificados pela introdução de um único plano estratégico nacional.

  • “Cito uma pesquisa do Banco Central Europeu, que constatou que a produção local fica, em média, 1,5 ponto percentual mais baixa dois anos após uma onda de calor no verão, três pontos percentuais mais baixa quatro anos após uma seca, e 2,8 pontos percentuais mais baixa quatro anos após uma inundação” referiu a vice-presidente.


Preparação para a resiliência climática

“Alguns podem dizer que a resiliência é cara. Mas a pergunta correta é: qual é o custo real de não estar preparado? Espera-se que o calor e a seca deste verão custem cerca de 180 mil milhões de euros, 1% de toda a nossa economia. Na vida real, isso significa agricultores a ver as suas colheitas fracassarem, centrais de energia a ser desligadas, não por falta de combustível, mas por falta de água, e trabalhadores a desmaiar ou até morrer devido ao calor extremo caso trabalhem ao ar livre durante as horas mais quentes do dia”, referiu Teresa Ribera.

A proposta de Bruxelas

De acordo com o comissário para o Clima, “a nova estrutura exigirá uma definição clara sobre quem é responsável pela gestão dos riscos climáticos”.

“todos nós concordaríamos que ninguém gostaria de ver os políticos a discutir sobre quem deveria ter assumido a responsabilidade, por exemplo, no caso de uma inundação. A nossa proposta quer que os governos sejam claros e transparentes quanto a quem é responsável pela gestão dos riscos climáticos em áreas políticas fundamentais. Não vamos determinar exatamente quem deve realizar essa tarefa, mas exigimos que essa identificação seja feita.
 
Bruxelas quer ainda criar uma aliança europeia de seguros climaticos
 
“Estamos a criar uma aliança de seguros climáticos para garantir que façamos mais para reduzir a grande lacuna de seguros e aumentar a adesão, incentivar a prevenção de riscos e assegurar que haja capacidade suficiente para cobrir esses riscos”, referiu Wopke Hoekstra.

  • “O número é impressionante: devo admitir que apenas um quarto das perdas causadas por catástrofes são cobertas por seguros privados atualmente. Isso significa que, com muita frequência, os orçamentos nacionais acabam por ser a seguradora de última instância”, Comissário Europeu para o Clima

E é importante, para a Comissão, avançar com um plano europeu para as ondas de calor para ajudar cidades, regiões e pessoas a lidar, a curto prazo, com mais um verão escaldante, marcado por temperaturas ainda mais elevadas”.

Wopke Hoekstra deixou um apelo aos governos e aos autarcas: “É muito melhor realizar o investimento inicial do que ter de lidar, mais tarde, com o sofrimento e os horrores as ondas de calor e das inundações. Portanto, invistam o dinheiro agora, economizem mais para o futuro e protejam nossos cidadãos”.

A estratégia europeia para a água

“Permitam-me dizer algumas palavras sobre a resiliência hídrica, pois a água é fundamental em toda a Europa, e precisamos investir em resiliência. A Estratégia de Resiliência Hídrica da UE fornece uma estrutura para a ação, mas este verão mostrou que precisamos acelerar sua implementação” reforçou a vice-presidente da Comissão Europeia.
 
Por isso Bruxelas vai apresentar a Iniciativa Europeia para a Água no próximo ano.

Ferramentas digitais para ajudar na tomada de decisão

A Comissão quer ainda que seja mais fácil monitoirzar as alterações climáticas.

A plataforma europeia em linha para a resiliência climática incluirá as seguintes novas ferramentas: 

- o European Climate Viewer, desenvolvido pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, que fornecerá um mapa interactivo dos perigos climáticos projetados em todo o continente; 

- a iniciativa Destination Earth da Comissão, evoluirá para integrar capacidades de supercomputação;

-o Navigator of Climate Resilience Tools, desenvolvido pela Agência Europeia do Ambiente que ajuda os utilizadores a encontrar ferramentas relevantes de resiliência climática com base na sua localização, setor e riscos específicos que enfrentam;

- o Explorador de Soluções apresenta soluções práticas de adaptação desenvolvidas e testadas através da Missão da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas.
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