Unicer comemora 40º aniversário da fábrica de Leça do Balio

| Economia

A Unicer, Bebidas de Portugal SGPS SA comemora terça-feira o 40/o aniversário da inauguração da unidade fabril de Leça do Balio, que marcou decisivamente o desenvolvimento económico do grupo, anunciou hoje a empresa.

Quarenta anos depois da inauguração, em 1964, da unidade de Leça do Balio a facturação da Unicer passou de cerca de 6.500 escudos (32,5 euros) para os actuais 24,9 milhões de euros.

Esta unidade foi inicialmente planeada para produzir 50 milhões de litros de cerveja por ano, volume alcançado em 1973.

Partindo de uma produção de cerca de nove milhões de litros de cerveja na antiga fábrica em Júlio Dinis - onde actualmente se situa o jardim do complexo Mota Galiza - em 1970, a fábrica de Leça do Balio já assegurava uma produção de 25 milhões de litros.

Passados 30 anos, esta unidade fabril alcançava, em 2003, uma produção de 230 milhões de litros de cerveja, 391 milhões de litros se considerada a produção global do grupo Unicer nos centros de Leça do Balio, Santarém e Loulé.

A Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes foi criada no Porto em 1890 - uma sociedade anónima que ficou conhecida pela sigla CUFP - fruto da fusão de sete fábricas de cerveja, seis no Porto e uma em Ponte da Barca.

Esta última vendida em 1902, como forma de obtenção de fundos para a aquisição de um terreno na Rua da Piedade, onde viria a situar- se, por muitos anos, a sede e os escritórios centrais da empresa que até aí se localizavam na Rua do Mello.

"Nesses primeiros dias de vida daquela que é hoje a Unicer, um dia de trabalho equivalia a fabricar 3,5 litros de cerveja e as vendas anuais correspondiam a pouco mais de nove contos de réis [45 euros]", recorda-se numa nota da empresa.

A década de 1910-1919 ficou marcada por dificuldades no abastecimento de matérias-primas, chegando inclusivamente a recorrer- se à importação de malte espanhol para salvar a produção de cerveja.

Mesmo assim, e num ano marcado pelo mal estar social em Portugal e pelo início da lei seca na América, em 1920 as vendas de cerveja duplicaram - seis anos após a inauguração da fábrica do Leão.

Em 1927 é solicitado o registo da marca Super Bock que é emitido a 09 de Novembro.

A década de 30 - que se iniciou sob os efeitos da depressão económica internacional - ficou marcada pela introdução de novas marcas no mercado nacional e pela participação da CUFP na famosa Exposição Industrial Portuguesa.

Algumas das marcas produzidas pela CUFP nas décadas de 40 e 50 eram, para além da cerveja Super Bock e Cristal, as cervejas Além-Mar, Vitória e Nevália e as laranjadas Favorita e Invicta.

Em 1950 a empresa detinha também uma importante participação na Cuca - Companhia União de Cervejas de Angola - sendo este mercado considerado estratégico já nessa altura.

A década de 60 ficou marcada pela mudança das instalações para a nova unidade fabril na Via Norte, em Leça do Balio, um projecto que ficou a cargo do engenheiro João Talone (na altura administrador delegado da CUFP).

No ano de inauguração da nova fábrica - que implicou um investimento total que ascendeu os 190 mil contos (38 mil euros) - a fachada do edifício era de 400 metros, com 110.000 metros quadrados de área total, sendo 30.000 destinados à parte industrial.

As vendas de cerveja, nesse ano, cresceram cerca de 32 por cento em relação a 1963, e os refrigerantes tiveram um crescimento na ordem dos 27 por cento.

O início da década de 70 foi marcado pelo 80/o aniversário da empresa, celebrado com uma visita dos accionistas à fábrica, e pelo lançamento de dois novos produtos - um ginger ale e uma água tónica.

A quota de mercado atingia, nessa data 23,8 por cento, estando sobretudo, centrada nos mercados da região norte do país, onde detinham 91 por cento do mercado.

Três anos após a revolução de 25 de Abril, dá-se a transformação da CUFP em Unicer, União Cervejeira EP, cuja criação resultou da fusão da CUFP com a COPEJA (Santarém) e a IMPERIAL (Loulé), ficando sedeada nas instalações da ex-CUFP em Leça da Palmeira.

Liderada por Soares da Fonseca, a Unicer lutou até meados dos anos 90 contra a estagnação do mercado da cerveja e quebras sistemáticas no consumo privado, em grande parte originadas pelo forte agravamento da carga fiscal, com o IVA a saltar de oito para 16 por cento, assim como pelo aumento do imposto especial sobre as bebidas alcoólicas.

Depois de 1995, o mercado das cervejas voltou a crescer, tendo a Unicer reforçado a sua liderança no sector.

Nos refrigerantes lançou a Frutis, relançou a gama Rical e entrou com o FruTea (em parceria com a Compal), nos vinhos lançou o Vini (em parceria com a Univin) e, nas águas, apostou na Vitalis.

Em 2000, Soares da Fonseca passou o testemunho a Manuel Ferreira de Oliveira, actual presidente do Conselho de Administração da Unicer.

Dois anos depois, a empresa adquire o Grupo Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas (VMPS) e ainda a totalidade do capital da Caféeira, a mais antiga marca de café em Portugal.

O grupo que, em 2001, passa a designar-se Unicer, Bebidas de Portugal SA deixa assim de ser uma empresa essencialmente cervejeira para se afirmar como uma empresa de bebidas, operando também no mercado das águas, sumos, refrigerantes, vinhos e cafés.

A informação mais vista

+ Em Foco

Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      O ex-ministro da Defesa israelita Avigdor Lieberman acumulou diatribes ao longo da carreira política.

        A destruição causada pelas chamas no Estado norte-americano da Califórnia retratada numa galeria de fotografias.