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Apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2027

Volkswagen contabiliza 11 milhões de carros com sistema para falsificar testes ambientais

Volkswagen contabiliza 11 milhões de carros com sistema para falsificar testes ambientais

É o escândalo do momento. O grupo alemão Volkswagen reconheceu ter manipulado os dados de emissão de gases poluentes dos seus automóveis nos Estados Unidos. Um dia depois, a queda das ações do grupo mantém-se e, um pouco por todo o mundo, pedem-se responsabilidades, exigem-se explicações e prepara-se um controlo mais apertado. Mais do que uma marca, são os próprios testes que podem estar em causa.

Christopher Marques - RTP / Adicionar como fonte informativa
Shannon Stapleton - Reuters

Um pouco por todo o globo, vão se multiplicando as reações. A Coreia do Sul já convocou os representantes do grupo automóvel e Paris já defendeu ser necessário abrir um inquérito a nível europeu, pretensão apoiada pelos grupos automóveis gauleses.

O ministro do Estado da Baixa Saxónia, entidade que detém 20 por cento do grupo Volkswagen, já assegurou que os responsáveis serão despedidos.

A Comissão Europeia já anunciou que também irá investigar a situação. A organização não-governamental International Council on Clean Transportation, citado por Le Monde, admite que também no continente europeu o grupo alemão tenha recorrido a este mecanismo.

Reportagem de Paulo Solipa e Carlos Felgueiras - RTP

A organização ambiental Deutsche Umwelthilfe vai ainda mais longe e admite, ao diário francês, que a possibilidade de falsificar estes dados na Europa é ainda maior, uma vez que “os construtores sabem que não há testes posteriores”.
Como funciona

Nos Estados Unidos, o construtor usava um software que era instalado no veículo. O aparelho conseguia perceber quando é que o automóvel estava a ser alvo de testes antipoluição de forma a falsificar os resultados.

As autoridades norte-americanas referem que mais de 500 mil automóveis, sob as marcas Audi e Volkswagen, vêm com este software. Os Estados Unidos vão investigar outras marcas para perceber se estas também usam mecanismos semelhantes.



O construtor já admitiu, depois de realizado um inquérito interno, que este mecanismo foi instalado em 11 milhões de automóveis em todo o mundo, tendo sido incluído em todos os carros com motor a gasóleo do tipo EA189.

Conhecido o problema, a Volkswagen fez também saber que irá colocar no orçamento do terceiro trimestre uma almofada de 6,5 mil milhões de euros para cobrir eventuais custos relacionados com o escândalo. A mera divulgação deste número fez as ações da empresa cair, momentaneamente, mais de 20 por cento.

Consequências para Portugal
O escândalo afeta, por enquanto, o grupo automóvel Volkswagen, primeiro construtor automóvel europeu e que opera sob marcas como a própria Volkswagen, mas também a Audi, a Porsche e a Skoda. Uma marca com forte presença em Portugal, através da Autoeuropa de Palmela.

Para além de colocar em causa a credibilidade de uma das maiores construtoras de automóveis a nível mundial, as quebras assinaláveis em bolsa vão prejudicar a produção e vendas da Volkswagen.

 Posto isto, comentador da Antena 1 para Assuntos Económicos, Nicolau Santos, acredita que este escândalo vai afetar a Autoeuropa.


A Autoeuropa é responsável por 3600 postos de trabalho diretos, aos quais se somam muitos outros em empresas fornecedoras e que operam na área de Palmela.

A produção desta fábrica representa quase um por cento Produto Interno Bruto português e mais de três por cento das exportações portuguesas.
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