Volkswagen contabiliza 11 milhões de carros com sistema para falsificar testes ambientais

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É o escândalo do momento. O grupo alemão Volkswagen reconheceu ter manipulado os dados de emissão de gases poluentes dos seus automóveis nos Estados Unidos. Um dia depois, a queda das ações do grupo mantém-se e, um pouco por todo o mundo, pedem-se responsabilidades, exigem-se explicações e prepara-se um controlo mais apertado. Mais do que uma marca, são os próprios testes que podem estar em causa.

Um pouco por todo o globo, vão se multiplicando as reações. A Coreia do Sul já convocou os representantes do grupo automóvel e Paris já defendeu ser necessário abrir um inquérito a nível europeu, pretensão apoiada pelos grupos automóveis gauleses.

O ministro do Estado da Baixa Saxónia, entidade que detém 20 por cento do grupo Volkswagen, já assegurou que os responsáveis serão despedidos.

A Comissão Europeia já anunciou que também irá investigar a situação. A organização não-governamental International Council on Clean Transportation, citado por Le Monde, admite que também no continente europeu o grupo alemão tenha recorrido a este mecanismo.


Reportagem de Paulo Solipa e Carlos Felgueiras - RTP

A organização ambiental Deutsche Umwelthilfe vai ainda mais longe e admite, ao diário francês, que a possibilidade de falsificar estes dados na Europa é ainda maior, uma vez que “os construtores sabem que não há testes posteriores”.
Como funciona

Nos Estados Unidos, o construtor usava um software que era instalado no veículo. O aparelho conseguia perceber quando é que o automóvel estava a ser alvo de testes antipoluição de forma a falsificar os resultados.

As autoridades norte-americanas referem que mais de 500 mil automóveis, sob as marcas Audi e Volkswagen, vêm com este software. Os Estados Unidos vão investigar outras marcas para perceber se estas também usam mecanismos semelhantes.



O construtor já admitiu, depois de realizado um inquérito interno, que este mecanismo foi instalado em 11 milhões de automóveis em todo o mundo, tendo sido incluído em todos os carros com motor a gasóleo do tipo EA189.

Conhecido o problema, a Volkswagen fez também saber que irá colocar no orçamento do terceiro trimestre uma almofada de 6,5 mil milhões de euros para cobrir eventuais custos relacionados com o escândalo. A mera divulgação deste número fez as ações da empresa cair, momentaneamente, mais de 20 por cento.

Consequências para Portugal
O escândalo afeta, por enquanto, o grupo automóvel Volkswagen, primeiro construtor automóvel europeu e que opera sob marcas como a própria Volkswagen, mas também a Audi, a Porsche e a Skoda. Uma marca com forte presença em Portugal, através da Autoeuropa de Palmela.

Para além de colocar em causa a credibilidade de uma das maiores construtoras de automóveis a nível mundial, as quebras assinaláveis em bolsa vão prejudicar a produção e vendas da Volkswagen.

 Posto isto, comentador da Antena 1 para Assuntos Económicos, Nicolau Santos, acredita que este escândalo vai afetar a Autoeuropa.


A Autoeuropa é responsável por 3600 postos de trabalho diretos, aos quais se somam muitos outros em empresas fornecedoras e que operam na área de Palmela.

A produção desta fábrica representa quase um por cento Produto Interno Bruto português e mais de três por cento das exportações portuguesas.

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