Activista de Direitos Humanos refugiado desde 5ª feira na sede da ONU

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O activista guineense dos Direitos Humanos, Mário Sá Gomes, envolvido numa polémica com o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, devido ao tráfico de drogas no país, refugiou-se quinta-feira na sede das Nações Unidas, em Bissau.

O refúgio na sede das ONU foi confirmado à Lusa pelo próprio Mário Sá Gomes, presidente da Associação Guineense de Defesa de Vitimas do Erro Judicial.

"Decidi vir para a sede das Nações Unidas por não aguentar mais estar escondido", disse Mário Sá Gomes, que deixou de ser visto há 28 dias, depois de ter pedido ao Presidente guineense que exonerasse o CEMGFA, general Tagmé Na Waié, para acabar com o tráfico de drogas na Guiné-Bissau.

Segundo Sá Gomes, o general Tagmé Na Waié teria perdido o controlo e comando das Forças Armadas no combate ao narcotráfico pelo que devia ser demitido, tal como todos os chefes dos ramos das forças armadas.

Nas declarações à Lusa, o activista acusou as chefias militares de não estarem a fazer o que lhes cabe para a protecção das fronteiras do país, contra a entrada de aeronaves e barcos que alegadamente transportam a droga para a Guiné-Bissau, transformando o país numa placa giratória do narcotráfico para a Europa.

Mário Sá Gomes foi recebido na sede da ONU pelo representante residente adjunto do Programa das Nações Unidas, Kjetil Hnasen Shino.

A Lusa tentou saber junto do governo e do escritório das Nações Unidas em Bissau qual o estatuto que será dado à situação de Mário Sá Gomes, mas não obteve nenhuma resposta.

Todavia, Mário Sá Gomes manifestou-se esperançado em que as Nações Unidas irão trabalhar para facilitar a sua saída para o estrangeiro.

Fontes próximas de Mário Sá Gomes disseram à Lusa que não está de fora a hipótese um pedido de asilo num país estrangeiro, que pode, eventualmente, ser Portugal.

Sobre a sua situação na sede das Nações Unidas, em Bissau, Mário Sá Gomes acredita estar num local seguro, esperando, contudo, que as autoridades guineenses irão tudo fazer para não beliscar a sua integridade física.

"Espero que as autoridades do meu país respeitem os compromissos internacionais assumidos perante situações do género e que a minha integridade não seja posta em causa", defendeu Mário Sá Gomes, sobre quem pende um mandado de captura promovido pelo Ministério Público.

Por seu lado, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins disse acreditar que o caso que envolve o seu companheiro terá "um final feliz", embora lamente que este tenha passado 28 dias escondido.


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