Coreia do Norte arrisca "resposta robusta" após ensaio de bomba H

por Graça Andrade Ramos - RTP
Kim Jong-un durante uma competição de tiro de artilharia KCNA - Reuters

Os apelos a Pyongyang para que não agrave a tensão na Península Coreana vieram da China. O resto do mundo condenou o ensaio da bomba de hidrogénio e prometeu uma resposta "robusta" ao desafio e à "provocação" do regime. O Conselho de Segurança da ONU deverá reunir-se de emergência nas próximas horas.

O anúncio da detonação da bomba de hidrogénio, esta quarta-feira, coincide com a semana 33.º aniversário do líder norte-coreano Kim Jong-un, que parece ter querido afirmar desta forma a sua autoridade, tanto interna como externamente.Kim Jong-un faz 33 anos dentro de dois dias.


Este é o primeiro ensaio nuclear de uma bomba de hidrogénio na Coreia do Norte, o segundo ensaio nuclear sob o domínio de Kim Jong-un e o quarto efetuado pelo regime.

Pyongyang mostra assim que prossegue com o seu programa nuclear, apesar das proibições da ONU. Afirma ainda que consguiu detonar uma versão "miniatura" de uma bomba de hidrogénio o que, a confirmar-se, irá possibilitar a sua colocação em mísseis e agravar a ameaça que Pyongyang coloca aos seus vizinhos.

Diversos analistas mantêm-se cépticos e referem que, o mais provável, é o regime norte-acoreano ter feito explodir uma bomba A com um isótopo de hidrogénio, pelo que o engenho não seria uma verdadeira bomba H.

A notícia do teste foi dada pela televisão estatal norte-coreana, mas não foi ainda confirmada externamente. Surgiu pouco depois de um tremor de magnitude 5.1 se ter registado esta quarta-feira num local de testes nucleares do nordeste da Coreia do Norte, a cerca de 50 quilómetros de Kilju.
China e Coreia do Norte atentas
A Coreia do Sul foi a primeira a reagir ao anúncio. Seul condenou o teste e acusou Pyongyang de violar as resoluções da ONU.

Pequim reagiu com firmeza. Em comunicado dos Negócios Estrangeiros, publicado na sua pagina de internet, o Governo chinês apelou à Coreia do Norte para que respeite os compromissos com a desnuclearização.

Pequim solicitou ainda a Pyongyang que se detenha antes de qualquer ação que desequilibre a Península Coreana.

Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, condenou o ensaio, considerando-o uma "ameaça grave" para o Japão e um "sério desafio" aos esforços de não-proliferação nuclear.

"Condeno-o veementemente", afirmou Abe. "O teste nuclear que foi realizado pela Coreia do Norte é uma grave ameaça à segurança da nossa nação e não podemos, absolutamente, tolerá-lo", disse.

As autoridades japonesas revelaram entretanto que não detetaram quaisquer níveis anómalos de radiação, na sequência do anúncio norte-coreano.
"Resposta robusta"

"Apesar de ainda não podermos confirmar estas reivindicações, condenamos qualquer violação às resoluções do UNSC [Conselho de Segurança das Nações Unidas] e voltamos a pedir à Coreia do Norte para que cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca Ned Price.

Os Estados Unidos, afirmou, vão "responder adequadamente a qualquer provocação norte-coreana".

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"Apesar de ainda não podermos confirmar estas reivindicações, condenamos qualquer violação às resoluções do UNSC [Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sigla inglesa] e voltamos a pedir à Coreia do Norte para que cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais", disse por sua vez o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Ned Price.

Os Estados Unidos, afirmou, vão "responder adequadamente a qualquer provocação norte-coreana".

A União Europeia afirma que, se verdadeiro, o ensaio será uma "grave violação" das resoluções da ONU e constitui "uma ameaça à paz e aà segurança de toda a região nordeste da Ásia". A Rússia condenou o teste e classificou-o como "violação grave" das normas internacionais, se se confirmar.

"Apesar de ainda não podermos confirmar estas reivindicações, condenamos qualquer violação às resoluções do UNSC [Conselho de Segurança das Nações Unidas] e voltamos a pedir à Coreia do Norte para que cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca Ned Price.

Os Estados Unidos, afirmou, vão "responder adequadamente a qualquer provocação norte-coreana".

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"Apesar de ainda não podermos confirmar estas reivindicações, condenamos qualquer violação às resoluções do UNSC [Conselho de Segurança das Nações Unidas] e voltamos a pedir à Coreia do Norte para que cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca Ned Price.

Os Estados Unidos, afirmou, vão "responder adequadamente a qualquer provocação norte-coreana".

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Londres também reagiu com preocupação. O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Phillip Hammond, considerou o ensaio nuclear desta quarta-feira - a confirmar-se - uma "provocação" e uma "violação grave" das resoluções da ONU.

"Se os relatos sobre um teste de uma bomba H norte-coreana forem verdadeiros, trata-se de uma violação grave das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e uma provocação que eu condeno sem reservas", tweetou Hammond, que se encontra numa visita oficial à China.
"Debati o assunto hoje em Pequim como o meu homólogo chinês, o conselheiro de Estado Yang Jiechi, e concordamos em trabalhar com os outros membros do Conselho de Segurança da ONU numa resposta internacional robusta", referiu depois o responsável da diplomacia britânica em comunicado.

Hammond deverá abordar a questão durante o dia com os ministros dos Negócios estrangeiros da Coreia do Sul e do Japão, que deverá visitar nos próximos dias.
Reforço de liderança
Este foi o segundo ensaio nuclear sob domínio de Kim Jong-un.

Filho mais novo do anterior líder, Kim Jong-il, Kim Jong-un chegou ao poder a 19 de dezembro de 2011, como herdeiro da única dinastia comunista do mundo.Figura corpulenta e, dizem os mais íntimos, retrato fiel do pai tanto fisicamente como em personalidade, Kim Jong-un foi educado na Suíça e gosta de basquete, de esquiar e de filmes de Jean-Claude Van Damme.

Contrariando esperanças de que uma educação exposta à economia de mercado facilitaria uma abertura do regime de Pyongyang sob a nova liderança, o jovem Kim Jong-un não perdeu tempo em reforçar a sua posição.

Em poucos anos ganhou a reputação de líder com mão de ferro que não hesita em mandar executar aqueles que se oponham à sua autoridade. Os rumores de purgas multiplicam-se.

De acordo com os serviços de informação da Coreia do Sul, NIS, Kim Jong-un terá mandado executar o seu ministro da Defesa, Hyon Yong-Choi. Em abril passado o NIS revelou que o regime de Pyongyang tinha mandado executar 15 altos funcionários, incluindo dois vice-ministros, acusados de por em causa a autoridade do líder supremo.

Já em dezembro de 2012, Kim Jong-un condenou à morte o próprio tio, o poderoso Jang Song-Thaek, por traição e corrupção.
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