Quem é Abdelhamid Abaaoud, o suposto cérebro dos ataques de Paris

Apontado como o organizador dos atentados da última sexta-feira em Paris, Abdelhamid Abaaoud tem 27 anos. É belga, de origem marroquina, e terá sido a ele que o autoproclamado Estado Islâmico confiou a missão de treinar combatentes para planear atentados em território europeu.

Sandra Salvado - RTP /
Reuters

Abaaoud é suspeito de ser o organizador dos ataques de sexta-feira em Paris, que fizeram 129 mortos e mais de 350 feridos. Membro ativo do grupo Estado Islâmico (EI), tem escapado das forças de segurança europeias há vários anos.

Abdelhamid Abaaoud nasceu no bairro de Molenbeeck, no subúrbio de Bruxelas. Ele é conhecido como Abu Omar Susi, nome da região do sudoeste de Marrocos de onde sua família é originária, ou Abu Omar al Baljiki.
"Agora arrastamos infiéis, os que combatem o Islão"
Não é a primeira vez que o nome de Abu Omar aparece numa investigação. No início de 2014, fez manchete nas capas dos jornais belgas por ter levado para a Síria o seu irmão Yunis, de 13 anos, dizendo que era o “jihadista mais jovem do mundo".

Pouco depois, apareceu num vídeo de propaganda do EI, em que surgia ao volante de um veículo com corpos mutilados, e se dizia orgulhoso de cometer atrocidades.

"Antes transportávamos jet-skis, moto 4, carrinhos cheios de brinquedos ou de malas para passar férias no Marrocos. Agora arrastamos infiéis, aqueles que nos combatem, os que combatem o Islão", diz sorridente.



Com um perfil de jovem de classe média, o pai de Abaaoud disse à imprensa no início deste ano, que o seu filho tinha estudado num excelente colégio de Uccle, no sul de Bruxelas.

"Tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica, eu diria. Abdelhamid não era uma criança difícil e tinha-se tornado um bom comerciante. Mas, de repente, ele foi para a Síria. Nunca recebi qualquer resposta", declarou em janeiro o seu pai, Omar Abaaoud, segundo a agência France Presse.
"As nossas vidas foram destruídas", disse o pai de Abaaoud
"Abdelhamid envergonhou a nossa família. As nossas vidas foram destruídas", reagiu o seu pai: "Por que é que, em nome de Deus, ele mataria belgas inocentes? A nossa família deve tudo a este país", explicou Omar Abaaoud, cuja família chegou à Bélgica há 40 anos. E acrescentou que "nunca perdoaria" Abdelhamid por ter "arrastado" o seu irmão mais novo Yunis.

O suposto cérebro dos ataques de Paris deu uma entrevista, em fevereiro, à revista de propaganda do Estado Islâmico Dabiq, onde explica como conseguiu fugir às autoridades e ao mesmo tempo planeava o massacre de sexta-feira passada.



De acordo com o jornal New York Times, ao longo de três páginas de entrevista, Abdelhamid Abaaoud, como é conhecido no Estado Islâmico, conta como tudo se passou.

Abaaoud viajou com outras duas pessoas da Síria para a Bélgica, em fevereiro, para "aterrorizar os cruzados que estão a fazer a guerra contra os muçulmanos". A entrada na Europa foi um processo que levou meses mas, uma vez no velho Continente, "conseguimos arranjar armas e montar um abrigo secreto enquanto planeámos a continuidade das operações contra os cruzados. Tudo isto foi facilitado por Alá", explicou Abdelhamid Abaaoud.

Depois de um cerco das autoridades belgas ao seu abrigo secreto, que gerou trocas de tiros e a morte de dois dos seus irmãos, Abaaoud tornou-se um homem procurado, por causa de um vídeo seu que foi parar às mãos de um jornalista.
"Isto não foi mais do que um presente de Alá"
A partir daí, Abaaoud teve mais cautela, mas acabou por ser mandado parar por um polícia que, com a sua fotografia nas mãos, não foi capaz de o associar ao homem da imagem, deixando-o ir-se embora. "Isto não foi mais do que um presente de Alá", concluiu Abdelhamid Abaaoud.

Depois da rusga realizada ao abrigo secreto, Abaaoud conta que os serviços de inteligência europeus e norte-americanos uniram forças e prenderam muitos muçulmanos, mas "pela glória de Deus", nenhum dos homens apanhados estava relacionado com os planos para Paris. Contudo, Abaaoud não especifica, durante toda a entrevista, qual o local onde iria colocar em ação o plano.

Ainda de acordo com a agência France Presse, após os ataques ao jornal satírico Charlie Hebdo, no mês de janeiro, 13 membros da célula terrorista com base de operações na Bélgica foram detidos, mas Abdelhamid Abaaoud, que se pensa ser um dos cabecilhas, escapou.

Já esta quarta-feira, as forças especiais francesas deram início a uma operação em Saint-Denis. O alvo das buscas era Abdelhamid Abaaoud, embora não houvesse certezas que Abaaoud se encontrasse no apartamento no momento em que se deu o ataque.

Dois suspeitos morreram, um deles, uma mulher que se fez explodir. Sete foram detidos, mas não foram ainda reveladas as suas identidades.
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