Bispo de Fátima considera "duras" críticas de reitor do Santuário ao aborto

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O bispo de Leiria-Fátima considerou hoje que críticas feitas ao aborto pelo reitor do Santuário de Fátima no jornal "A Voz da Fátima" foram "muito duras", apesar de respeitarem a doutrina católica sobre o tema.

"Não li o texto, só vi extractos com uma linguagem muito dura.

O conteúdo compreendo, mas a maneira de o dizer não é o meu estilo", afirmou D. Serafim Ferreira e Silva à Agência Lusa.

No editorial deste mês do jornal "Voz da Fátima", Luciano Guerra considera que a ascensão da esquerda na Europa pode levar a "abortos aos milhões e casamentos de homossexuais aos milhares".

"Nos países mais pobres, mesmo da Europa, corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e de animais", escreve o sacerdote.

Por seu turno, o bispo de Leiria-Fátima afirma-se a "favor da vida", mas "não gostaria de ver ninguém condenado" pelo crime de aborto.

No entanto, "há regras e sou a favor do cumprimento das leis" em vigor, salientou D. Serafim Ferreira e Silva, que não subscreve as palavras do reitor do Santuário de Fátima.

Contudo, "respeito a maneira de expressar de um padre que tem toda a minha confiança", salientou.

No editorial, Monsenhor Luciano Guerra rejeita qualquer descriminalização da interrupção voluntária da gravidez, até porque "haverá sempre mulheres que não têm meios, ou não têm cara, para pedir a um estabelecimento que lhes esquarteje em pedaços o filho das suas entranhas" e o "aborto clandestino sempre acontecerá".

Perante este cenário, o sacerdote adivinha no futuro uma "revolta potenciada ao máximo pela visão do sangue e dos escombros de tantos corpos inocentes atirados para as lixeiras, ou macabramente transformados em cremes de amaciar a pele das próprias mães".

O sacerdote criticou também a eventualidade do casamento de homossexuais vir a ser legalizado no espaço europeu.

"É previsível que dentro de pouco tempo tenhamos visitas de Estado ao mais alto nível, em que uma rainha, talvez sem herdeiros, dará o braço a outra senhora com estatuto de esposa, ambas de malinha na mão, e o Presidente barbudo de uma grande República se fará maritalmente acompanhar de um outro cavalheiro", ironizou o sacerdote.

Na sua opinião, estes "casos emblemáticos" constituem um "problema sério de sobrevivência civilizacional do nosso continente".

No mês de Junho, muitas cerimónias no Santuário de Fátima vão evocar várias citações da Bíblia onde é condenado o aborto e defendido o direito à vida.

No pequeno livro distribuído a peregrinos e organizadores de peregrinações, o Santuário propõe em Junho reflexões sobre a pena de morte, a eutanásia e o aborto, que é considerado um "crime abominável".

"Mas hoje, a percepção da sua gravidade vai-se obscurecendo progressivamente em muitas consciências" e a sua aceitação social é "sinal eloquente e uma perigosíssima crise do sentido moral", como se reflecte na progressiva substituição do termo aborto pela Interrupção Voluntária da Gravidez.

"A gravidade moral do aborto provocado aparece em toda a sua verdade quando se reconhece que se trata de um homicídio" de um "ser humano que começa a desabrochar para a vida", refere a brochura distribuída pelo Santuário.

O texto rejeita ainda justificação para qualquer aborto provocado, mesmo que por motivos de saúde da mãe ou falta de condições da família, já que estas razões "nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente".

O Santuário denuncia também uma "vasta rede de cumplicidades" que envolve legisladores, clínicas e políticos que permitem "leis abortistas", recordando que o direito canónico prevê "pena de excomunhão" para todos os que praticarem este acto.

"Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à lei de Deus", refere o texto, que critica também experiências sobre embriões humanos.

A Agência Lusa tentou obter, sem sucesso, um comentário do reitor do Santuário.

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