Campos e Cunha demite-se, Sócrates faz primeira remodelação

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O ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, pediu quarta-feira a demissão, obrigando o primeiro-ministro, José Sócrates, a fazer a primeira remodelação governamental, apenas 130 dias após a posse do XVII Governo, a 12 de Março.

Campos e Cunha foi substituído de imediato por Fernando Teixeira dos Santos, secretário de Estado das Finanças e Tesouro no primeiro governo de António Guterres, que deixa a presidência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para regressar ao Governo, sendo empossado hoje, ao fim da manhã, no Palácio de Belém.

Luís Campos e Cunha invocou, segundo comunicado da Presidência do Conselho de Ministros, "motivos pessoais, familiares e cansaço", e José Sócrates pediu a sua substituição por Teixeira dos Santos numa reunião com o Presidente da República, Jorge Sampaio, ao fim da tarde de quarta-feira.

Os partidos da oposição reagiram sem grande surpresa, face às recentes polémicas em que o titular da pasta das Finanças se envolveu, nomeadamente o artigo de opinião, publicado domingo no Público, em que sustentou que o crescimento económico depende da qualidade e não da quantidade de investimento público, dando como exemplo o caso da Suécia.

E após José Sócrates ter garantido a construção do aeroporto da Ota e das linhas de comboio de alta velocidade (TGV) Lisboa/Madrid e Lisboa/Porto/Vigo, Luís Campos e Cunha sustentou, terça-feira, no Parlamento, que se tratava de projectos ainda em avaliação.

Campos e Cunha foi um ministro controverso, mesmo antes de tomar posse, em Março, ao admitir uma subida de impostos, contrariando o discurso da campanha do líder do PS, José Sócrates.

O presidente do PSD, Marques Mendes, considerou a demissão do ministro "um profundo abalo na credibilidade do Governo" e um "péssimo sinal" para os agentes económicos nacionais e estrangeiros, salientando que "não há memória em Portugal" de um ministro das Finanças "se demitir ao fim de quatro meses de governação".

José Ribeiro e Castro, líder do CDS-PP, afirmou que a saída do ministro das Finanças "abala a estabilidade política" e "pode manchar a credibilidade externa do país".

Por seu lado, o Bloco de Esquerda considerou que a demissão de Campos e Cunha foi "súbita", mas "não se pode estranhar", argumentando que existiam divergências entre o ministro e o Governo quanto à política orçamental.

O PCP, por seu turno, considerou que a demissão do ministro é a "primeira e significativa derrota" do Governo e da sua política, que "é preciso ver substituída".

Do PS, partido do Governo, vieram os comentários elogiosos a Campos e Cunha, com o dirigente socialista Jorge Coelho a destacar a "coragem" e "determinação" do ministro, recusando comentar as polémicas mais recentes que o envolveram.

Com a saída de Luís Campos e Cunha, ficam também demissionários os seus quatro secretários de Estado: Manuel Baganha (Adjunto e do Orçamento), Maria dos Anjos Capote (Tesouro e Finanças), João Amaral Tomás (Assuntos Fiscais) e João Figueiredo (Administração Pública).

Devido à remodelação governamental, o Conselho de Ministros agendado para hoje foi adiado para sexta-feira.


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