Álvaro Santos Pereira e a aposta no pastel de nata

por RTP
Álvaro Santos Pereira anunciou o programa “Portugal Sou Eu”, destinado a "mudar as mentalidades" Miguel A. Lopes, Lusa

O ministro da Economia deu a receita para o combate ao défice e dívida externos, apontando a abertura das empresas portuguesas aos mercados internacionais. Na conferência do DN “Made In Portugal”, Álvaro Santos Pereira assinalou a internacionalização da economia nacional como um desígnio que ganhará prioridade. Para dissipar dúvidas do que é esta tarefa agora assumida pelo executivo, o governante deixou um exemplo de produto nacional a ser mais valorizado lá fora: o pastel de nata. O que valeu posições ambivalentes no seio do PS.

Na abertura da conferência promovida pelo “Diário de Notícias”, o ministro da Economia arrancou para um discurso cheio de críticas, apontando a incapacidade e o “falhanço” do país em fazer sair para os mercados externos o que tem de melhor. Liminarmente, Santos Pereira admitiu que Portugal “tem falhado na estratégia de internacionalização dos produtos”.Álvaro Santos Pereira:

“Só apostando sem o mínimo de dúvidas neste desígnio nacional que é um país mais exportador é que iremos combater este défice externo e esta dívida externa”


“Até agora, essa marca Portugal nunca verdadeiramente arrancou. E não arrancou por uma simples razão: tem falhado a estratégia de internacionalização, não tem sido um desígnio nacional”, lamentou Álvaro Santos Pereira, para assinalar o início de uma nova era.

Defendendo que “só apostando nas exportações, só apostando sem ter o mínimo de dúvidas neste desígnio nacional que é um país mais exportador, é que iremos combater este défice externo e esta dívida externa”, o responsável máximo pela pasta da Economia garante que a falta de atenção ao que o país tem de melhor para oferecer “acabou, a partir de agora as exportações, a internacionalização da economia portuguesa, são o principal desígnio nacional”.

“O Governo, bem como as empresas e a sociedade civil, tudo irão fazer para melhorar e para promover a nossa marca Portugal”, propugnou o governante.

Pastel de nata é o símbolo de uma nova era
Álvaro Santos Pereira deu ainda o exemplo da indústria de cogumelos produzidos no Canadá, "que são colhidos e exportados no mesmo dia para o Japão"Nesta defesa da internacionalização das empresas portuguesas, Álvaro Santos Pereira acrescentaria esta manhã a importância de apostar na afirmação dos produtos nacionais. O exemplo escolhido: o pastel de nata.

O ministro sublinhou a sua crença em que os pastéis de nata podem ser tão vendáveis "como os churrascos Nando's ou os hambúrgueres". E neste ponto assinalaria o lamento que tal assim não seja ainda, vazio que atribui ao facto de Portugal não se ter ainda empenhado, como outros países, em explorar esses conceitos de uma forma diferente.

"Portugal Sou Eu"
“Hoje é importantíssimo encontrar caminhos”, propugnava Álvaro Santos Pereira, para anunciar o “Portugal Sou Eu”, um programa que o ministro diz estar a ser colocado em marcha pela sua equipa com vista a "mudar as mentalidades". O ministro da Economia defende que é preciso outra orientação para a marca Portugal. Álvaro Santos Pereira afirma que a estratégia da internacionalização da economia portuguesa e as exportações são a partir de agora uma prioridade do Governo

O ministro deixaria ainda uma ressalva: antes de tudo há um trabalho a ser feito na recuperação económica.

“Por mais promoções que façamos não são suficientes se primeiro não vencermos as dificuldades atuais", declarou Santos Pereira, lembrando que a ativação da ajuda externa "fez mais por destruir a imagem de Portugal do que todas as campanhas que foram feitas nos últimos anos".

PS bicéfalo quanto ao "franchising" dos pastéis de nata
Uma primeira reação dos socialistas redundava no aplauso aos considerandos do ministro da Economia – e também assim relativamente aos princípios que estavam por detrás das declarações da manhã – sobre o pastel de nata como bandeira da qualidade com potencial exportador.

A declaração partiu do líder parlamentar socialista Carlos Zorrinho: “Aquilo que o ministro estava a propor (…) pôr o foco na internacionalização e em mercados-alvo era uma visão que dava continuidade à visão do Governo anterior e que me parece uma visão correta”.

Já durante a tarde, numa intervenção do deputado Basílio Horta no Parlamento, com Zorrinho a seu lado, o deputado independente da bancada do PS lamentaria a ausência de uma política de crescimento económico para ironizar com “o cluster do pastel de nata”.

"O 'cluster' do pastel de nata, o 'cluster' do frango é a última novidade que foi anunciada", ironizou Basílio Horta, para lembrar ao atual executivo que a equipa de José Sócrates logrou trazer para Portugal a Embraer e a Ikea. Já o Executivo de Passos Coelho – lamentou - não dá estabilidade às empresas e obriga-as a "ir para a Holanda".
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