Cláudia Cardoso

À boca das urnas

Domingo exercemos a possibilidade de escolhermos os representantes dos açorianos no parlamento dos Açores. Há quem entenda que este é o exercício de um dever inútil, porque, argumentam, “são afinal todos iguais”. No fundo, esses partidários do “é sempre o mesmo” sabem que, efetivamente, não será bem assim, no entanto, gostam de insistir na tese alinhavada da sua imensa imobilidade, e continuarem a ser bons treinadores de uma confortável bancada. Porém, o nosso papel, enquanto cidadãos conscientes há-de impelir-nos a algo mais do que isto. No sentido em que cada um de nós reconhece em si mesmo, se bem se conhecer e esquadrinhar, uma ideologia, ainda que ténue, uma tomada de posição, a aproximação a uma fação de pensamento político. E, se assim não fosse, muitos mais não estariam agora mesmo a dar o seu contributo na vida pública. Em associações, clubes, comissões de festas, tertúlias, e outros espaços onde cada qual expressa, sem se dar conta disso, a sua posição. Há, efetivamente, no meio desta indiferença repetida pela política, quem se interesse pela forma de atuação em comunidade, pelo espaço de imenso labor que é o da participação cívica. Essas eleições têm algumas especificidades. O acontecerem num cenário de pandemia e com as condicionantes conhecidas. E a pulverização de partidos a concorrerem aos lugares no hemiciclo regional. Uns com mais palmarés político e implantação junto dos seus eleitorados, outros com menor, e ainda novidades decorrentes da diversificação de forças partidárias que se verificou a nível nacional. A democracia respira por aqui também. Com a diversidade de vozes. Umas mais abalizadas do que outras no conhecimento da região, e na capacidade de se credibilizarem junto do eleitorado. Ricardo Araújo Pereira fez rir o país à nossa custa. Os ofendidos bradaram aos céus. Não me pareceu ser nada que já não tivesse feito com outros intervenientes nacionais. Se não nos picarmos, vemos que os depoimentos, embora descontextualizados, têm efetiva piada. Mais. Alguns deles, não fosse o retirado do contexto, seriam depoimentos de cidadãos empenhados pela sua terra. O que tem sempre muito valor. Domingo podemos escolher. Todos nós. Os que escolherem não escolher ficarão também com esse ónus.


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