Fátima Rosado

Natal - do parir e do criar

Natal - do parir e do criar Natal - do parir e do criar

Tenho uma minha amiga, a C., que é médica ginecologista. Como esta profissão, pelo seu consultório, passam histórias absolutamente incríveis. Algumas são mesmo terríveis, inenarráveis, mas dada a época natalícia, não vou falar dessas agora; outras difíceis de gerir, como a daquela jovem de vinte anos, que foi à consulta acompanhada da mãe, e, diante da médica, exigiu que aquela lhe revelasse o nome do pai, como não obteve resposta começou a gritar e a agredir a progenitora; mas, há ainda, as que são verdadeiros contos de Natal, hoje quero falar dessas: um dia destes, apareceu-lhe uma doente, a quem vou chamar de Maria, de cerca de setenta anos, com um diagnóstico de carcinoma. Era uma Senhora de aparência humilde que referiu como profissão “trabalhar no campo de sol a sol”. A médica descreve-a como modesta, mas despachada, alegre e bem disposta, isto apesar da gravidade da doença.

Para preenchimento da ficha clínica, C. perguntou-lhe quantos filhos tinha tido, e ela respondeu: - cinco, Sra Dra, quatro pari-os eu e o outro, adoptei-o! A minha amiga admirou-se com a resposta e questionou-a sobre aquela adopção e a Senhora Maria disse-lhe então - sabe Sra Dra, um dia fui visitar uma vizinha muito pobre, que vivia na maior miséria e eu sabia que ela tinha acabado de ter o seu oitavo filho, pois pasme, Sra Dra, quando lhe entrei em casa, dei com ela a tentar afogar, numa bacia de água, o bebé acabado de nascer! Olhe, arranquei-lho das mãos, atirei-a ao chão, dei-lhe umas palmadas e trouxe o menino para minha casa. Já não lho entreguei mais, adoptei-o e criei-o eu. E sabe, Sra Dra, é o filho mais meu amigo, só me chama Mãezinha, visita-me todos os dias, não deixa que me falte nada, e é ele que me traz sempre à sua consulta. Este filho, tem sido, toda a vida dele, uma bênção do céu para mim.

Estão a ver? Depois digam que não há contos de Natal lindos e verdadeiros!