Crise climática. Subida preocupante do nível do mar alarma cientistas

por RTP

Cientistas afirmam que o nível do mar está a subir mais depressa do que previsto, devido ao degelo dos glaciares na Antártida e Gronelândia. O anterior estudo, que previu que o mar subiria menos de um metro até ao ano de 2100 está agora a ser posto em causa, e cientistas acreditam que esse valor poderá duplicar.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), feito em 2013, previa que o nível do mar subiria um máximo de um metro até ao ano de 2100. Sem uma significativa redução das emissões do gás de efeito de estufa, as águas poderiam subir entre 52 e 98 centímetros.


Contudo, um novo estudo, mais abrangente, prevê que o nível do mar poderá subir mais de dois metros, se as emissões continuarem na sua trajetória, e se as temperaturas subirem até 5 graus Celsius. Este caso, no entanto, é extremo, e a probabilidade de as temperaturas subirem 5 graus é de 5 por cento. 

Os cientistas alertam, porém, para o facto de que 5 por cento é ainda uma percentagem considerável e que corresponde a um elevado risco.

Os glaciares da Antártida e da Gronelândia também estão a derreter mais depressa do que previsto, uma vez que as temperaturas têm aumentado.

As alterações climáticas provocadas pela ação do Homem, como a utilização exagerada de combustíveis fósseis, que libertam gases de estufa para a atmosfera, provocam a subida de temperaturas, e a subida do nível do mar não pode ser explicada por causas naturais.
Países em risco elevado de desaparecimento
A subida do nível do mar poderá levar a inúmeras consequências, e diferentes países serão afetados de diferente forma. 

Primeiramente, as ilhas serão as primeiras a sofrer os efeitos desta subida. É o caso das Maldivas, das Seychelles e do Tuvalu, entre outros países, que estão em risco de afundar. Por outro lado, a crise climática tem contribuído para a salinização dos solos, e, consequentemente, para a inutilização do solo para plantação, e a contaminação dos peixes, que levará ao aparecimento de novas doenças. 

Mas não serão apenas as ilhas a serem afetadas. Na Europa, a Bélgica, os Países Baixos, Portugal e Itália estão também em risco, devido à sua posição costeira. Nos Estados Unidos, cidades como Nova Iorque e Miami já estão também em alerta.
Os primeiros refugiados climáticos
Esta situação poderá levar ao deslocamento forçado de milhões de pessoas, visto que não poderão permanecer nos seus países. 

Após a crise de refugiados que emergiu em 2015, a Europa teve consideráveis dificuldades em dar resposta aos milhares de pedidos de asilo que surgiram, e tal situação contribuiu para a emergência da extrema-direita na Europa, que alterou radicalmente o espetro político europeu. 

“Para colocar isto em perspetiva, a crise de refugiados sírios resultou em cerca de um milhão de refugiados a caminho da Europa. Isso é cerca de 200 vezes inferior ao número de pessoas que seriam forçadas a deslocar-se no caso de uma subida do nível do mar de dois metros”, afirma o professor Jonathan Bamber

Uma vez que o número de refugiados climáticos seria muito superior, levantam-se questões sobre a capacidade, em particular da Europa, de responder a este novo fluxo migratório. 

Sobre esta situação já se pronunciou Greta Thunberg, a ativista sueca que tem chamado a atenção para a crise climática e a necessidade urgente de alterar os comportamentos que têm contribuído para a emergência de fortes alterações climáticas.


Tópicos