Voluntários de todo o país contribuem para o primeiro Atlas dos Morcegos de Portugal

Vila Real, 03 out (Lusa) -- Voluntários de todo o país estão a contribuir para o primeiro Atlas dos Morcegos de Portugal, um trabalho coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) que visa mapear e sensibilizar para estas espécies.

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O Atlas dos Morcegos de Portugal está a ser elaborado no âmbito do Ano do Morcego, que se celebra entre 2011 e 2012.

Atualmente, pouco é ainda conhecido sobre a distribuição de algumas das espécies no território nacional, que encontram muitas ameaças como a destruição da floresta, a colisão com aerogeradores ou a utilização de grutas como depósitos de lixo.

Ana Rainho, do ICNB, disse hoje à Agência Lusa que voluntários espalhados por todo o país estão a contribuir para este projeto, cujo trabalho de campo se vai repetir na próxima primavera/verão e deverá ser publicado até 2013.

O projeto surgiu da iniciativa de equipas que trabalham na Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e estão envolvidas na monitorização de morcegos.

A estas juntaram-se associações de espeleólogos ou ligadas ao ambiente e muitos outros voluntários a título individual. No portal "Ano do Morcego em Portugal" qualquer pessoa pode georreferenciar a existência de morcegos através do Google Maps.

A ideia é, sem recorrer a grandes despesas, cartografar a atual distribuição das espécies de morcegos no território nacional, alimentar uma base de dados georeferenciada e disponibilizar informação para investigação, planeamento e gestão aplicados à conservação.

Ao mesmo tempo, segundo Ana Rainho, o objetivo é sensibilizar e contribuir para a divulgação da importância da conservação dos morcegos.

Em Portugal, existem 27 espécies, todas protegidas e muitas delas ameaçadas de extinção. Em todo o mundo existem quase 1.200 espécies de morcegos.

Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voar. Durante o dia, escondem-se em cavidades que encontram em árvores velhas, edifícios ou em cavernas, de onde saem ao crepúsculo ou à noite para caçar, alimentando-se de todas as espécies de pequenos vertebrados, frutos ou sementes.

Paulo Barros, do Laboratório de Ecologia Aplicada da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (LEA UTAD), é uma das cinco pessoas no país com licença do ICNB para capturar morcegos e que está a contribuir para o atlas.

O responsável referiu as dificuldades em estudar estas espécies, já que nunca estão no mesmo lugar e não é fácil ver ou ouvi-las.

Neste Ano do Morcego, já se realizaram mais de 60 atividades de sensibilização um pouco por todo o país, enquanto que, por exemplo, na Alemanha decorreram 20 e, em Espanha, apenas três.

Integrado nestas comemorações realiza-se no sábado, no Santuário de Panóias, em Vila Real, uma atividade de sensibilização sobre os morcegos organizada pelo Parque Natural do Alvão, Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) e LEA UTAD.

Paulo Barros salientou que este ano tem contribuído também para desmistificar estas espécies e acabar com a ideia de que estes se prendem nos cabelos ou que chupam sangue.

Sete em cada dez espécies de morcegos existentes no mundo são insectívoras e chegam a consumir metade do seu peso em insetos numa só noite. Apenas duas espécies, que não existem em Portugal, se alimentam de sangue.

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