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Manifestação de interesse "com condicionantes e limitada no tempo" devia ser a opção, defende Associação de Hotelaria de Portugal
A Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) defende o regresso da manifestação de interesse à hotelaria, para combater a falta de mão de obra no setor.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Entre 50 a 70 mil trabalhadores, é a estimativa que existe de necessidade de mão de obra para a hotelaria, mas, na AHP, não há nenhum associado que tenha recorrido à via verde para conseguir esses trabalhadores, porque o método é demasiado burocrático.
A manifestação de interesse "com condicionantes e limitada no tempo" devia ser a opção, diz Cristina Siza Vieira.
Segundo a responsável da AHP, a contratação coletiva tem funcionado para o setor. Os aumentos em 2026 para a hotelaria vão rondar os 5%, mas, ainda assim, faria sentido consignar, a nível da legislação laboral, alguns instrumentos ligados à flexibilização do trabalho que agora são negociados com os sindicatos. Em termos gerais "a proposta que está em cima da mesa serve bem os empresários".
Em resposta à crítica de que existem hotéis a mais em Lisboa, e ao facto de PCP, BE e PEV na Câmara de Lisboa defenderem a necessidade de impor um travão ao licenciamento de novos hotéis, Cristina Siza Vieira considera que o que é necessário, "desesperadamente", é um novo Plano Diretor Municipal (PDM) de Lisboa para que fique, de vez, definido o que se pretende para a capital.
Ainda assim admite que neste momento "a oferta que existe em razão da procura e da capacidade do aeroporto aparentemente não faz muito sentido que continue a crescer", ou seja, os hotéis que existem na capital são suficientes para acomodar a procura.
Cristina Siza Vieira considera que Lisboa entrou em "planalto", um "plano alto", porque "há sinais claros que abrandou e que em 2026 irá abrandar mais". Em termos gerais, 2026 "será um ano de consolidação e não de crescimento".
As limitações à entrada no aeroporto de Lisboa não favoreceram a procura, mas ainda assim considera que, com a "travagem a fundo" no sistema de acesso, foi possível gerir o problema da reputação, ou falta dela, junto dos mercados, nomeadamente no mercado americano.
Quanto à TAP, a AHP considera que seria uma "tonteria" ficar sem o hub e, nesse sentido, rejeita a compra pela IAG.
Apesar de, em 2026, a hotelaria não esperar crescimento, os preços também não vão baixar, exceto, diz Cristina Siza Vieira, se "começarmos a ter uma quebra grande resultante da instabilidade geopolítica".
Aliás, a vice-presidente executiva da AHP lembra que, ao contrário do que aconteceu nas restantes áreas do turismo, na hotelaria tem havido deflação.
Apesar do contexto de abrandamento e de ainda existirem unidades a fazer pagamentos referentes a empréstimos contraídos na altura da pandemia, Cristina Siza Vieira não vê que haja necessidade de medidas financeiras de apoio, à semelhança daquelas que foram anunciadas esta semana pelo Governo para a restauração.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Inês Pinto Miguel, do Jornal de Negócios.