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COVID-19
Cientistas alemães identificaram anticorpos que impedem infeção de novo coronavírus
Num projeto de investigação sobre a Covid-19, uma equipa de investigadores do Centro de Investigação de Infeções Braunschweig Helmholtz (HZI), em Braunschweig, detetou anticorpos produzidos artificialmente que impedem que o novo coronavírus entre nas células humanas.
Há centenas de projetos e ensaios clínicos a decorrer para se desenvolver uma vacina que previna a Covid-19, mas as previsões mais otimistas apontam para que esta só daqui a cerca de ano e meio esteja pronta. Nesse sentido, são várias as equipas de investigação que procuram novos tratamentos e formas de combater a doença até que seja desenvolvida uma vacina que a previna.
Embora não seja uma cura nem uma potencial vacina, um novo estudo alemão identificou anticorpos que bloqueiam a entrada do vírus no organismo.
"Esta é claramente uma inovação que mostra que estamos no caminho certo para o desenvolvimento de um medicamento contra a Covid-19", disse o virologista Luka Cicin-Sain, do HZI, à imprensa alemã.
Os investigadores de Braunschweig analisaram cerca de seis mil anticorpos humanos diferentes, produzidos artificialmente, e entre estes identificaram mais de 750 que se ligam ao coronavírus - o que é fundamental para impedir que o vírus se ligue e entre nas células e para ser efetivamente combatido.
Estes anticorpos vão agora ser testados pelos investigadores que, no entanto, garantem que "em repetidas experiências" foram "capazes de mostrar que este resultado é sustentável".
Estes anticorpos vão agora ser testados pelos investigadores que, no entanto, garantem que "em repetidas experiências" foram "capazes de mostrar que este resultado é sustentável".
O objetivo desta investigação não é a descoberta de uma vacina, é de encontrar um medicamento para o tratamento de pacientes com sintomas agudos e em estado grave.
"O princípio ativo com o qual trabalhamos é a chamada imunidade passiva", esclareceu Stefan Dübel, da Universidade Técnica de Braunschweig.
"O efeito é imediato: os anticorpos eliminam o potencial do vírus".
"O princípio ativo com o qual trabalhamos é a chamada imunidade passiva", esclareceu Stefan Dübel, da Universidade Técnica de Braunschweig.
"O efeito é imediato: os anticorpos eliminam o potencial do vírus".
A equipa do HZI, em colaboração com a empresa de biotecnologia Yumab, espera poder começar os ensaios clínicos deste medicamento já no outono. Mas a investigação para desenvolver o medicamento mais eficaz, com base neste estudo com os anticorpos humanos, vai prosseguir até meados de junho.
Depois de testados os anticorpos, o desenvolvimento deve ser preparado para a prática clínica.
"O nosso objetivo é que os primeiros pacientes com o novo coronavírus sejam tratados com o medicamento no outono", esclareceu Thomas Schirrmann, da Yumab.
"O nosso objetivo é que os primeiros pacientes com o novo coronavírus sejam tratados com o medicamento no outono", esclareceu Thomas Schirrmann, da Yumab.
O primeiro-ministro da Baixa Saxónia, Stephan Weil, e o ministro da Ciência, Björn Thümler, vão visitar o HZI em Braunschweig na próxima sexta-feira e avaliar os avanços dos projetos de investigação a decorrer atualmente.
"Estou extremamente satisfeito com o grande sucesso dos institutos de investigação na Baixa Saxónia, que dão esperança para melhores resultados de cura da Covid-19", disse Thümler à imprensa alemã.
"Estou extremamente satisfeito com o grande sucesso dos institutos de investigação na Baixa Saxónia, que dão esperança para melhores resultados de cura da Covid-19", disse Thümler à imprensa alemã.
Não é certo quando estará disponível uma vacina que previna a infeção pelo novo coronavírus, mas o desenvolvimento desta investigação e de um potencial medicamento pode ser uma solução e um tratamento eficaz para doentes graves de Covid-19.