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Covid-19. Espanha aguarda mensagem de Filipe VI com número de infetados perto dos 14 mil
O número de infetados pelo Covid-19 em Espanha está ainda em crescimento exponencial. O balanço desta quarta-feira aponta para mais de 13.700 infetados e 616 mortos. Face a este quadro, é esperada uma mensagem ao país por parte do rei Filipe VI ainda hoje.
Os últimos dados do Ministério de Saúde espanhol revelam que existem 13.716 pessoas infetadas com o novo coronavírus no país, das quais 774 se encontram nos cuidados intensivos. Há ainda 616 mortos, mais 67 do que na terça-feira.
Madrid é a cidade com maior número de casos. A capital espanhola regista 5673 casos de infeção pelo Covid-19 e 390 mortes, seguindo-se da Catalunha que conta com 1866 casos e 41 mortes.
Apesar de ser a comunidade com maior número de casos, Madrid é também onde se verifica uma maior taxa de recuperação. Em todo o país, essa taxa e de oito por cento, com um registo de 1081 pessoas que recuperaram da doença. Por outro lado, em Madrid, a taxa de recuperação é de 17 por cento, justificando-se, em parte, por ter sido o local onde a epidemia se manifestou primeiramente. Espanha é o segundo país da Europa mais afetado pelo Covid-19 e o quarto no mundo, seguindo-se à China, Itália e Irão.
Todo o país está de quarentena, com todos os estabelecimentos comerciais e serviços considerados não essenciais encerrados. Desde que foi acionado, 76 pessoas foram detidas por não cumprirem as regras do estado de emergência.
Escassez de materiais e de testes
Citado pelo jornal espanhol El Mundo, o diretor do Centro de Coordenação de Alerta e Emergência Sanitária espanhol, Fernando Simón, reconheceu que o impacto real do Covid-19 na população espanhola não é realmente conhecido devido à pouca realização de testes.
O ministério da saúde espanhol admitiu a falta de capacidade para serem realizados todos os testes de Covid-19 recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas Fernando Simón diz que “está a ser resolvido”.
“Lançaremos um procedimento nos próximos dias e, com ele, esperamos resolver o problema. Não sabemos ao certo o quanto isso pode influenciar o aumento do número de casos. Não conhecemos bem a incidência na população, mas vamos tentar fazer os primeiros testes numa amostra representativa para perceber a extensão do vírus. Este método pode ter falsos positivos e falsos negativos e deve ser estudado com cuidado”, explicou Fernando Simón.
Para além da falta de testes, Simón reconheceu ainda que existem problemas de recursos em termos de equipamentos de proteção pessoal para profissionais de saúde. No entanto, o diretor do Centro de Coordenação de Alerta e Emergência Sanitária espanhol ressalvou mais uma vez que seria encontrada uma solução nos próximos dias para evitar "resolvê-la dia a dia ou a cada dois dias como estamos a fazer até agora. Estamos a organizar um catálogo de todo o material necessário e o Ministério da Saúde está a distribui-lo", esclareceu Fernando Simón.
Filipe VI fala ao país
Esta quarta-feira, os espanhóis aguardam ainda uma mensagem de Filipe VI. Espera-se que o rei de Espanha faça um apelo à união e deixe uma mensagem de confiança à nação numa altura em que Espanha enfrenta uma das maiores crises de sempre.
Esta é a segunda vez que Filipe VI fala ao país. A primeira foi a 3 de outubro de 2017, após o referendo na Catalunha.
O rei espanhol vai reunir-se com o Comité técnico que segue a epidemia do Covid-19 e irá dirigir-se ao país às 21h00 locais (20h00 em Lisboa).