Abrigos de pastores motivam primeira exposição de Willem de Rooij em Portugal
A exposição "Hut Hut", do artista Willem de Rooij, inaugurada hoje no espaço Lumiar Cité, em Lisboa, parte do estudo de dois abrigos de pastores, incluindo um do Museu Nacional de Etnologia, apresentados através de transmissões em direto.
A mostra, primeira individual em Portugal do artista neerlandês Willem de Rooij, resulta da investigação desenvolvida no âmbito da sua participação no Programa Internacional de Residências da Maumaus e pode ser visitada até 17 de maio, segundo informação do Lumiar Cité.
"Hut Hut" inclui uma instalação concebida especificamente para o espaço expositivo, bem como duas obras realizadas no início da década de 1990 e raramente exibidas.
O projeto parte de um estudo detalhado de dois abrigos de pastores, um pertencente ao Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, e outro ao Museu do Pastor, em Villaralto, Espanha.
A impossibilidade de remover estas estruturas, devido à sua fragilidade, levou o artista a recorrer a um sistema a que chamou "empréstimos digitais", a partir de câmaras nos museus.
Os abrigos são apresentados no Lumiar Cité através de transmissões em direto a partir dos dois museus, com recurso a câmaras de vigilância que estabelecem um diálogo em tempo real entre os objetos, os respetivos contextos museológicos, a arquitetura modernista da galeria e o ambiente urbano da Alta de Lisboa, onde fica situada.
Segundo a informação divulgada, este dispositivo "cria paralelos entre as noções contemporâneas de vigilância e proteção --- função original destas estruturas vernaculares --- e problematiza as tensões entre planeamento urbano, mobilidade, construção artesanal e institucionalização da memória cultural".
De Rooij tem desenvolvido uma prática centrada nos sistemas de exibição, nas práticas museológicas e nas políticas da representação, articulando referências da história da arte global, da antropologia visual e da etnografia.
O seu trabalho cruza meios como filme, fotografia, escultura, texto e instalação, explorando processos de produção e contextualização de imagens e objetos.
Willem de Rooij representou os Países Baixos na Bienal de Veneza de 2005, em colaboração com Jeroen de Rijke, e apresentou exposições individuais em instituições no seu país de origem, na Áustria, Alemanha e França, nomeadamente no Centraal Museum, em Utrecht, a Akademie der bildenden Künste, em Viena, o Portikus, em Frankfurt, o Museum für Moderne Kunst e o Le Consortium, em Dijon.