EM DIRETO
Presidenciais 2026. Eleitores escolhem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa

Associação quer problemas resolvidos na Biblioteca Pública de Évora antes da Capital da Cultura

Associação quer problemas resolvidos na Biblioteca Pública de Évora antes da Capital da Cultura

A associação de defesa do património Grupo Pro-Évora apontou hoje diversas "necessidades e urgências" da Biblioteca Pública de Évora (BPE), instituição que deve ser prioridade do Governo, atendendo à Capital Europeia da Cultura nesta cidade em 2027.

Lusa /

Em comunicado divulgado hoje, o Grupo Pro-Évora (GPE) indicou que se reuniu com Diogo Ramada Curto, diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), que tutela a bicentenária biblioteca alentejana, para analisar "diversos problemas que afetam a situação" da BPE.

No âmbito deste encontro, o GPE, a mais antiga associação de defesa do património em Portugal, criada a 16 de novembro de 1919, revelou ter chamado "a atenção para a proximidade da realização da Capital Europeia da Cultura em 2027, que ocorrerá em Évora".

O evento da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27 deverá atrair a esta cidade alentejana "um elevado número de visitantes", os quais, "certamente, acorrerão à BPE, insigne instituição que será um dos rostos da realidade cultural local e nacional", pode ler-se no comunicado.

"Este acontecimento constitui uma oportunidade excecional para valorizar a BPE, que o MC [Ministério da Cultura] deve, portanto, assumir como prioridade", defendeu a associação.

Perante o diretor-geral da BNP, o Grupo Pró-Évora referiu ter aludido a problemas que "dizem respeito sobretudo ao edifício da BPE, à necessidade de um espaço para depósito de parte significativa do seu acervo e aos recursos humanos".

O "mais urgente é o das infiltrações de água no interior do edifício, situação que está a ser acompanhada pela BNP", disse.

Em 2018, lembrou, a anterior direção da BNP promoveu a renovação total do telhado, mas a obra mostrou-se "ineficiente, mantendo-se o problema das infiltrações".

"O diretor da BNP já iniciou o processo para intervenção com vista à resolução do caso, de acordo com o Ministério da Cultura", realçou, sustentando que o financiamento das obras e do respetivo projeto são "uma obrigação que o MC não poderá deixar de assumir, sob risco de ficarem em causa a preservação do importante património bibliográfico da BPE e a do imóvel".

Também suscitada pelo grupo de defesa do património foi a criação de um elevador na biblioteca, que não existe, o que "constitui uma irregularidade que importa resolver, em prol de cidadãos com mobilidade reduzida e do próprio serviço interno".

"Outro problema que afeta seriamente os serviços da biblioteca é a situação em que se encontra uma grande parte do seu acervo, depositado, em condições muito precárias, num armazém da antiga Manutenção Militar cedido pelo Ministério da Defesa, que a BPE terá que desocupar".

Na cidade, "existem diversos imóveis do Estado que se encontram devolutos e que podem ser adaptados para receber esse espólio", sugeriu o GPE, reclamando "uma decisão urgente".

A BPE tem igualmente carência de recursos humanos e deveria estar dotada de mesas digitais de leitura, pois, a sua inexistência "impede um acesso fácil e didático aos muitos documentos antigos digitalizados, objeto de procura e consulta por muitos frequentadores e visitantes", exemplificou, notando que as visitas turísticas à BPE também deveriam ser ponderadas, porque perturbam o normal funcionamento da instituição.

A BPE, com 220 anos de existência, foi criada por Frei Manuel do Cenáculo e é beneficiária do Depósito Legal desde 1931.

O seu espólio, com espécies raras e únicas no mundo, inclui 664 incunábulos e 6.445 livros impressos do século XVI, além de vários núcleos de documentos manuscritos, de cartografia, música impressa e centenas de títulos de publicações periódicas.

Tópicos
PUB