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Banda portuguesa de Brampton celebra 50 anos e enfrenta desafio para atrair jovens

Banda portuguesa de Brampton celebra 50 anos e enfrenta desafio para atrair jovens

A Banda Lira Portuguesa de Brampton, fundada por emigrantes açorianos em 1976, celebrou no sábado 50 anos de atividade, enfrentando o desafio de atrair novos músicos para assegurar a continuidade da tradição.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A dificuldade é arranjar mais jovens para continuar a nossa tradição. Hoje em dia está a ficar mais difícil", afirmou à agência Lusa o presidente da instituição, Steve Torres, durante a gala comemorativa realizada em Brampton, na província canadiana do Ontário.

Fundada em 17 de outubro de 1976 por emigrantes oriundos sobretudo da ilha de São Miguel, nos Açores, a banda mantém uma ligação à comunidade portuguesa através de concertos, procissões religiosas e iniciativas culturais no Canadá, nos Estados Unidos e em Portugal.

A instituição nasceu sob a direção musical de António da Silva Moreira, natural da Ribeira Grande, em São Miguel, que continua a dirigir a formação aos 90 anos, cinco décadas depois da fundação.

"Hoje é um bocadinho mais difícil, mas tudo se faz. É preciso puxar a juventude para a filarmónica, para podermos seguir em frente", afirmou o maestro, que chegou ao Canadá em 1967 e iniciou o percurso musical aos 12 anos, na Filarmónica Triunfo.

António da Silva Moreira explicou que a banda conta habitualmente com cerca de 35 a 37 músicos em atividade e adapta o repertório aos elementos disponíveis, procurando preservar as composições tradicionais portuguesas.

O presidente Steve Torres, que lidera a associação há 14 anos, indicou que a instituição tem cerca de 60 membros, incluindo músicos de diferentes gerações, e que dois dos elementos que participaram na fundação continuam a tocar.

"Gostava de chegar aos 100 anos e ver mais jovens a continuar com amor na banda, para que esta tradição siga sempre em frente", declarou o dirigente, nascido no Canadá e filho de emigrantes de São Miguel.

A renovação geracional é também uma preocupação para António da Silva Moreira, que reconhece a necessidade de preparar novos músicos e de assegurar a transmissão dos conhecimentos musicais.

A ligação entre gerações está presente no percurso de Tânia Melo, de 36 anos, nascida no Canadá e filha de açorianos, que regressou à banda há quatro anos e toca clarinete.

"Gosto de estar ligada à cultura portuguesa. Acho que é uma boa maneira de as pessoas que nasceram cá continuarem a participar e a manter essa ligação", afirmou à Lusa.

O marido, Andy Melo, de 37 anos, começou a aprender música na banda aos sete anos, desenvolveu posteriormente uma carreira musical e regressou à instituição em 2020, onde toca trompete.

"Já estamos numa terceira geração de músicos de famílias a tocar na banda. A melhor coisa que podemos deixar aos nossos filhos e à nossa comunidade é a nossa cultura", sublinhou.

O presidente da Câmara Municipal de Brampton, Patrick Brown, destacou o contributo da instituição para a diversidade cultural da cidade e a importância da transmissão das tradições às novas gerações. "Não há contradição em ter muito orgulho em ser canadiano e, ao mesmo tempo, ter muito orgulho nas nossas raízes e nos nossos antepassados", afirmou o autarca, que participou na cerimónia comemorativa.

Patrick Brown anunciou a intenção de promover uma celebração pública da banda na cidade e entregou um reconhecimento municipal pelos 50 anos da instituição, além de uma medalha ao maestro António da Silva Moreira pelos 90 anos.

O vereador regional Martin Medeiros considerou que a banda faz parte do património cultural de Brampton e defendeu maior apoio municipal às organizações musicais, nomeadamente para a aquisição de instrumentos e a formação de jovens.

"Quando discutirmos o orçamento no próximo ano, quero apresentar uma moção para que haja mais apoio às bandas de música, não só portuguesas, porque este tipo de cultura é extremamente importante", declarou.

Também o vereador regional Paul Vicente destacou a presença histórica dos portugueses na cidade e apelou à participação das novas gerações nas associações comunitárias.

A Banda Lira Portuguesa de Brampton foi inicialmente fundada com o nome de Banda Nossa Senhora de Fátima, tendo como primeiro presidente José Carvalho e como maestro António da Silva Moreira.

Ao longo de cinco décadas, a formação realizou atuações em várias localidades do Ontário e do Quebeque, participou em celebrações religiosas na região norte-americana da Nova Inglaterra e efetuou deslocações aos Açores, incluindo às festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada.

A gala dos 50 anos juntou membros, familiares e representantes da comunidade portuguesa, assinalando meio século de atividade de uma instituição que procura assegurar a continuidade da tradição filarmónica portuguesa no Canadá.

Brampton é a sétima cidade mais populosa do Canadá, com 656.480 habitantes segundo o recenseamento de 2021, embora a autarquia estime que a população ronde atualmente os 800 mil, incluindo uma comunidade de cerca de 22.700 pessoas de origem portuguesa.

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