Tendas no Porto e em Lisboa
- Pela primeira vez em oito dias, os manifestantes permaneceram acampados na Praça D. João I, no Porto. Foram montadas dezenas de tendas, decisão votada em assembleia popular;
- A PSP abordou o advogado representante dos manifestantes portuenses para que as tendas fossem removidas. Tiago Machado falou com alguns manifestantes, mas manteve-se a decisão de permanecer no local, embora com receios, uma vez que foi novamente referida a alegada presença de infiltrados de extrema-direita;
- No Porto, havia igualmente o receio de uma nova ação policial para retirar as tendas com recurso à força. Mas não ocorreram incidentes. A RTP apurou, junto de fonte não oficial, que a PSP não faria investidas noturnas;
- O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, adiantou, em declarações à TSF, ter convidado os manifestantes para uma reunião na autarquia, dizendo-se aberto ao diálogo. O advogado dos manifestantes garante que também estes estão abertos ao diálogo, mas sublinhou que ainda não havia recebido um convite formal por parte do autarca;
- Em Lisboa, estão também acampadas milhares de pessoas. O objectivo é permanecer no local por tempo indeterminado;
- Durante a noite e a madrugada, na Praça do Rossio, os manifestantes organizaram-se por turnos. Havia o receio de uma intervenção policial, que não se verificou, e não há registo de incidentes. Ouviram-se palavras de ordem como "daqui não saio, daqui ninguém me tira";
- O movimento Casa para Viver prevê realizar este domingo uma assembleia popular da habitação no Largo de São Domingos, em Lisboa;
- Sábado foi dia de protesto nacional. Milhares de pessoas saíram às ruas em Lisboa, no Porto, Coimbra, Faro e Funchal por melhores salários, pensões e serviços públicos. O protesto foi promovido pela CGTP;
- Os partidos à esquerda desvalorizaram as palavras do primeiro-ministro sobre os protestos. Vários líderes partidários juntaram-se às manifestações. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, não este presente, mas avisou para o "rastilho social" gerado pela nova lei das rendas;
- Num dia marcado por grandes manifestações pelo direito à habitação, também o PCP insistiu que a nova lei das rendas "tem de cair". Em entrevsita à RTP, o secretário-geral dos comunistas, Paulo Raimundo, acusou Luís Montenegro de querer "importar um modelo falhado" para a habitação.
Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I
O movimento pela habitação decidiu voltar a montar tendas e a acampar no local este sábado.
Exigem, por fim, a demissão de Pedro Duarte, o presidente da câmara do Porto, pela forma como as autoridades enfrentaram a manifestação na madrugada da última quinta-feira.
Direito à habitação. Tendas montadas no Rossio para passar a noite
Milhares de pessoas saíram hoje às ruas para se manifestar pelo direito à habitação.
Manifestações da CGTP. Milhares saíram à rua em Lisboa, Porto e Coimbra
Milhares de pessoas saíram hoje à rua em Lisboa, no Porto e em Coimbra. O protesto promovido pela CGTP foi por melhores salários, pensões e serviços públicos.
Habitação. Paulo Raimundo denuncia nova lei "feita à medida dos fundos imobiliários"
A RTP está a fazer entrevistas aos líderes partidários nacionais e o tema da habitação dominou a conversa com Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo sublinhou também que a esmagadora maioria dos manifestantes não quer os protestos terminem em violência. “Já lhes basta a violência da precariedade e instabilidade”, acrescentou. O mesmo em relação às forças de segurança, que “também enfrentam violência na sua vida”, com os mesmos problemas e a “falta de reconhecimento das carreiras e condições de trabalho”.
O secretário-geral do PCP considera que é essencial derrotar a nova lei do arrendamento porque “a situação hoje já é terrível”. A entrada em vigor desta legislação só iria aumentar ainda mais os despejos e os preços das rendas, sublinha.
“O projeto do Governo terá impactos mínimos nos arrendatários normais. Isto é feito à medida dos fundos imobiliários”, argumenta ainda, acusando PSD, CDS-PP, Chega e IL de serem os “porta-vozes dos fundos imobiliários”.
Questionado sobre as acusações de Luís Montenegro sobre a “importação” do clima de conflitualidade que se regista noutros países da Europa, Paulo Raimundo considera que é o primeiro-ministro quem está a importar um “modelo de sociedade” e um modelo de habitação “falhado”.
Mais tarde, em entrevista mais alargada na RTP Notícias com Alberta Marques Fernandes, o líder do PCP insistiu que a nova lei sobre o arrendamento é feito à medida dos fundos imobiliários e não dos pequenos arrendatários.
“Serve os fundos imobiliários que compram um prédio, uma rua, uma aldeia”, referiu. Criticou ainda os “dois mil milhões de euros em benefícios fiscais para residentes não habituais” e salientou que é necessário um “investimento público robusto para a habitação”.
“O Governo, com as opções que está a tomar, não só não está a resolver como está a acentuar um problema”, vincou o secretário-geral do PCP.
Em concreto, Paulo Raimundo considerou que deve haver maior investimento na habitação pública.
“O mesmo Governo que admite que um país como o nosso gastar 3 por cento na guerra trava 1 por para habitação pública”, referiu o líder do PCP, apontando à promessa de Luís Montenegro para os gastos em Defesa na última cimeira da NATO.
O líder comunista reconhece “não há uma bala de prata” que resolva todos os problemas da habitação, mas que se deve apostar na recuperação de casas já existentes. “Há 700 mil casas que estão vazias, podiam ser reabilitadas”, argumentou.
Paulo Raimundo mostrou-se também crítico da banca, que apresenta “14 milhões de euros de lucros por dia”.
Partidos no protesto. Líderes da esquerda desvalorizam palavras de Montenegro
Os partidos à esquerda desvalorizam as palavras do primeiro-ministro sobre os protestos e dizem que é a falta de respostas do Governo que leva as pessoas à rua.
Manifestações pela habitação. Ministro "com enorme preocupação" e assume que se a população se manifesta é porque "há dor"
O ministro da Habitação admite que quem se manifesta pelo direito à habitação é porque sente dor.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas