Bienal de Artes Contemporâneas BoCA traz 15 estreias mundiais a Lisboa e Porto
Lisboa, 07 fev (Lusa) - A BoCA - Biennal of Contemporary Arts vai trazer a Lisboa e ao Porto 15 estreias mundiais e dez nacionais na primeira edição, de 17 de março a 30 de abril, com uma programação transversal, que passa pelas artes visuais, performativas e pela música.
Em declarações à agência Lusa, o diretor artístico do evento, John Romão, que hoje apresentou a programação, em Lisboa, indicou a bienal terá uma expansão a outras cidades ao longo deste ano e no próximo, como Braga, Ílhavo, Viseu, Évora e Faro.
O objetivo é, "sobretudo, conectar instituições culturais com missões diferentes e objetivos diferentes, criar uma sinergia entre territórios artísticos diferentes - as artes visuais, as artes cénicas, a ´performance´ e a música - e de poder relacionar públicos diferentes", explicou.
A organização do novo evento, que reunirá mais de 40 artistas na bienal para espetáculos, instalações e ´workshops´, pretende "criar uma comunidade mais abrangente em torno da arte contemporânea, em vez de pensar os territórios artísticos de uma forma tão dividida".
Na opinião de John Romão, em Portugal os festivais são muito especializados numa determinada área: ou de teatro, ou dança, de cinema, artes plásticas, música, enquanto a Bienal "quer pensar a criação artística de forma mais transversal".
Relativamente à escolha de Lisboa e Porto como cidades-palco, em simultâneo, da bienal, o responsável indicou que já existe essa prática de artistas que aproveitam, sobretudo os estrangeiros, quando vêm a Portugal, de se apresentarem nas duas cidades.
"Interessa-nos sobretudo criar uma mobilidade do público, entre instituições, e entre as cidades. Pretende-se criar um trabalho em rede", sublinhou o ator e encenador de 33 anos, residente em Lisboa.
A organização está a trabalhar nesta primeira edição da bienal há dois anos, durante os quais fez "um grande trabalho de reflexão, de pensar o que poderia ser, o que ela acrescentaria no panorama artístico nacional".
"Estamos bastante contentes com esta programação, que é diversificada e representativa de vários territórios artísticos, num equilíbrio de artistas nacionais e estrangeiros, e de espaços muito diferentes que se reúnem, e abrem as suas portas ao risco, de alguma maneira, a artistas que não conhecem, e a públicos que não os costumam visitar", salientou.
Para as próximas edições, a visão, segundo o diretor artístico, está traçada: "É continuar a estrear obras a nível nacional e mundial, e, como somos co-produtores, interessa-nos fazer uma circulação das obras noutras cidades, ao longo do ano, em Portugal, mas também lá fora, em Paris, Bruxelas, ou Hamburgo, por exemplo, onde já temos parceiros".
Os apoios financeiros da BoCA vêm da DGArtes, Gulbenkian, Câmara Municipal de Lisboa, o Instituto Francês, o Goethe Institut, e das embaixadas da Áustria e da Austrália, segundo a organização.
O programa educativo tem apoio da Fundação Millenium BCP e da Fundação Gestão dos Direitos dos Artistas, e há vários co-produtores que são as entidades onde vão acontecer as ações, como museus, galerias e teatros.
Nascido em 1984, John Romão, diretor artístico e programador, é ator, encenador e produtor, residente na capital portuguesa, formado em Teatro, pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
Trabalhou, entre outros, com Romeo Castellucci, Rodrigo García, Tiago Rodrigues, Jorge Andrade, Jorge Silva Melo, Mariana Tengner Barros, Paulo Castro, Nilo Gallego, Francisco Salgado, Miguel Loureiro, Jean-Paul Bucchieri e Maria João Machado
Fundou em 2008 o Coletivo 84, com o dramaturgo Mickael de Oliveira, estrutura que tem produzido o seu trabalho, e com a qual tem circulado por Espanha, Itália, Alemanha, Noruega, Eslováquia, Brasil, Argentina e Austrália.
Desde 2006, é assistente de direção artística do dramaturgo e encenador hispano argentino Rodrigo García (diretor do HTH - Centro Dramático Nacional de Montpellier), e tem circulado por festivais e teatros europeus, como o Festival d`Avignon, Schaubühne Berlin, DeutscheOper Berlin, Centro Dramático Nacional de Madrid, Théâtre National de Bretagne e Festival d`Automne à Paris.