Duzentos cantam em Vila Real para mostrar que se está a construir uma ópera

por Lusa

Duzentas pessoas atuam sábado, em Vila Real, num concerto de rua que visa apresentar, através da música, o projeto Mátria, que está a construir uma ópera para o Douro inspirada na obra do escritor Miguel Torga.

"Mátria -- uma ópera para o Douro" é um projeto que está a ser executado pela produtora Mercearia das Ideias e promovido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

No sábado, cerca de 200 pessoas que integram sete coros de Vila Real e um grupo de Favaios, concelho de Alijó, vão percorrer algumas das principais artérias da capital de distrito num concerto que começa em dois espaços distintos e depois se junta na Capela Nova.

"O objetivo deste concerto é apresentar o Mátria à comunidade, mostrando que estamos a construir uma ópera para o Douro", afirmou à agência Lusa a promotora da ideia, Eduarda Freitas.

A responsável salientou que se quer apresentar este "projeto de música através da música" e envolver a comunidade na iniciativa que está a ganhar forma na mais antiga e regulamentada região demarcada do mundo.

Neste concerto vão ser apresentadas músicas tradicionais do Douro e Trás-os-Montes mas com uma "roupagem contemporânea", preparada pelo compositor Fernando C. Lapa, que está também a compor a música para a ópera.

Depois, a 06 de junho, decorrerá um segundo concerto de rua em Favaios.

Eduarda Freitas salientou que Mátria é um "projeto cultural inédito" porque se trata da estreia de uma ópera em Portugal composta por um compositor português e baseada na obra de um escritor também nacional.

O projeto tem como objetivo a criação de uma ópera com libreto baseado essencialmente nos Contos e Novos Contos da Montanha, do escritor Miguel Torga, e música original do compositor Fernando C. Lapa, que é natural de Vila Real.

A obra terá 87 minutos, número que equivale à idade com que Miguel Torga morreu.

Eduarda Freitas contou que a obra começa com a história de um menino que sonhava que na barriga de um monte existia um tesouro.

Desenrola-se, depois, ao longo da sua vida até à velhice e também ao longo dos 12 meses do ano, passando pela época das vindimas, o Natal ou as festas populares do verão.

É nesta festas do Douro que as pessoas que agora estão a participar nos concertos poderão, depois, também desempenhar papéis na própria ópera, subindo ao palco com os artistas profissionais.

Está ainda a ser filmado um documentário que pretende ilustrar a forma como todo o projeto está a ser implementado e que deverá estrear em setembro.

Segundo a responsável, o objetivo é também levar a ópera a todos os públicos, tornar esta forma de arte mais acessível e, através de uma espécie de espetáculo de bolso, mais pequeno, chegar a locais onde habitualmente onde é possível realizar este tipo de iniciativas, como por exemplo quintas.

Para já ainda não há data para a estreia deste espetáculo, estando previsto apresentar uma candidatura a fundos comunitários para a segunda fase do projeto, que corresponderá à montagem e encenação.

Esta primeira fase conta com um financiamento comunitário de 39 mil euros.

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